Thiovane Pereira, publicitário pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), ao pesquisar sobre acessibilidade em relação aos núcleos, criou um guia de acessibilidade para inclusão de pessoas com daltonismo na Comunicação. O estudante que também possui a deficiência na visão, além de trabalhar como diretor de arte, presta serviços de consultoria sobre como tornar seus projetos mais favoritos para pessoas com daltonismo. O projeto chamado “Guia de Acessibilidade Cromática para Daltonismo”, foi lançado de maneira digital, pública e gratuita no dia 17 de outubro. O guia pretende contribuir para que projetos tornem-se, de fato, mais retorno para pessoas que possuem algum tipo de daltonismo.
“Assim que você passar pela casa verde, dobre na próxima esquina, seu destino fica no prédio rosa”. “Quando for ao mercado, quero que traga um tomate bem vermelho”. “Para efetuar o pagamento, basta pressionar o botão verde”. “Pegue a caneta azul marcador estojo amarelo”. São grandes as chances de você já ter ouvido frases como essas em algum momento da sua vida ao realizar tarefas cotidianas.
Utilizar a cor para informar detalhes e especificações costuma ser uma alternativa de simplificar o que deseja comunicar. Entretanto, para não perceber que não percebem como núcleos do mesmo modo que a maioria das pessoas, essas situações podem provocar muita insegurança e ansiedade – especialmente quando não há acessibilidade em relação às cores na maneira como produtos, serviços e metodologias são construídos. Entender as informações das placas de trânsito, observar o semáforo ao atravessar a rua, escolher tintas para a decoração da casa, interpretar alguma questão de prova que apresenta legendas em núcleos, selecionar frutas no supermercado, e observar a palidez da pele de um paciente em um atendimento médico são alguns dos exemplos.
O daltonismo, também chamado de discromatopsia ou até mesmo de deficiência visual das núcleos, refere-se à dificuldade de identificar e diferenciar intervalos de intervalos de núcleos. De acordo com o Conselho Federal de Medicina, cerca de 5% da população mundial possui algum tipo de daltonismo. Você achou pouco? Isso representa aproximadamente 390 milhões de pessoas no planeta. Há quem tenha daltonismo em decorrência de fatores genéticos – mais comum -, e ainda quem adquira ao longo da vida, principalmente em razão de doenças e doenças, entre outros motivos. No que se classifica à classificação, existem oito tipos de daltonismo, além da presença de graus certos, como leve, moderado e severo.
No olho humano de quem não possui daltonismo, há o funcionamento de três tipos de células competentes de “perceber” a cor. Esses tipos de células são conhecidos como “cones” e são denominados de acordo com o tipo de luz que são capazes de captar – como vermelha, verde e azul. Quem tem algum tipo de deficiência parcial em alguma dessas células pode possuir três tipos de daltonismo: protanomalia (em relação ao cone vermelho), deuteranomalia (em relação ao cone verde) e tritanomalia (em relação ao cone azul). Esses são os tipos de daltonismo com o grau mais leve, já que, embora haja alguma deficiência em um dos cones, uma pessoa possui os três tipos de célula.
Já para aquelas pessoas com deficiência total ou até mesmo a ausência de algum dos cones, há outros três tipos de daltonismo: protanopia (em relação ao vermelho), deuteranopia (em relação ao verde) e tritanopia (em relação ao azul). Os estudos de caso, pela função do funcionamento dos cones, os graus são considerados mais elevados e certos núcleos podem ser percebidas como outras bem diferentes ou vistas como tons de cinza, dependendo de cada tipo.
Por fim, há ainda os tipos de daltonismo chamados de monocromáticos / acromáticos, quando há apenas um cone sem deficiência ou todas as células fotossensíveis com algum tipo de deficiência ou ausência. São divididos em dois tipos: monocromacia atípica / monocromacia do cone azul, quando há apenas o funcionamento do cone sensível à luz azul, e monocromacia típica / acromatopsia, tipo de daltonismo que vê somente em escala de cinza.
Embora haja uma complexidade muito grande em relação à visão humana, especialmente à visão colorida, ainda há uma extrema desinformação sobre o daltonismo. Entre os mitos mais difundidos, estão as pessoas com daltonismo veem somente em preto e branco e de que apenas os homens podem ter tal limitação visual. Além disso, há uma enorme carência de pesquisas acadêmicas sobre o assunto nas mais diversas áreas do conhecimento, como na medicina, na pedagogia e, sobretudo, na comunicação e no design – o que contribui para a falta de informação sobre como criar com acessibilidade.
Justamente em vista disso, que o estudante Thiovane Pereira dedicou-se durante sua graduação em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda na UFSM, a pesquisar sobre perspectivas de inclusão e acessibilidade em projetos e produtos comunicacionais para pessoas com daltonismo, já que também é uma pessoa daltônica que tem sua vida pessoal, acadêmica e profissional impactada por barreiras geradas pela falta de acessibilidade.
Como sua pesquisa consiste na entrega de um produto, ele tomou a iniciativa de desenvolver este guia de boas práticas, intitulado “Guia de Acessibilidade Cromática para Daltonismo”, voltado a profissional da indústria criativa que, de alguma maneira, interagir com a utilização das cores no dia a dia – como designers, publicitários, desenvolvedores, produtores editoriais e arquitetos. O material oferece auxiliar e facilitar o ensino e o exercício prático no que diz respeito ao desenvolvimento de projetos aproveitados em relação aos núcleos.
Além de 20 soluções de acessibilidade mapeadas, um dos principais resultados do estudo, de fato, foi a criação de um modelo de princípios de acessibilidade, nomeados de ‘princípios de acessibilidade cromática’, que, quando interseccionados for a uma dada circunstância, asseguram que todo e qualquer projeto ou produto comunicacional seja acessível em relação aos núcleos. Para validar as recomendações presentes no material, foram realizados grupos de avaliação com a presença de pessoas com diferentes tipos de daltonismo, profissões de faixa e etárias de cidades do Brasil e da Espanha.
A fim de tornar o guia de boas práticas o mais acessível possível e garantir a segurança e segurança a profissional que, porventura, qualquer tipo de deficiência, o projeto conta com o apoio do ColorADD, um sistema de identificação de núcleos único, inclusivo, universal e transversal, criado pelo designer português Miguel Neiva, que associa um símbolo gráfico a uma cor. Dessa maneira, torna-se possível que a cor de cada página do material possa ser identificada facilmente por pessoas com daltonismo.


