
O trabalho técnico desenvolvido pelo Instituto-Geral de Perícias (IGP) do Rio Grande do Sul alcançou um marco significativo de mais 300 conexões balísticas confirmadas no Sistema Nacional de Análise Balística (Sinab). O resultado reforça o papel da perícia criminal no apoio às investigações policiais, aliando conhecimento científico e recursos tecnológicos para esclarecer crimes envolvendo armas de fogo.
No âmbito do Sinab, uma conexão balística é reconhecida quando fragmentos de munição, como projéteis ou estojos, apresentam características coincidentes em diferentes ocorrências criminais. Essa identificação pode ser decisiva para o avanço de investigações, especialmente quando não há suspeitos previamente definidos, ao apontar que crimes distintos podem ter sido cometidos com a mesma arma ou, ainda, ao permitir a individualização do armamento utilizado.
O banco de dados começou a ser alimentado em julho de 2022, com a implantação do sistema na Divisão de Balística Forense do IGP. Desde então, os resultados cresceram de forma consistente.
Os números demonstram a consolidação e o aperfeiçoamento do trabalho técnico no Estado. Em 2022, foram identificadas apenas quatro conexões balísticas. Já em 2023, o total subiu para 52 registros. No ano seguinte, em 2024, foram confirmadas 93 ligações, enquanto em 2025 o número alcançou 159. Ao todo, somam-se 308 conexões confirmadas, envolvendo 235 armas associadas a práticas criminosas.
Mesmo na ausência de solicitação formal por parte das autoridades policiais, o IGP elabora laudos de coincidência de perfil balístico. Esses documentos técnicos são encaminhados às delegacias responsáveis, contribuindo para ampliar o conjunto de informações disponíveis e fortalecer a apuração dos fatos.
Tecnologia e precisão
As análises são conduzidas com o auxílio do Sistema de Identificação Balística Integrado (Ibis), uma ferramenta automatizada que permite comparações altamente precisas. O processo começa na cena do crime, com a coleta dos vestígios balísticos. Projéteis e estojos passam por digitalização e são inseridos no banco nacional, onde são submetidos a comparações computadorizadas em busca de marcas microscópicas deixadas pelo interior da arma no momento do disparo.
A partir das indicações geradas pelo sistema, o trabalho segue para a etapa de verificação especializada. Nela, o perito analisa detalhadamente as imagens, seleciona os elementos mais relevantes e confirma ou descarta as possíveis correspondências, garantindo rigor técnico e confiabilidade aos resultados.
Reconhecimento nacional
Ao final de 2025, o Rio Grande do Sul manteve posição de destaque no cenário nacional da polícia científica. O Estado liderou dois dos três indicadores avaliados pelo Sinab: volume de inserções no sistema e quantidade de correlações balísticas confirmadas, superando inclusive unidades da federação com maior densidade populacional.
Somente o IGP gaúcho realizou mais de 14 mil inserções no banco nacional. O desempenho é atribuído à adoção de rotinas técnicas bem estruturadas, ao uso intensivo de tecnologia, à padronização dos procedimentos e à capacitação permanente das equipes periciais ao longo dos últimos anos.








