Caravana da Alegria transforma ônibus urbanos em palco cultural 
 Intervenções artísticas transformaram ônibus urbanos em palcos móveis durante o primeiro dia de circulação da Caravana da Alegria.  Créditos: Douglas Pereira 

A Caravana da Alegria iniciou, nesta quarta-feira, 28/1, sua circulação pelos ônibus urbanos de Uruguaiana, levando intervenções artísticas surpresa ao transporte coletivo e transformando trajetos cotidianos em experiências culturais. A ação segue até quinta-feira, 29/1, último dia do projeto. No primeiro dia, a equipe percorreu três linhas que cruzaram bairros como Cohab 2, Ipiranga, Profilurb, Vila Júlia, União das Vilas e Cidade Alegria, alcançando públicos de diferentes regiões da cidade. 

Segundo Douglas Pereira, diretor da Companhia Clandestino e responsável pela coordenação da Caravana, a proposta foi pensada de forma itinerante para ampliar o alcance territorial. “Embarcamos em uma linha até determinado bairro e, a partir dali, seguimos para outra linha, ampliando o alcance da ação”, explicou. Cada intervenção teve duração média de 20 a 25 minutos dentro dos veículos, tempo que acompanha o próprio fluxo do transporte. “Em cerca de 20 minutos, o público do ônibus se renova quase completamente.” 

Ônibus se tornam palcos na Caravana da Alegria.

 Reação
 O primeiro contato com a arte dentro dos ônibus nem sempre foi imediato. Douglas relata que houve momentos iniciais de estranhamento, algo que considera natural. “Quando a arte surge de forma inesperada no cotidiano, isso causa surpresa. Mas não houve rejeição. Assim que as pessoas compreendiam a proposta, a resposta era imediata, com sorrisos, curiosidade, participação das crianças, atenção dos idosos e muitos elogios”, afirmou. 

A receptividade também variou conforme horário e região. No início da manhã, por volta das 8h, o envolvimento foi mais contido, já que os passageiros estavam focados em chegar ao trabalho. Em outros horários, a troca foi mais intensa, com maior interação direta entre artistas e público, criando momentos espontâneos que integraram cada apresentação.  

Cada apresentação dura cerca de 20 a 25 minutos, adaptando-se ao fluxo do transporte.

Palco  

Para Douglas, a força do projeto está em deslocar a arte dos espaços tradicionais. “Quando a arte entra no ônibus, ela rompe a lógica de esperar que o público vá até o teatro. O ônibus vira palco, o trajeto vira cena e o cotidiano se transforma em experiência artística”, disse. Esse formato reforça a ideia de que cultura não é exceção, mas direito, ao se inserir na vida das pessoas. 

A proposta também dialoga com o perfil do público atingido. “Esse formato alcança pessoas que normalmente não teriam acesso a atividades culturais. A Caravana nasce da missão da Companhia Clandestino de levar arte para qualquer parte e para todas as pessoas, independentemente do bairro, da classe social ou da rotina”, destacou o diretor.  

O projeto leva teatro, poesia e música para trajetos cotidianos, alcançando diferentes públicos da cidade e criando experiências artísticas inesperadas.

Criação 
A Caravana reuniu artistas de diferentes linguagens, integrando teatro, poesia e música em uma dramaturgia pensada especificamente para o espaço público. O repertório incluiu poemas de Mário Quintana, Cecília Meireles e Bráulio Bessa, além de músicas do cancioneiro popular brasileiro. Para os artistas, o principal desafio foi atuar em um ambiente em constante movimento. “Curvas, paradas, fluxo de pessoas e mudanças rápidas de público exigem adaptação o tempo todo”, explicou Douglas. 

O projeto é realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), por meio da Prefeitura Municipal de Uruguaiana, do Ministério da Cultura e do Governo Federal. Douglas revela que a iniciativa já existia antes do financiamento. “Era um projeto que nós já tínhamos, já íamos fazer, sendo contemplado ou não, mas saiu o edital, a gente inscreveu e conseguiu um auxílio financeiro para contratar músicos e estar com eles nessa circulação”, contou.  

Cada apresentação dura cerca de 20 a 25 minutos, adaptando-se ao fluxo do transporte.

Último dia 
No último dia de circulação, quinta-feira, 29/1, a Caravana concentra suas ações no período da manhã. “Amanhã a gente começa a partir das 9h15. Vamos aliviar porque hoje pegamos horário de pico. Logo cedo, o pessoal vem com aquela ansiedade de ir ao trabalho, então fica mais apertado”, explicou Douglas. Mesmo assim, o primeiro dia superou as expectativas. “Tirando a primeira linha, que foi em horário de pico, as outras foram muito bem. Ônibus cheios em todos os horários, todos receptivos, o pessoal cantava junto. Foi muito bom”, completou.