Natural de Uruguaiana, Bê aposta em uma sonoridade que mistura MPB, rock alternativo, soul music e influências da cultura fronteiriça créditos: arquivo pessoal.

O músico uruguaianense Bernard Rehermann, conhecido artisticamente como Bê, volta aos palcos de sua cidade natal no próximo sábado, 25/7, para celebrar um ano do lançamento do EP “Adeus meus Demônios”. O espetáculo será realizado no Luau no Bolicho, no pátio do restaurante Buena Vista, em Uruguaiana, com abertura da programação às 19h e apresentação do artista prevista para às 20h. Os ingressos custam R$ 20, e o show também marcará a gravação do primeiro DVD ao vivo do cantor, reunindo as cinco faixas do EP e canções inéditas que farão parte de seu próximo trabalho.

Quase um ano após apresentar seu álbum de estreia, o artista retorna ao palco considerado por ele o ponto de partida de sua trajetória autoral. A apresentação representa uma nova etapa da carreira do músico, que atualmente circula com seu trabalho pelo Rio Grande do Sul e aposta em novas composições para consolidar sua identidade artística.

Em entrevista ao CIDADE, Bê afirmou que o espetáculo representa um dos momentos mais importantes de sua carreira. “Esse evento vai ser o mais importante da minha vida, porque vou fazer um show totalmente autoral com banda completa, apresentar músicas inéditas e gravar meu primeiro DVD ao vivo.”

A escolha do Luau no Bolicho não aconteceu por acaso. Segundo o músico, o espaço teve papel decisivo em sua formação artística antes mesmo da graduação em Música Popular pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel).

Durante a conversa, ele lembrou que o local foi citado em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), que originou o EP Adeus meus Demônios, como exemplo da importância dos espaços de aprendizado informal para o desenvolvimento de artistas. “Foi ali que tudo começou para mim. No meu TCC falei muito sobre o Luau como um espaço de construção artística, uma escola sem método, onde o aprendizado acontece na convivência entre os músicos. Voltar para esse palco tem um significado muito grande.”

O espetáculo contará com a participação dos músicos Fabrício Menezes (guitarra), Elisson de Vargas (baixo) e Gustavo Sady (bateria). A gravação do DVD ficará a cargo de Rodrigo Lima e João Guerra, enquanto a captação de áudio será realizada por Cris Pizzolato. O álbum teve produção e orientação de Leandro Maia, cantor, compositor e professor da UFPel.

Novas sonoridades

Além das músicas já conhecidas pelo público, o show servirá como vitrine para composições inéditas que deverão integrar o segundo álbum do artista, cuja gravação está prevista para começar no próximo ano.

Segundo Bê, as novas canções apresentam uma identidade diferente da construída em Adeus meus Demônios, aproximando elementos da MPB, rock alternativo, soul music, R&B e hip hop, sem abandonar as influências que marcaram sua formação. “As músicas novas têm outra dinâmica. Continuam trazendo reflexões existenciais, muitas metáforas e uma escrita mais poética, mas musicalmente caminham para uma sonoridade mais grooveada, misturando soul, R&B, rock e MPB.”

Mesmo vivendo em Pelotas e ampliando sua atuação artística pelo Rio Grande do Sul, o cantor afirma que Uruguaiana continua sendo uma referência permanente em seu processo criativo.

Conforme explicou ao CIDADE, as influências da cultura fronteiriça permanecem presentes em suas composições, ainda que de forma mais sutil. “A música pode mudar, mas essa influência sempre vai estar no DNA das minhas canções. Sou quem sou porque nasci aqui, porque toquei no Luau e porque vivi essa cultura.”

Produção independente

Toda a realização do espetáculo acontece de forma independente. Bê conta que utilizou recursos próprios para viabilizar a gravação do DVD e destacou o apoio de profissionais e amigos que acreditam no projeto.

Hoje dedicado integralmente à música, o artista reconhece que o crescimento profissional ainda caminha ao lado dos desafios financeiros enfrentados por quem vive da produção autoral. “Estou conseguindo tocar em mais lugares e construir meu caminho, mas viver de música ainda exige muito esforço. O público é quem sustenta esse trabalho, por isso cada apresentação é importante.”

Ao analisar o cenário cultural de Uruguaiana, o cantor reconhece iniciativas que fortalecem a produção independente, mas acredita que ainda há espaço para ampliar o incentivo aos artistas locais.

Segundo ele, projetos como o Luau no Bolicho e outros eventos culturais mantêm viva a cena autoral, embora seja necessária uma política mais ampla de valorização da música produzida na cidade. “Uruguaiana sempre revelou grandes compositores. O desafio é criar continuidade, oferecer espaços e incentivar para que novos artistas consigam permanecer produzindo.”

Álbum nasceu como pesquisa acadêmica

Lançado em agosto de 2025, Adeus meus Demônios surgiu a partir do Trabalho de Conclusão de Curso de Bernard Rehermann na UFPel. A pesquisa investigou o processo criativo das canções e reuniu elementos das vivências pessoais, sociais e culturais do compositor.

Produzido no estúdio de produção fonográfica da universidade sob orientação de Leandro Maia, o EP apresenta letras marcadas por reflexões existenciais e metáforas, características que seguem presentes na nova fase artística do músico.

Natural de Uruguaiana, Bê é cantor, compositor e saxofonista. Além da graduação em Música Popular, acumula participações em festivais, apresentações em diferentes cidades do Estado e reconhecimentos como o prêmio de Melhor Letra no Festival Alegretense da Canção (FAC) de 2024.