O Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil do Estado do Rio Grande do Sul (PC-RS) incinerou nesta quinta-feira, 27/10, mais de dez toneladas de entorpecentes apreendidos pelas forças de segurança pública em todo o território gaúcho ao longo deste ano. Segundo o Denarc, as apreensões de 2022 já superaram a quantia de drogas apreendida em todo o ano de 2021.
De acordo com o responsável pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), delegado Nilson de Carvalho, em Uruguaiana, neste ano, as maiores apreensões foram de maconha – cerca de 90 quilos.
Ao todo, foram destruídos 10,3 mil quilos de entorpecentes entre cocaína, crack, maconha, além de drogas sintéticas – como o ecstasy. A Polícia Civil informou que o montante, um dos maiores já incinerados pela instituição, é resultado de apreensões realizadas em ações de combate ao narcotráfico. O procedimento de destruição dos materiais é realizado regularmente pelo Denarc após autorização do Poder Judiciário.
Para Carvalho, o aumento nas apreensões de drogas é fruto do direcionamento das investigações por parte da Polícia Civil aos grupos que formam as organizações criminosas.
“Esses grupos são os que comandam todo o tráfico de entorpecentes no Rio Grande do Sul. Eles que acabam movimentando essa grande quantidade de droga e são os responsáveis pelo armazenamento desse montante de narcóticos. Além disso, ao focar as ações nesses grupos é possível descobrir os locais de armazenamento e depósito de drogas em maior quantidade”, conta Carvalho.
O Delegado também explica que o investimento na Segurança Pública, como o incremento de efetivo tanto de policiais quanto delegados de Polícia, é outro fator que colabora com o crescimento do número de apreensões.
O processo de incineração ocorreu em um forno cedido por uma empresa não identificada por razões de segurança, localizada na Região Metropolitana. Além de agentes da Polícia Civil, a queima dos entorpecentes contou ainda com a atuação da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Vigilância Sanitária.
Superação
O Denarc registrou 568 quilos de drogas apreendidas entre janeiro e setembro deste ano. Também foram contabilizados 128 quilos de crack e 3,5 toneladas de maconha. No mesmo período de 2021, foram apreendidos 425 quilos de cocaína, 44 quilos de crack e 3,2 toneladas de maconha.
Seguindo esta métrica, as apreensões do ano de 2022 irão superar as do ano passado. Um exemplo é a quantidade de cocaína apreendida até o nono mês deste ano que equivale à quantia encontrada em todo o ano passado pelo Departamento. Já em relação ao crack e à maconha, as apreensões deste ano já ultrapassaram tudo o que foi confiscado em 2021.
Drogas caras
Um cenário diferenciado chamou a atenção do Departamento: entorpecentes mais caros lideram o ranking de aumento de apreensões. Drogas como como ecstasy, LSD, MDMA e cocaína apresentaram crescimento nas quantidades confiscadas entre janeiro e julho deste ano.
Segundo a Polícia Civil, também foi notório o envolvimento de jovens de classe média na comercialização de drogas. Além disso, com a pandemia foi criada uma modalidade de tráfico: a telentrega. Isso tudo contribui para o inchaço do mercado de entorpecentes com valor mais elevado.
Outra droga que costuma ser consumida por quem possui maior poder aquisitivo é a ‘supermaconha’ que possui maior controle de qualidade, é produzida em estufas e é considerado superior pelos usuários. Sendo assim, o entorpecente tem o valor de comércio mais elevado. A Polícia já descobriu plantações no RS, porém a maior parte desse tipo de narcótico é proveniente do Uruguai.

