São Borja sediou, neste fim de semana, mais uma edição do Concurso de Saltos João Manoel, promovido pelo 2º Regimento de Cavalaria Mecanizada (RC MEC). Competiram 59 cavaleiros e 65 montarias distribuídos em 76 conjuntos. Foram 6 categorias entre alturas de 0,60m a 1,20m.
A participação de civis e militares foi equilibrada. Dentre 30 militares, competiram os generais Luiz Cláudio Talavera de Azevedo, comandante da 1ª Brigada de Cavalaria Mecanizada e que já comandou o 8º Regimento de Cavalaria Mecanizada, e o general Sérgio Firmino da Silva Júnior, atual comandante da 2ª Brigada de Cavaria Mecanizada. Também competiram os comandantes do 8º RC Mec e da Coudelaria de Rincão, coronéis Luiz Eduardo Maciel Lopes e o uruguaianense Leandro Willemberg, além do coronel Saul. Uma única militar mulher participou do Concurso, a tenente Ana que serve no 1º RC Mec. Se entre os militares as mulheres pouco participam, entre os civis elas são majoritárias – foram 22 mulheres e apenas sete homens competindo.
Predominaram animais oriundos da Coudelaria de Rincão, única fazenda de criação de equinos do Exército e que fornece em torno de 200 animais por ano aos Regimentos de Cavalaria de Guarda, escolas militares, outras forças, inclusive estrangeiras, e à algumas polícias militares. Foram 17 animais sufixo “do Rincão”.
Duas entidades hípicas de Uruguaiana participaram do Concurso, o Círculo Militar de Uruguaiana (CMU), com nove conjuntos; e a Hípica Triumph, do professor de equitação Luís Sodré, com seis.
Apesar da grande produção da Coudelaria, tem chamado a atenção a pouca participação de militares nas competições, especialmente oficiais subalternos e sargentos, e a gritante ausência de capitães. A equitação, além de carregar a tradição da cavalaria brasileira arraigada na cultura gaúcha, prepara militares para atuação em regimentos hipomóveis, e trabalha valores indispensáveis à atividade militar, como a disciplina, a responsabilidade, o autocontrole, a coragem e a perseverança.
Resultado das provas

Das 36 medalhas em disputa, 35 foram distribuídas, e o Campo de Instrução Invernada Reiuna (CIIR), de Santiago, ficou com a liderança isolada com seis medalhas (três ouros, duas pratas, e um bronze). O destaque foi o sargento Bittencourt, que medalhou em quatro dos 12 eventos: ouro no 1,00m e 1,20m (2º dia), prata no 1,00m e 1,20m (1º dia) — esteve no pódio em todas as provas que disputou.
A Hípica Triumph ficou com a segunda posição com cinco medalhas, mas mantém dois ouros — destaque para Vinicius Silva (ouro e bronze) e Antonela Borin (ouro e bronze). Maria Clara Dalcastagnê conquistou uma prata no segundo dia. Na categoria 0,80m, Antonela largou em 7º no primeiro dia com Princesa da Triumph e subiu para 1º lugar no segundo dia — saltou de 16 para 23 pontos, garantindo o ouro com 39 pontos. Na categoria 0,90m, Vinicius foi o mais consistente: 1º no primeiro dia (21 pontos) e 3º no segundo dia (18 pontos), garantindo o ouro com 39 pontos — a maior pontuação absoluta do concurso entre as categorias AB.
A Coud é a grande surpresa: não medalhou no primeiro dia de disputa, mas no segundo dia foi a entidade mais medalhada com três pódios (dois ouros e uma prata) — graças a Lucy Olive (ouro), tenente Melantônio (prata) e Soldado Ortiz (ouro), todos na 1,10m e 0,60m.
O CHJO conquistou medalhas apenas em uma categoria (0,90m), mas em ambos os dias — Ana Valentina Ferrão Mathias foi prata no 1º dia (Mini) e prata no 2º dia (Pytuna), com montarias diferentes.
Saga Ce aparece em 5º lugar graças a uma performance dominante no 1º dia (3 medalhas, incluindo ouro e prata na mesma prova 0,80m com Valentina Goulart), mas não conquistou nenhuma medalha no 2º dia — a maior queda entre todas as entidades.
Pelo CMU, Maria Francisca Pons ganhou uma prata no segundo dia; e Sargento Emanuel um bronze e uma prata, no primeiro e segundo dias, respectivamente.
O total de 35 medalhas (em vez de 36) deve-se à categoria 1,20m AB no 2º dia, onde Sargento Jannotti foi eliminado (EL), restando apenas dois classificados.
Quadro de troféus
A CIIR é a entidade campeã do concurso, liderando em ouros (3) e em total de medalhas (6). Sua força esteve na regularidade entre os dois dias: obteve 3 medalhas no 1º dia e 3 no 2º dia, sendo a única entidade a manter performance idêntica nas duas jornadas.
No 1º dia, conquistou ouro com Aicha Hasna (0,60m) e pratas com Darlene de Quevedo Soares — ambas com montarias da SAGA CE, e prata com Sargento Bittencourt (1,00m e 1,20m). No segundo dia, Sargento Bittencourt inverteu as posições e conquistou 2 ouros (1,00m e 1,20m), enquanto Soldado Lorenson garantiu o bronze no 0,60m.
Sargento Bittencourt foi o grande nome: 4 medalhas em 4 provas (2 ouros + 2 pratas), com 100% de aproveitamento em pódios. A CIIR é uma entidade militar que demonstrou superioridade técnica nas categorias de altura mais elevada (1,00m e 1,20m).
A Hípica Triumph foi a única entidade civil no pódio geral. Sua força esteve na versatilidade de categorias: medalhou em 0,80m, 0,90m e 1,00m, abrangendo um espectro amplo de alturas. Teve ascensão do 1º para o 2º dia (2 para 3 medalhas).
