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Vacinação da Aftosa

Segunda etapa começa dia 1º

Gabriela Barcellos

A segunda etapa da campanha de vacinação contra a febre aftosa terá início em 1º de novembro, prosseguindo até o dia 30. Nesta fase, devem ser imunizados bovinos e bubalinos na faixa etária de zero a 24 meses, o que contabiliza cerca de 4,3 milhões de animais em 240 mil propriedades. 

"Os pecuaristas gaúchos já deram forte demonstração de responsabilidade e preocupação com a sanidade de seus rebanhos na primeira etapa da vacinação, e agora precisamos manter a mobilização", afirma o secretário da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, Covatti Filho.

De acordo com o coordenador do Programa de Controle e Erradicação da Febre Aftosa da Seapdr, Fernando Groff, a meta nesta etapa de novembro é ultrapassar os 90% de animais imunizados e de 90% de propriedades cobertas.

A primeira etapa, em maio, envolveu 288 875 propriedades rurais com 12,6 milhões de bovinos e búfalos. Foram imunizados 12,5 milhões de animais, correspondendo a 99% do rebanho, em 279.879 estabelecimentos, que representam 96,89% das propriedades no Estado.

Neste ano, a vacina teve alterações na formulação, com redução na dosagem de aplicação, de 5 para 2 ml - e passou a ser bivalente, permanecendo a proteção contra os vírus tipo A e O (removido o tipo C) e as apresentações comercializadas agora serão de 15 e 50 doses. A composição do produto também foi modificada com o intuito de diminuir os nódulos.

As vacinas podem ser adquiridas em uma das 600 casas agropecuárias credenciadas na Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) para a comercialização deste produto. Após imunizar o rebanho, o produtor terá até 6 de dezembro para comprovar a vacinação junto à Inspetoria de Defesa Agropecuária local, apresentando a classificação do rebanho, por sexo e idade, e a nota fiscal de compra das doses aplicadas.

Status sanitário

Atualmente, o Rio Grande do Sul, que é considerado zona livre de aftosa com vacinação, busca evoluir seu status sanitário. Em setembro, o Estado passou por auditoria do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para a retirada da vacinação. A Seapdr ainda aguarda a divulgação do relatório do ministério - enquanto a retirada não é confirmada, as etapas de vacinação ocorrem normalmente. No momento, Santa Catarina é o único estado brasileiro considerado livre de aftosa sem vacinação, certificação conquistada há 12 anos.

Controle de fronteiras

Sobre a alteração no status o diretor do Sindicato dos Médicos Veterinários no Estado do Rio Grande do Sul (Simvet/RS), João Junior, explica que o RS só terá condições de ser considerado zona livre de febre aftosa sem vacinação com controle rígido de fronteiras e planejamento envolvendo criadores, instituições e poder público. Ele destaca que, mesmo com o fechamento do mercado paranaense no final deste mês, a retirada da vacina em solo gaúcho deve ser debatida com cautela por apresentar diversas vertentes.

Conforme ele, o impacto mais imediato com a assinatura da normativa que proíbe a imunização no Paraná é na venda de animais de genética. Tradicionalmente, o RS comercializa bovinos para outros Estados, logo se prevê uma retração na demanda. "Este é um problema bastante sério para os produtores rurais. Porém, existe receio de retirar a vacina para acompanhar este movimento e depois não ter controle adequado para que se mantenha a condição de zona livre sem vacinação", explica.

Por outro lado, o dirigente destaca que, quando todo o país obtiver a certificação, o que não tem prazo definido, conquistará não apenas um status de zona sanitária melhor internacionalmente, mas também permitirá ao Brasil barganhar preço e ter volume de exportação de proteína animal para outras regiões do planeta.

 No caso do RS, ele defende um sistema integrado entre as polícias rodoviárias estaduais e federais, inspetorias veterinárias e produtores rurais, a fim de fiscalizar eficazmente a zona de fronteira seca com Uruguai e Argentina. "É necessário montar um projeto que funcione para se fazerem as denúncias e para que se controlem as propriedades. A rastreabilidade da pecuária bovina poderia ser uma alternativa segura e eficaz, podendo colher lucros significativos a médio longo prazo", sugere.

 Os últimos focos no Estado foram registrados em 2001, em 22 municípios. Desde então, a vacinação vem sendo aplicada como forma de evitar novas ocorrências. "O RS deve evoluir seu status sanitário, por tudo que isso representa, mas não estou convencido de que estamos prontos neste momento", pondera.

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