A Brigada Militar do Rio Grande do Sul anunciou a ampliação do uso de câmeras corporais para cidades do interior. A previsão da corporação é que a nova etapa do projeto tenha início ao longo de 2026, alcançando cidades com maior volume de ocorrências policiais, entre elas, Uruguaiana.
Segundo a Brigada Militar, a distribuição das câmeras será feita de forma proporcional ao efetivo de cada cidade. A intenção é garantir que todo policial escalado para o serviço ostensivo nas unidades contempladas atue obrigatoriamente com o equipamento, reforçando a transparência das abordagens e a segurança tanto dos agentes quanto da população.
Ao todo, estão previstas 1 745 câmeras corporais, cuja contratação está em fase administrativa, seguindo as normas da Lei de Licitações. Ainda não há uma data exata para o início do uso no Interior, mas a expectativa é que o processo avance ao longo deste ano, com a implantação prática ocorrendo em 2026.
Nem todo policial da Brigada Militar utilizará o equipamento neste primeiro momento. As câmeras serão destinadas aos profissionais que estiverem de serviço nas unidades inseridas no projeto, especialmente em regiões com maior número de atendimentos, abordagens e situações de confronto.
De acordo com a corporação, a escolha das cidades levou em conta critérios técnicos, como o tamanho da população, municípios com mais de 100 mil habitantes e a demanda operacional registrada em cada região.
Atualmente, os equipamentos são utilizados apenas em municípios da Região Metropolitana. Com a ampliação, Uruguaiana passa a integrar a lista de localidades que receberão os dispositivos, ao lado de Bagé, Bento Gonçalves, Canoas, Caxias do Sul, Erechim, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Leopoldo e Sapucaia do Sul.
Investimento
O investimento para viabilizar a iniciativa é de R$24,1 milhões, recurso proveniente de um convênio firmado entre o governo do Estado e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, assinado em dezembro de 2025.
Além da aquisição dos equipamentos, o projeto envolve uma estrutura mais ampla. O custo mensal por câmera é estimado em R$589, o que representa um investimento anual de aproximadamente R$8,8 milhões. Esse valor inclui serviços como conectividade, armazenamento seguro das imagens, suporte técnico, gestão dos dados, treinamento dos policiais e governança do sistema.
A Brigada Militar ressalta que a adoção das câmeras depende da sustentabilidade financeira do projeto. Em cenários de restrição orçamentária, a prioridade continua sendo a manutenção dos equipamentos de proteção individual dos policiais.
As câmeras corporais serão acopladas ao uniforme dos policiais e possuem autonomia de bateria superior a 12 horas, permitindo o uso durante todo o turno de trabalho. Os dispositivos contam com visor LCD, amplo campo de visão e resolução em alta definição, garantindo o registro detalhado das ações.
Durante o patrulhamento rotineiro, a gravação ocorre de forma contínua, em baixa resolução e sem captação de áudio. Em situações de ocorrência, o policial pode acionar o equipamento para registrar imagens em alta qualidade e com som. As cenas também podem ser acompanhadas em tempo real por centrais de monitoramento.
As imagens armazenadas poderão ser utilizadas para apuração de condutas, análise de procedimentos operacionais e esclarecimento de eventuais denúncias, contribuindo para a transparência e a legitimidade da atuação policial.
A adoção das câmeras corporais representa um passo importante para tornar as ações da Brigada Militar mais transparentes. Os equipamentos permitem o registro das abordagens, de eventuais confrontos e de casos de violência, funcionando como ferramenta de controle, prova e proteção mútua, para policiais e cidadãos.

