South Summit Brazil 2026: o avanço tecnológico no agronegócio e na inteligência artificial e seus impactos sobre os pequenos agricultores
Colunista Cátia Liczbinski. Foto: Arquivo JC.

Enquanto o Brasil se projeta como potência tecnológica e agrícola, milhões seguem excluídos do acesso à inovação, revelando que o futuro, no país, ainda é seletivo.

Está sendo realizado em Porto Alegre, nos dias 25, 26,e 27 de março o South Summit Brazil 2026, que busca refletir, buscar soluções em relação ao avanço da inteligência artificial e seus impactos na sociedade. Um dos temas centrais será a questão do agronegócio e a utilização de tecnologias.

Na atualidade cresce muito a utilização da inteligência artificial, que pode ser considerada uma forma de poder, de domínio. No Brasil, cerca de um terço da população já utiliza algum tipo de ferramenta de IA, mas esse acesso está longe de ser igual, pois ele se concentra nas camadas mais ricas e mais escolarizadas. No entanto, milhões ainda enfrentam dificuldades básicas de acesso à internet, à educação digital e às condições mínimas para participar desse novo cenário.

Nesse sentido, a desigualdade não começa na inteligência artificial, mas é anterior a ela. E é justamente por isso que a tecnologia não corrige distorções: ela pode ampliá-las. Sistemas são alimentados por dados, e dados carregam a marca das desigualdades históricas. O resultado é previsível, ou seja, são exclusões antigas ganham novas formas, agora mediadas por algoritmos.

No debate desse evento está o agronegócio brasileiro, ou o chamado, agro é tech, por ser um o setor que tem incorporado rapidamente tecnologias de inteligência artificial, ampliando produtividade e competitividade no mercado global, com a utilização de sensores, automação, análise de dados e decisões baseadas em algoritmos. Uma modernização que não é para todos, mas por enquanto para os grandes produtores.

Os pequenos agricultores, especialmente os ligados à agricultura familiar, continuam enfrentando dificuldades de acesso a crédito, tecnologia e conectividade. A desigualdade no campo, que já era histórica, passa agora a ter uma nova camada: a desigualdade digital. O resultado é um modelo que se moderniza, mas não se democratiza.

Importante ressaltar que, a incorporação de tecnologia no campo exige qualificação técnica que grande parte da população que ainda não tem a possibilidade desse conhecimento e ou aprendizado. Sem políticas públicas efetivas, a inovação pode gerar crescimento econômico, mas também aprofundar exclusões.

Para a ONU, no mundo o cenário não é muito diferente, bilhões de pessoas ainda estão fora do ambiente digital, enquanto a produção e o controle das tecnologias mais avançadas permanecem concentrados em poucos países e grandes empresas. A inteligência artificial se torna mais um instrumento de poder e não necessariamente de inclusão.

Diante disso, discutir inovação em 2026 exige mais do que entusiasmo. Exige responsabilidade. Os avanços tecnológicos são importantes para o agronegócio e para a economia brasileira, no entanto o desenvolvimento sem inclusão não é progresso, mas a continuidade de desigualdades por outros meios.

Portanto a ideia do South Summit Brazil 2026, ao apresentar e destacar os avanços tecnológicos como  a Inteligência Artificial é auxiliar e pensar o futuro da sociedade nos vários setores, sendo um, o agronegócio, especialmente os pequenos agricultores, a economia familiar, para que todos tenham as mesmas oportunidades de conhecimento, tentando diminuir as desigualdades.