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Diretores da FCDL acusam presidente de desvio e lavagem de dinheiro, e formação de quadrilha

O empresário Jorge Prestes Lopes, 1º vice-presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL), e outros membros da diretoria da entidade acusam o presidente Vitor Augusto Koch de irregularidades que culminaram no desvio de quase R$ 2 milhões, e buscam na Justiça seu afastamento do cargo.

De acordo com Prestes Lopes, em agosto de 2017, a direção de CDLs da região da Serra e do Vale dos Sinos buscavam que Koch não concorresse a reeleição, e posteriormente, que não lograsse êxito no pleito  por conta de indícios de irregularidades em sua gestão. Membros da diretoria da FCDL apontam que o presidente "usou algumas práticas não tão republicanas para se reeleger. Descobrimos posteriormente que houve, inclusive compra de votos e favorecimentos para líderes que iam votar na assembleia". Passado o pleito, as CDLs de alguns dos municípios daquelas regiões continuaram buscando na Justiça esclarecimentos sobre o processo eleitoral.

Ainda segundo Prestes Lopes, Koch responde a um inquérito policial na 17ª Delegacia de Polícia, em Porto Alegre, duas investigações no Ministério Público Estadual e outras três ações judiciais cíveis, nas comarcas de Sapiranga, Caxias do Sul e Porto Alegre, movidas pela direção das Câmaras de Dirigentes Lojistas (CDLs) dessas cidades.

Denúncia ao diretor financeiro
A situação começou a se agravar em março de 2018, quando o vice-presidente da FCDL, Fernando Luís Palaoro, levou ao diretor financeiro Moacir Paulo Lodi, informações sobre irregularidades cometidas pelo presidente, que incluem significativos desvios de recursos. Os dois, ao lado de Prestes Lopes, formam o trio mais experiente da diretoria.
Palaoro explica que esteve acompanhando Koch "desde seu primeiro mandato, totalizando mais de 12 anos". "Sempre tive total confiança. Tivemos muitos enfrentamentos junto a CNDL e sempre fomos muito unidos. Na última campanha trabalhei forte na busca de votos, efetivamente para que nos reelegêssemos. Todavia, em minhas viagens - visitei quase todas as CDLs - escutei relatos de diretores e presidentes do interior, com suspeitas de irregularidades dentro da Federação, levantadas pela chapa opositora. Sempre rebati, sempre fui enfático, mas aquilo acendeu uma luz amarela. E a partir dessas informações, bem superficiais, comecei a me preocupar e fui verificar alguns detalhes com os quais nunca me preocupei, e encontrei coisas que me chocaram. De forma discreta, comecei a procurar documentos, que era de meu direito como diretor e vice-presidente. E encontrei muita coisa. Pela amizade com o Moacir e o Jorge, falei pra eles. Insisti várias vezes. Fui contrariado por eles até que eles também começaram a achar que eu poderia estar falando a verdade e foram, da mesma forma, verificar", conta ele. "Admito que demoramos para notar isso. Tínhamos uma confiança muito grande nele [Vitor]. E hoje estamos com essa situação bem delicada e tentando de alguma forma fazer justiça. Não é nada pessoal contra o Vitor, mas precisamos proteger o movimento lojista gaúcho, que hoje está esfacelado", completa.

Confronto

Inicialmente, Lodi levou a situação ao conhecimento de Koch, que refutou as acusações dizendo que Palaoro estava 'despeitado' por não ser mais o 1º vice-presidente (ainda que integre a diretoria). Insatisfeito, Lodi foi em busca de esclarecimento das acusações do vice-presidente, e nos meses seguintes passou a verificar com mais atenção os documentos que lhe chegavam.

Retaliação
Após ser confrontado, Koch começou a restringir o acesso do diretor financeiro aos documentos financeiros e, de acordo com Prestes Lopes, está respondendo por isso.
Mesmo com o acesso restrito, Lodi conseguiu verificar veracidade nos apontamentos do vice-presidente e comunicou Prestes, o 1º vice-presidente. Os dois procuraram o Presidente, bem como o superintendente da FCDL, que teria recebido ordens de Koch para não fornecer qualquer tipo de informação. O Diretor Financeiro solicitou que Vitor se afastasse da presidência para que umaauditoria fosse realizada, mas o presidente não aceitou e, em retaliação, abriu processos contra Lodi e contra Prestes no Conselho de Ética da entidade.
Prestes Lopes e Palaoro dizem que, ainda que estatutariamente os pagamentos da Federação devam ser realizados pelo presidente e pelo diretor financeiro, e em sua ausência pelo 1º vice-presidente e o diretor financeiro, Koch os realizava sozinho e era o único a movimentar o caixa. Ao ser notificado formalmente da irregularidade do procedimento pelo Diretor Financeiro, cortou o acesso aos poucos documentos que ainda chegavam a Lodi, como esporádicos relatórios de fluxo de caixa.

