Círculo de Construção de Paz marca os 25 anos

No local, além do atendimento psicológico, os jovens participam de oficinas de artesanato e frequentam a escola 

No dia 20 de dezembro, para marcar os 25 anos do Centro de Atendimento Socioeducativo (Case) de Uruguaiana foram realizadas atividades especiais envolvendo os jovens assistidos pela instituição. O Círculo de Construção de Paz levou mensagens de transformação, orientou os jovens e construí laços para a criação de uma rede apoio. O trabalho que é realizado em outras casas pertences a Fundação de Atendimento Socieducativo (Fase) promove a reflexão entre os socioeducandos e os servidores. “Os Círculos de Construção de Paz são ferramentas de fortalecimento das relações, permitindo tanto a realização do trabalho de forma preventiva quanto em situações de conflito já instalado”, explica a assistente social do Núcleo de Provimento e Relações de Trabalho (NPRT), Márcia Pinto. “Ao participarem dos círculos, os servidores desenvolvem um olhar mais atento e cuidadoso, aproximando-se uns dos outros através do diálogo e do compartilhamento de experiências.” A Case possui 14 internos, dois deles vindos de Porto Alegre.  

No local, além do atendimento psicológico, os jovens participam de oficinas de artesanato e frequentam a escola estadual de ensino fundamental e médio Dolores Cunha. A entidade tem como diretor o senhor Sérgio Garcia.  

 

Há 18 anos, a Fundação adota procedimentos restaurativos, por meio dos Círculos em todos os seus espaços no Rio Grande do Sul. Entre os anos de 2022 e 2023, foram realizadas mais de 200 atividades fundamentadas nesses princípios e valores, e a metodologia tem resultado na qualificação do atendimento, garantindo um acolhimento mais humanizado aos adolescentes e promovendo um ambiente de trabalho melhor nas unidades da instituição. O trabalho abrange servidores, socioeducandos e as famílias dos jovens.  

As práticas restaurativas (ou procedimentos restaurativos) são métodos alternativos à justiça tradicional para solucionar desavenças. Buscam o estabelecimento de um processo colaborativo entre as partes interessadas na decisão de como reparar o dano causado por uma transgressão. 

 

Na Fase, o uso da Justiça Restaurativa teve início em 2005, e a execução das ações se apoia na Comunicação Não Violenta (CNV) e de Construção de Paz. A iniciativa funciona em parceria com o Tribunal de Justiça, o Juizado da Infância e da Juventude de Porto Alegre (JIJ) e o Programa de Justiça para o Século 21. “Foram instituídas novas perspectivas ao atendimento socioeducativo, de forma especial no atendimento aos adolescentes, com os Círculos Familiares e os Círculos de Compromisso, inserindo um fazer institucional fundamentado em princípios e valores da Justiça Restaurativa”, pontua a especialista em Justiça Restaurativa e responsável pela Coordenação de Formação Permanente da Fase (CFP), Lúcia Capitão.