Uruguaiana
Jornal de Hoje

'O produtor não deve temer a tecnologia', diz especialista do setor de máquinas

30 Agosto 2018 13:29:00

Gabriela

Uma das apostas da Expointer é promover debates e levar informação para o público. Nesta terça-feira (28), um painel abordou o tema "Tecnologias das máquinas agrícolas que aceleram o agronegócio", no Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas do Rio Grande do Sul (SIMERS). Um dos palestrantes foi o engenheiro Fabrício Costa, gerente da coordenação do planejamento estratégico da John Deere para a América Latina. Ele conversou com a reportagem sobre a velocidade das inovações no setor e a necessidade de mostrar para o produtor rural que a tecnologia veio para ficar e pode ser uma grande aliada do trabalho no campo. Confira a entrevista:


Como medir a importância da tecnologia no campo?

Fabrício - A importância é chave. Se pensarmos nos últimos 50 anos no Brasil, a produtividade cresceu cinco ou seis vezes mais do que a área agrícola. Isso tem a ver com a tecnologia no sentido mais amplo da palavra, não apenas de maquinário. Aí entram o melhoramento genético das plantas, a evolução das técnicas agropecuárias, o domínio do cultivo em ambiente tropical, enfim, muitos aspectos da tecnologia e da pesquisa. Ela é gritante para nos fazer competitivos. A FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura) projeta que, até 2050, nós vamos ter que dobrar a produção de alimentos no mundo. E grande parte disso vai sair do Brasil, porque, se a gente olhar para quais países têm possibilidades de expandir a agricultura de forma significativa, o Brasil é o primeiro deles. Mas nós não vamos conseguir isso sem tecnologia.


A tecnologia avança muito rapidamente. Sempre há novidades surgindo. Em que momento nós estamos na relação tecnologia x campo?

Fabrício - Hoje, a gente vive o que eu chamo de consolidação da automação. As máquinas surgiram como equipamentos integralmente mecânicos. Substituíam o trabalho braçal e a tração animal, já trazendo muitos ganhos na produtividade. Depois, vieram as máquinas a vapor e as hidráulicas, mas sempre com a presença indispensável do homem, do operador no controle. E, hoje, a gente tá vivendo uma fase onde o equipamento tá ficando cada vez mais automático. O operador precisa intervir cada vez menos para que a máquina tenha um ótimo desempenho.


E existe mão de obra para lidar com tanta tecnologia?

Fabrício - Isso é um desafio enorme para o nosso produtor: mão de obra qualificada. Por isso as máquinas estão ficando tão grandes. Porque daí você consegue trabalhar numa área maior, de forma mais rápida, com apenas um operador. Mas, mesmo assim, falta gente especializada. Na minha opinião, este é um dos grandes problemas, o descompasso entre a velocidade da tecnologia e a velocidade da capacitação. Outro entrave é a falta de conectividade. Nós não temos uma rede eficiente para conectar o Brasil rural.


O senhor pode dar um exemplo?

Fabrício - Sinal de celular. Como as máquinas de última geração se comunicam? Elas operam reportando dados em tempo real. Para o proprietário, o escritório, o agrônomo, para as empresas. Só que, sem sinal, as informações simplesmente não chegam em tempo real, o que seria muito melhor para otimizar o processo. O campo não tem sinal de celular. O país precisa corrigir isso.


Alguns produtores têm receios de investir em uma máquina porque sempre vai surgir uma melhor, mais moderna. Essa preocupação se justifica?

Fabrício - O fato de surgir uma nova tecnologia não invalida aquela que o produtor já tem. Muitas novidades chegam para somar, e não para substituir. Uma máquina comprada para a safra deste ano não vai ficar obsoleta para a safra do ano que vem. Não é assim. Então, se o produtor faz um financiamento de cinco ou seis anos para comprar um trator, por exemplo, é claro que vão surgir tratores mais modernos neste período, mas isso não significa que o dele vai perder a utilidade. É como a nossa relação com celulares e computadores. Sempre surgem mais modernos, mas os nossos não deixam de ser bons.


Quando a gente vê essas máquinas enormes, a gente associa a grandes lavouras. Mas, no Rio Grande do Sul, mais de 80% das propriedades rurais são de agricultura familiar. A tecnologia é acessível para todos?

Fabrício - Sem sombra de dúvidas. Existe tecnologia para qualquer tipo de propriedade e de bolso. Nós temos clientes de todos os tipos. Mas eu diria algo para os pequenos produtores: não temam a tecnologia. Sei que assusta, mas ela veio para ajudar a tornar o seu dia a dia mais prático, mais rentável. E mantendo a característica do seu produto. É claro que a indústria não vai oferecer para o cliente algo desproporcional para ele. Não tem sentido. Existem muitos fatores para decidir qual ou quais máquinas comprar. O que se produz, qual o tamanho da área, quais as características do terreno, que resultado se quer, quanto o agricultor está disposto a investir, enfim, um conjunto amplo. Mas, com certeza, apostar em tecnologia traz retor

Imagens

Jn-CIDADE-selo-M&M.jpg

Copyright © 2018. Todos os direitos reservados | Suita Sistemas.