Os indicadores criminais relacionados à violência contra a mulher em Uruguaiana, referentes ao mês de dezembro de 2025, acendem um sinal de alerta. Dados consolidados pela Secretaria de Segurança Pública (SSP) revelam um agravamento do cenário quando comparado ao mesmo período de 2024, com destaque negativo para os crimes de estupro, que tiveram aumento expressivo.
Assim como já havia ocorrido em novembro, o último mês do ano manteve uma trajetória preocupante. Em dezembro de 2024, o município havia contabilizado apenas um registro de estupro. Já em dezembro de 2025, o número saltou para quatro ocorrências, representando um crescimento de 300%. O dado coloca o crime como o indicador mais crítico do período analisado.
Outro ponto sensível foi o registro de feminicídio tentado. Enquanto em dezembro de 2024 não houve nenhuma notificação desse tipo, no mesmo mês de 2025 um caso foi oficialmente contabilizado, evidenciando o avanço da violência letal contra mulheres na cidade.
Os crimes de ameaça também apresentaram elevação. Foram 28 registros em dezembro de 2025, contra 23 no ano anterior, o que representa um aumento de aproximadamente 22%. A lesão corporal foi o único indicador que apresentou retração no comparativo anual: caiu de 27 ocorrências em 2024 para 23 em 2025, uma redução de 14,8%.
Já o feminicídio consumado não teve registros em Uruguaiana nos dois últimos anos, dado que, embora positivo, não diminui a gravidade do contexto geral observado nos demais indicadores.
Brasil vive realidade constante
O país encerrou 2025 com o maior número de feminicídios da série histórica, segundo balanço do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), mesmo com dados de dezembro ainda incompletos em alguns estados.
Foram contabilizados 1.470 feminicídios ao longo do ano, uma média de quatro mulheres assassinadas por dia, superando o recorde anterior, de 1.464 casos em 2024. Estados como São Paulo (233 casos), Minas Gerais (139) e Rio de Janeiro (104) lideram o ranking. O Rio Grande do Sul aparece na sétima posição, com 80 vítimas em 2025.
Criada em 2015, a tipificação do feminicídio teve um crescimento de 316% em uma década, saltando de 535 casos naquele ano para 1.470 em 2025. Além disso, o país registrou 3.702 tentativas de feminicídio no mesmo período, o equivalente a dez ocorrências por dia.
Mesmo com o endurecimento da legislação, que transformou o feminicídio em crime autônomo e elevou a pena máxima para 40 anos, os números demonstram que a violência segue avançando.
Subnotificação
A subnotificação continua sendo um dos maiores entraves no enfrentamento da violência de gênero. Muitas vítimas deixam de procurar ajuda ou registrar ocorrência por medo de represálias, vergonha, dependência emocional ou financeira, além de barreiras no acesso aos serviços de proteção.
Esse cenário faz com que os dados oficiais não refletem, de forma plena, a real dimensão da violência sofrida por mulheres, especialmente nos casos de agressões psicológicas, morais ou digitais, que costumam ser menos denunciadas.
Canais de denúncia e orientação
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, da Central de Atendimento à Mulher, para situações não emergenciais. Em casos de risco imediato ou flagrante, a orientação é acionar o 190, da Brigada Militar. Também é possível registrar ocorrência na Delegacia da Mulher, em qualquer delegacia da Polícia Civil ou pelos canais digitais da instituição.
É fundamental lembrar que a violência não se limita à agressão física. Controle financeiro, isolamento social, humilhações, ameaças, monitoramento por aplicativos e invasão de privacidade digital também configuram formas de abuso.
Reconhecer esses sinais e denunciar é um passo essencial para interromper o ciclo da violência e garantir proteção às vítimas.


