A transferência de atos do Poder Judiciário para os cartórios extrajudiciais gerou uma economia superior a R$ 82 milhões aos cofres públicos do Rio Grande do Sul em 2025 e contribuiu para reduzir a sobrecarga da Justiça. Os dados fazem parte da 7ª edição da revista Cartório em Números (2025), lançada, quarta-feira, 28/1, pela Associação dos Notários e Registradores do Estado do Rio Grande do Sul (Anoreg/RS).
A publicação reúne dados sobre a atuação dos cartórios e apresenta um retrato estatístico do estado com base em registros oficiais. O material traz informações sobre extrajudicialização, registros de nascimentos, casamentos, óbitos, divórcios, compra e venda de imóveis, geração de empregos, avanços tecnológicos e indicadores sociais e econômicos, além de dados sobre os principais atos da vida civil e patrimonial da população em 2025.
Os efeitos da extrajudicialização também aparecem no Poder Judiciário. De acordo com dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o país encerrou 2025 com 75 milhões de processos pendentes, o menor volume dos últimos seis anos. O número é inferior ao registrado no fim de 2024, quando o estoque era de pouco mais de 79 milhões de ações em tramitação.
A publicação aponta que a redução está relacionada à transferência de procedimentos para os cartórios. “Cartório em Números” apresenta dados sobre a produção de informações oficiais e o papel dos serviços notariais e registrais na formalização de atos civis e patrimoniais, além da relação desses serviços com o funcionamento do sistema de Justiça.
Procedimentos ligados à vida do cidadão mostram os impactos da mudança. Em 2025, 5.982 divórcios consensuais foram realizados por escritura pública nos Cartórios de Notas, com prazo médio de um dia. O modelo, que substitui a via judicial, gerou uma economia superior a R$ 14.175.724,86 aos cofres públicos.
Os inventários extrajudiciais seguiram a mesma dinâmica. Em 2025, foram realizados 25.892 procedimentos em cartório, com economia estimada em R$ 61.357.049,16. A alternativa administrativa reduz prazos em relação ao processo judicial e garante segurança jurídica aos herdeiros.
Outro serviço é o reconhecimento de paternidade, que desde 2012 pode ser feito diretamente no Cartório de Registro Civil. Em 2025, foram registrados 2.952 atos desse tipo, o que evitou a judicialização dos casos e gerou economia de R$ 6.995.442,96 ao estado.
Imóveis, crédito e recuperação de recursos públicos
Na área imobiliária, atos como usucapião, adjudicação compulsória, retificação de área e regularização fundiária passaram a ser realizados nos Cartórios de Registro de Imóveis. A mudança reduziu prazos de anos para meses e, nos casos de interesse social, garante gratuidade.
Atos da vida do gaúcho
Os registros civis cresceram em 2025 em relação ao ano anterior. Foram contabilizados 119.194 nascimentos, frente a 114.283 em 2024. O número de casamentos passou de 36.806 para 39.537. Os óbitos somaram 99.404, contra 102.212 no ano anterior.
Com mais de 200 páginas, a 7ª edição da revista reúne dados estatísticos sobre os serviços extrajudiciais no estado e informações sobre sua relação com o sistema de Justiça.

