Com a proximidade do início do ano letivo em Uruguaiana, marcado para os dias 18 e 19 de fevereiro, o comércio local já sente os primeiros reflexos da volta às aulas. Papelarias, lojas de artigos educacionais e variedades ajustam estoques e estratégias para atender a uma demanda que tradicionalmente se intensifica nas semanas que antecedem o retorno dos estudantes às salas de aula.
De modo geral, o setor trabalha com expectativa positiva para 2026. A projeção é de incremento nas vendas em relação ao ano anterior, impulsionado não apenas pela reposição de materiais obrigatórios, mas também pela busca por itens diferenciados, personalizados e alinhados às tendências do público infantil e adolescente. O gasto médio por estudante deve variar conforme a lista exigida por cada escola e as marcas escolhidas, mas os comerciantes estimam valores intermediários, especialmente no ensino fundamental.
O CIDADE buscou junto a papelarias tradicionais um panorama sobre a movimentação do setor para entender como está a movimentação. Na ‘Mil Delícias Papelaria’, a procura ainda é cautelosa, com muitos pais solicitando orçamentos antes de finalizar as compras, em uma tentativa de comparar preços e adequar o orçamento familiar. De acordo com a loja, a estimativa média de investimento por filho gira em torno de R$250, e o período de maior fluxo costuma ocorrer na semana imediatamente anterior ao início das aulas. A Papelaria relata que o planejamento para esse período começa meses antes, com reforço significativo no estoque.
Na Papelaria ‘Decimal’, a avaliação é semelhante. O valor final das compras depende diretamente da quantidade de itens solicitados e da escolha entre marcas mais acessíveis ou linhas premium. Segundo o estabelecimento, a maioria dos consumidores ainda deixa as aquisições para a última semana antes do início do ano letivo, embora também haja quem prefira comprar após o começo das aulas, quando é possível ajustar a lista conforme a rotina escolar. O reforço de estoque ocorre de forma gradual, e os meses de janeiro, fevereiro e início de março concentram o maior movimento.
Já na ‘Stop Outras Ideias – Papelaria e Variedades’, a expectativa é de que a procura aumente de forma mais consistente com a virada do mês e a proximidade efetiva do retorno às aulas. A estratégia adotada é de reposição conforme a venda, evitando grandes volumes parados e apostando na diversidade de produtos e na adaptação rápida às preferências do consumidor.
Para o presidente do Sindicato dos Lojistas de Uruguaiana (Sindilojas), Paulo Locatelli, a perspectiva para o período é positiva. Conforme avalia, a volta às aulas impulsiona não apenas as papelarias, mas também segmentos como calçados, mochilas e vestuário, consolidando-se como um dos momentos mais relevantes para o comércio local no início do ano.
Locatelli destaca ainda que o Calçadão concentra grande circulação de pais e filhos nesse período, o que acaba beneficiando outros estabelecimentos da região, como padarias, lojas de confecção e malharias responsáveis pela produção de uniformes escolares.
Opinião dos pais
Do ponto de vista das famílias, o planejamento é fundamental. A dona de casa Carlise Brondani, mãe de um adolescente do 9º ano do ensino fundamental em uma escola particular, relata que parte das compras é feita de forma híbrida, entre lojas físicas e plataformas digitais. Mochilas, por exemplo, costumam ser adquiridas pela internet, principalmente pela durabilidade exigida pelo peso dos livros e os preços mais em conta das lojas virtuais.
Já os cadernos e materiais básicos seguem sendo comprados no comércio local, onde, segundo ela, é possível encontrar boas opções e promoções, especialmente para quem pesquisa e compara preços. Carlise avalia que os itens mais caros geralmente estão associados à moda, personagens ou marcas específicas, e não necessariamente à funcionalidade. Para ela, é possível montar uma lista completa com valores mais acessíveis, desde que haja planejamento e flexibilidade na escolha.
A mãe destaca ainda que muitas escolas mantêm parcerias informais com papelarias da cidade, facilitando a busca pelos itens exigidos nas listas, e reforça que a concorrência entre os estabelecimentos locais ajuda a equilibrar os preços.
Listas de materiais
A divulgação das listas de materiais escolares é um dos pontos que mais geram atenção entre as famílias no início do ano letivo. Em muitas escolas, especialmente da rede privada, as relações de itens são extensas e incluem desde materiais básicos até produtos específicos, alinhados às propostas pedagógicas adotadas em sala de aula. Esse cenário exige planejamento antecipado por parte dos responsáveis, que buscam equilibrar as exigências das instituições com o orçamento familiar.
Segundo Brondani, a escola do filho adota uma lista de materiais específica e detalhada. Por se tratar de uma instituição particular, algumas particularidades se destacam, como a exigência de cadernos de apenas uma matéria para cada disciplina, o uso de canetas azuis ou pretas conforme a aula e, ao longo do ano letivo, solicitações adicionais para atividades como fantasias, maquetes e trabalhos pedagógicos que demandam novos materiais. Para ela, esse é um aspecto que pode ser administrado pelas famílias, optando por marcas mais acessíveis e artigos escolares com melhor custo-benefício, já que a instituição não impõe valores nem marcas obrigatórias.
Especialistas e órgãos de proteção ao consumidor alertam que as listas devem se limitar a materiais de uso individual do estudante. Itens de limpeza, escritório ou de uso coletivo não podem ser repassados às famílias, conforme prevê a legislação. A recomendação é que os pais confiram atentamente cada item solicitado, questionem possíveis excessos e pesquisem preços antes da compra, lembrando que marcas, personagens e produtos ligados a tendências costumam elevar significativamente o custo final da lista.
Programas estaduais
Além do esforço das famílias, programas do Governo do Estado contribuem para amenizar os custos da volta às aulas na rede estadual. Entre eles está o Programa Todo Jovem na Escola, voltado a estudantes do Ensino Médio, que oferece auxílio financeiro mensal condicionado à frequência mínima, além de incentivos por desempenho e permanência.
Outra iniciativa é o Programa Pé no Futuro, destinado a alunos em situação de vulnerabilidade social inscritos no CadÚnico, que concede um cartão para a compra de tênis e meias. Já o Agiliza Educação garante recursos adicionais às escolas estaduais para melhorias na infraestrutura e aquisição de materiais pedagógicos.
Entre expectativas positivas do comércio, cautela no consumo e busca por alternativas mais acessíveis, a volta às aulas de 2026 movimenta Uruguaiana e reforça a importância do período tanto para os lojistas quanto para as famílias, que equilibram necessidade, orçamento e escolhas conscientes neste início de ano letivo.

