Cientistas descobrem subtipo de depressão que afeta 27% dos pacientes

Em novo estudo publicado na Jama Network Open, pesquisadores identificaram um novo subtipo de depressão que pode afetar cerca de 27% dos pacientes. O novo quadro é marcado por déficits cognitivos de atenção, memória e autocontrole, sintomas que escapam de muitos antidepressivos (principalmente aqueles que se concentram na serotonina). 

Com isso, as descobertas ajudam a explicar por que os tratamentos medicamentosos mais populares para a depressão nem sempre são eficazes. Para chegar a essa informação, o grupo analisou 700 adultos. Dentre os pacientes diagnosticados com depressão, 27% tiveram pior desempenho em tarefas cognitivas. Coincidentemente, essa mesma parcela teve uma resposta pior aos tratamentos com antidepressivos. 

Os participantes foram avaliados clinicamente e realizaram testes de memória verbal, memória de trabalho, velocidade de decisão e atenção. Segundo o artigo, os pacientes com transtorno depressivo maior com processamento de informações mais lento, problemas de sono piores e inibição de resposta mais fraca tenderam a mostrar ativação reduzida no córtex pré-frontal e no córtex cerebral. 

De acordo com os pesquisadores, essas partes do cérebro estão altamente envolvidas em funções executivas, como planejamento futuro e cumprimento de metas, por exemplo. 

A equipe observa que, embora tenham descartado certos distúrbios e fatores que podem afetar o comprometimento cognitivo, pode haver outros fatores comportamentais ou neurobiológicos que contribuem para esse sintoma cognitivo, e devemos ser cautelosos ao generalizar as descobertas. 

“Começamos com medicamentos que têm o mesmo mecanismo de ação para todos com depressão, embora a depressão seja bastante heterogênea. Acho que este estudo pode ajudar a mudar isso”, apontam os autores.