Vinicius Silva foi o destaque com ouro no 0,90m (1º dia) e bronze no 1,00m (2º dia), montando animais diferentes. Antonela Borin também conquistou 2 medalhas — bronze no 1º dia e ouro no 2º dia, ambos na categoria 0,80m, com montarias distintas. A equipe foi a única em que todos os campeões individuais conquistaram pelo menos 2 medalhas.
O 1º RC MEC foi a entidade mais equilibrada em tipos de medalha: obteve ouro, prata e bronze, sendo a única entre as top 5 a conquistar todos os três tipos. Subtenente Ferne foi seu destaque com 3 medalhas (um ouro e dois bronzes), competindo em duas categorias diferentes.
A CHJM teve um padrão de performance descendente: 3 medalhas no 1º dia (incluindo dois ouros) e apenas 1 no 2º dia (bronze). No primeiro dia, Sargento Jannotti dominou as alturas maiores com ouros em 1,10m e 1,20m, mas no 2º dia não subiu ao pódio nenhuma vez — foi eliminado na prova 1,20m.
A entidade se destacou pelo foco em categorias técnicas (1,10m e 1,20m), mas não obteve nenhuma prata — um indicador de que, quando medalhava, era para vencer ou apenas complementar o pódio.
Saga Ce teve a melhor performance de um único dia entre todas as entidades: 4 medalhas no 1º dia (incluindo ouro e prata na mesma categoria 0,80m com Valentina Goulart montando dois animais diferentes), mas zero no 2º dia — a maior queda do concurso. Foi uma entidade de “fogos de artifício”: brilhou intensamente e desapareceu.
CHSJ teve performance consistente: medalhou nos dois dias (2 no 1º e 1 no 2º), sempre na categoria 1,00m. Bernardo Brum Marin foi sua principal arma, conquistando ouro no 1º dia e prata no 2º — sempre com a montaria Lancelot.
COUD fez o caminho inverso da Saga Ce: zero no 1º dia e 3 no 2º dia (dois ouros + uma prata). Teve o melhor aproveitamento em ouro do concurso (66% de suas medalhas foram ouro), mas sua irregularidade entre dias a colocou em 6º lugar. Foi a entidade que mais surpreendeu na segunda jornada.
CMU também medalhou nos dois dias, mas com uma peculiaridade: só conquistou pratas e bronzes, sem nenhum ouro. Sua presença no pódio foi difusa, espalhada em 3 categorias diferentes (0,80m, 0,90m e 1,20m), sem nunca vencer.
Análise da performance nos dois dias
O detalhamento por dia revela estratégias e trajetórias interessantes:
Viradas expressivas (classificação ruim no 1º dia → pódio na final):
Antonela Borin (0,80m) largou em 7º no primeiro dia com Princesa da Triumph e subiu para 1º lugar no segundo dia — saltou de 16 para 23 pontos, garantindo o ouro com 39 pontos.
Subtenente Ferne (0,90m) estava em 10º no 1º dia com Disposto e teve uma recuperação impressionante: 1º no 2º dia com 21 pontos, saltando para o bronze na final com 32 pontos.
Lucy Olive (1,10m AB) estava em 7º no 1º dia com apenas dois pontos e conquistou o 1º lugar no 2º dia com 9 pontos, garantindo o bronze na final.
Líderes que se mantiveram:
Vinicius Silva (0,90m) foi o mais consistente: 1º no primeiro dia (21 pontos) e 3º no segundo dia (18 pontos), garantindo o ouro com 39 pontos — a maior pontuação absoluta do concurso entre as categorias AB.
Sargento Bittencourt (1,00m AB e 1,20m AB) manteve regularidade: em ambas as categorias foi 2º no 1º dia e 1º no 2º dia, conquistando os dois ouros.
Líderes do 1º dia que perderam o pódio:
Aicha Hasna (0,60m) liderou o 1º dia com 16 pontos, mas caiu para 9º no 2º dia (7 pontos), terminando em 4º na final (23 pontos) — a 1 ponto do bronze.
Sargento Jannotti (1,10m AB) foi 1º no 1º dia com Agnes (nove pontos) mas caiu para 5º no segundo dia (quatro pontos), terminando em prata com 13 pontos — empatado em pontos com o ouro, perdendo no critério de desempate.
Bernardo Brum Marin (1,00m AB) foi 1º no primeiro dia (oito pontos), mas caiu para 2º no segundo dia (seis pontos), terminando em prata com os mesmos 14 pontos do ouro — também perdido no desempate.
Destaques do quadro de troféus:
A Hípica Triumph lidera em total de troféus: quatro, dois deles de ouro, e é a única entidade civil no topo — destaque para Antonela Borin e Vinicius Silva, responsáveis pelos quatro troféus.
A CIIR tem o melhor aproveitamento: 3 ouros em 3 pódios (100% de ouro), todos conquistados por militares — Sargento Bittencourt (dois ouros) e Soldado Lorenson (um ouro).
A separação por dia evidenciou que nenhuma entidade manteve a performance nos dois dias, com exceção da CIIR e do 1º RC MEC. As variações extremas — Saga Ce (4→0) e Coud (0→3) — sugerem que fatores como ordem de largada, condição dos animais e adaptação ao percurso foram determinantes para o resultado.
O concurso revelou um cenário de equilíbrio competitivo entre entidades militares e civis, com leve superioridade militar. A distribuição de medalhas entre 10 entidades diferentes mostra que não houve domínio absoluto de uma única equipe, embora a CIIR tenha se destacado como a mais consistente, mas a Hípica Triumph provou que entidades civis podem competir de igual para igual no alto rendimento.