Denúncia no Ministério Público
Em outubro Palaoro ofereceu ao Ministério Público a primeira denúncia formal contra o Presidente, com acusações que envolvem crimes de lavagem de dinheiro, desvio e formação de quadrilha. As acusações apontam, entre outras irregularidades, a emissão de notas fiscais frias em nome de empresas que já haviam sido fechadas, notas fiscais de empresas de vinho no montante de mais de R$ 600 mil ao longo de um ano listadas como "despesas de publicidade", notas fiscais para realização de eventos em discordância com o registro da Receita Federal, valores que supostamente foram repassado a alguns membros do colégio de votantes, e pagamento de despesas pessoais de Koch que constavam no fluxo de caixa.
Na denúncia, Palaoro solicitou ainda que não somente o presidente fosse responsabilizado, mas também outros membros da diretoria que por ventura tivessem conhecimento das irregularidades e viessem a se omitir. Diante disso, Lodi e Prestes ingressaram com uma ação judicial buscando também os devidos esclarecimentos.

Afastamento de conselheiros

Nesse período, três processos contra Koch aportaram no Conselho de Ética e o presidente afastou dois dos seis conselheiros, aqueles que, segundo Prestes, poderiam votam contra ele no julgamento. Foram afastados os empresários uruguaianenses Luciane Lopes, atual presidente da CDL Uruguaiana, e Jorge Rafael Urquiza, ex-presidente. Os dois foram reintegrados ao Conselho em dezembro, por decisão da 4ª Vara Cível do Foro Central de Porto Alegre, em ação movida por eles, acompanhados de Clarindo Barbosa, Jorge Lopes e Moacir Lodi. Clarindo diz ter participado da ação enganado, e apoia Koch.
Koch teve recurso negado pelo Tribunal de Justiça. Na ocasião, a desembargadora Vivian Spengler não só reconheceu que a situação se reveste de gravidade, como determinou uma rigorosa apuração das denúncias de irregularide pelo Ministério Público.
Palaoro relata ainda que juntamente com Prestes Lopes e Lodi, está sofrendo ações no Conselho de Ética. "São ações no Conselho de Ética, oficiais, dentro do nosso movimento lojista e que acaba denegrindo nossa imagem diante dos demais diretores e presidentes", diz. E por fim, ressalta que nenhum deles tem acesso a qualquer tipo de informação por outro meio que não o judicial. "Inclusive e-mails que eram praticamente diários sobre informações do dia a dia, acontecimentos da Federação. Estamos totalmente excluídos disso. Somente o que é oficial e obrigatório por força de estatuto vem até nós", diz Palaoro.
Atualmente diversas CDLs do Estado estão descontentes com Koch a frente da FCDL e desejam seu afastamento. "Especialmente na serra gaúcha onde se concentram muitas CDLs, fortes e organizadas, basicamente todas estão em busca de mudança", diz Palaoro. Porém, os procedimentos legais contra o presidente estão em fase de defesa e enquanto a Justiça segue seu lento curso ele continua na presidência da FCDL. Além do afastamento de Koch, o grupo está buscando o afastamento de conselheiros fiscais que atuaram na aprovação das contas do presidente e que teriam recebido benefícios para isso.

O presidente
Procurado pelo Jornal CIDADE, Koch disse que as "graves e difamatórias acusações que estão sendo feitas, causam prejuízos não apenas" a ele, mas "de maneira muito forte à FCDL-RS e às entidades do movimento lojista gaúcho".
Ele confirma que tramita em Porto Alegre a ação proposta por Jorge Prestes Lopes, Luciane Lopes, Jorge Urquiza e Moacir Lodi contra a FCDL-RS e ele, pedindo seu afastamento imediato, bem como a reintegração dos membros do Conselho de Ética, Luciane Lopes e Jorge Urquiza.
O presidente diz que o pedido de liminar para afastamento foi negado, entendendo a magistrada Rute Rossato que não há provas para tanto; ela apenas deferiu a reintegração dos membros ao Conselho de Ética. Os autores da ação recorreram ao Tribunal de Justiça para reverter a decisão, mas a desembargadora Vivian Angonese Spengler manteve o indeferimento do pedido de afastamento, reforçando que os elementos apresentados não se prestam a comprovar as alegações.
Sobre a reintegração dos membros ao Conselho de Ética, a FCDL-RS já interpôs recurso e aguarda decisão do Tribunal de Justiça, pois é competência da diretoria da entidade nomear os membros do Conselho de Ética e, em caso de suspeição/impedimento, substituí-los", explica ele.
Ele diz ainda que não tem conhecimento sobre o inquérito policial ou as investigações do Ministério Público, "tampouco foram chamados a prestar quaisquer tipos de esclarecimentos".

Contas aprovadas
Por fim, ele salientou que todos seus mandatos tiveram contas aprovadas pela assembleia geral, órgão máximo do sistema no Rio Grande do Sul. "Todas as contas da FCDL-RS são auditadas por auditoria externa independente, tendo sido aprovadas, sem ressalvas, pelo Conselho Fiscal e pela própria assembleia geral. Todos os documentos relativos à organização financeira da FCDL-RS estão à disposição de qualquer membro integrante da assembleia geral, em pleno gozo de seus direitos. No Portal da Transparência, criado nesta gestão para dar pleno acesso às informações da entidade, constam os documentos para consulta dos próprios membros da assembleia geral. Por fim, estamos buscando todos os esclarecimentos a respeito das informações divulgadas, visando o devido reparo à imagem da FCDL-RS, assim como de seu Presidente", finaliza Koch.
O Jornal CIDADE tentou contato com Moacir Lodi, mas ele está em viagem à Europa e não retornou até o fechamento desta edição.

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