Caiboaté concentra maior número de ocorrências de abigeato em Uruguaiana

Os indicadores criminais divulgados mensalmente pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS) apontaram que, no mês de outubro, Uruguaiana teve um aumento no número de registros de abigeato na comparação com o mesmo período do ano passado. Foram dez ocorrências em 2022 contra sete em 2021, o que representa 42% de aumento.

Tais crimes estão aos cuidados da Delegacia Especializada na Repressão aos Crimes Rurais e de Abigeato (Decrab), instalada em Alegrete. Para o delegado responsável, Daniel Severo, há uma discrepância entre este dado isolado e a realidade. Conforme ele, o Estado vivencia nos últimos seis anos uma queda em relação aos abigeatos. “A comparação mês a mês não é uma boa representação do cenário de crimes rurais, uma vez que em um período tenha mais registros e em outro menos. Intervalos maiores de análise nos dão mais segurança e a direção da tendência. Um apanhado de 12 meses mostra isso”, argumenta o policial.

Na análise do acumulado do ano, que também é medida pela SSP, 2022 registrou queda de 6%. Foram 59 ocorrências de abigeato neste ano enquanto em 2021 foram 63 ocorrências entre janeiro e outubro.

Em nível de Estado, o levantamento mensal aponta queda neste tipo de crime, de 12,3%. Enquanto outubro de 2021 registrou 415 ocorrências, outubro de 2022 registrou 364. No acumulado do ano teve retração de 13%, passando de 4 530 registradas entre janeiro e outubro de 2021 e 3 941 ocorrências neste ano.

Campeã de crimes

Atualmente, conforme o Delegado, a região de Uruguaiana que concentra a maior incidência de casos é a da localidade de Caiboaté. Porém, conforme ele, isso muda constantemente. Ele diz que “os criminosos estão em busca de oportunidade”. “Eles atuam onde sabem que tem pouco ou nenhum monitoramento, onde têm um comparsa com informações ou se possuem uma área para esfriar o gado furtado”, explica.

Severo acredita que o Estado fechará o ano com um número bastante significativo. “Pela primeira vez na história, teremos menos de cinco mil registros de ocorrência no Estado todo, o que corresponde à metade do que era há menos de dez anos”, diz ele.

A definição de abigeato, segundo Severo, é o furto de semoventes: bovinos, ovinos, equinos, suínos, entre outros. Na Fronteira Oeste, bovinos e ovinos são os mais numerosos. Em outubro, por exemplo, ele relata que o número de ovinos furtados foi superior ao de bovinos na região.

Aumento de registros

O Delegado informa que os registros aumentam, mas que essa é uma métrica positiva, pois sem a informação não é possível atuar. Com as denúncias, a polícia pode mapear as áreas, planejar ações, solicitar aumento de efetivo, viaturas, drones, cota de combustível e efetuar demais ações. Além disso, é preciso considerar que a subnotificação de casos – o fato de o produtor perceber o furto, mas não registrar ocorrência. “Provavelmente a subnotificação era bem maior em 2016 do que agora”. Naquele ano foram registrados mais de dez mil ocorrências.

Segundo o Titular da Decrab, o abigeato já é um crime com poucos ou nenhum vestígio. Se a polícia toma conhecimento cerca de um mês após a última contagem, a investigação fica comprometida. Para efetuar a denúncia, o proprietário pode se dirigir à Delegacia ou fazer o registro on-line, no site da Polícia Civil do Rio Grande do Sul.

Para o Delegado, há um aumento nos crimes de abigeato em época de fim de ano. Ele alerta para os cuidados que produtores precisam ter durante o início do ano uma vez que o mês de janeiro é caracterizado pelo uso massivo de defensivos agrícolas e, por isso, os estoques dos produtores estão altos. “São produtos de alto valor e devem ser acondicionados com segurança. Não é raro vermos estoques de centenas de milhares de reais em galpões de madeira simples, sem sequer um cadeado. Janeiro é o mês com maior incidência de furto de defensivos”.

Ele conta que os produtores mais atentos mantêm monitoramento eletrônico de propriedades e corredores. “Como qualquer empreendimento empresarial, a produção agrícola também deve se preocupar com a segurança e com o monitoramento. A experiência mostra que onde tem monitoramento, os casos são raros. Os produtores devem manter uma contagem mais frequente do gado e manter as cercas e porteiras em bom estado”.

Atuação

O Delegado informa que o policiamento ostensivo é realizado pela Brigada Militar e a Polícia Civil efetua a investigação. Devido ao compartilhamento de dados com as demais forças de segurança é possível orientar a atuação das patrulhas rural e ambiental.

Apesar da divisão de tarefas, ele relata que o titular da 2ª Delegacia de Polícia (2ªDP), delegado Wellington Pinheiro realiza ações para coibir esse tipo de crime na região de Uruguaiana. Já Alegrete conta com duas operações permanentes de patrulhamento diurno e noturno envolvendo quatro agentes e o Delegado para a área.