Família vai às ruas pedir justiça por Guilherme 
Manifestação reuniu familiares e amigos do jovem, que cobram a conclusão das investigações e responsabilização dos envolvidos Foto: Divulgação

Familiares, amigos e moradores da comunidade realizaram, na tarde de domingo, 25/1, um ato público em busca de esclarecimentos e responsabilização pela morte de Guilherme Moisés Oliveira de Jesus, de 26 anos, ocorrida após uma intervenção policial. A mobilização aconteceu em frente ao 6º Batalhão de Polícia de Choque (6º BPChoque), no bairro Rui Ramos. 

De acordo com a mãe do jovem, Sandra Helena Oliveira de Jesus, a manifestação ocorreu de forma pacífica, mas teve adesão abaixo do esperado. Segundo ela, muitas pessoas que demonstraram solidariedade preferiram não participar por receio de possíveis represálias. Ainda assim, familiares confeccionaram cartazes e camisetas com pedidos de justiça e permaneceram em frente à unidade policial exigindo respostas sobre as circunstâncias da morte de Guilherme. 

A família já articula uma nova mobilização. Conforme Sandra, diversas pessoas manifestaram interesse em participar por meio de um grupo de mensagens criado para organizar o protesto. Ela relata que, durante o ato, alguns apoiadores permaneceram à distância, observando, por medo da atuação da tropa de choque. A expectativa é de que uma nova manifestação reúna mais participantes. “Nada vai devolver o meu filho, mas eu vou lutar por justiça. Essa dor me acompanha para sempre”, desabafou a mãe. 

A morte 

Guilherme morreu na noite de 16 de janeiro, depois que policiais do 6º Batalhão de Polícia de Choque realizaram uma ação na casa onde o jovem morava com a mãe, na rua Marechal Floriano, no bairro Cabo Luiz Quevedo. As circunstâncias são questionadas pela família e, ainda naquela noite, três versões diferentes foram apresentadas pelos polícias envolvidos: a primeira de que Guilherme havia passado mal e os policiais foram chamados para socorrê-lo; a segunda de que ele estava na rua, em atitude suspeita, e fugiu ao perceber a viatura policial; e a terceira, de que estava no pátio de casa, aparentemente com uma arma na cintura, e correu para dentro de casa quando viu os policiais. 

Vizinhos, porém, relataram à família que o jovem estava dentro da casa quando dois policiais militares pularam o portão enquanto outros seis forçavam as grades para ingressar na casa. Na sequência, ouviram o rapaz pedir socorro e chamar pela mãe, que não estava em casa. 

Guilherme foi deixado pelos mesmos policiais, no Pronto Socorro Municipal, por volta de 22h, já sem vida, e com sinais de espancamento. O atentado de óbito aponta “causa indeterminada”, com indicação de morte violenta, aguardando a conclusão de exames periciais. 

Até o momento, oito integrantes do batalhão foram afastados preventivamente. 

 Batalhão de Choque 

Em nota oficial, o comandante em exercício do 6º BPChoque, capitão William Scramin, informou que os policiais realizavam patrulhamento tático quando visualizaram um homem em atitude suspeita, que teria desobedecido à ordem de parada e corrido para dentro de uma residência. Segundo a corporação, o indivíduo portava um objeto semelhante a uma arma de fogo e ofereceu resistência durante a abordagem, o que teria motivado o uso progressivo da força. A versão policial afirma ainda que Guilherme sofreu um mal súbito, perdeu a consciência, recebeu atendimento no local e foi encaminhado ao pronto-socorro. 

A Brigada Militar também informou que o jovem possuía antecedentes criminais e que, no local, foram apreendidos uma arma de fogo, três munições e uma substância com características semelhantes à cocaína. A nota destaca que os agentes envolvidos foram realocados preventivamente e que foi instaurada uma sindicância interna, além do encaminhamento da ocorrência às autoridades competentes. 

Investigação 

A 1ª Delegacia de Polícia de Uruguaiana (1ª DP) instaurou inquérito para apurar as circunstâncias da morte. Em nota, o delegado titular, Vinícius Seolin, informou que perícias já foram realizadas, diligências seguem em andamento e testemunhas ainda serão ouvidas. Segundo ele, todas as medidas legais estão sendo adotadas com prioridade e cautela para o esclarecimento dos fatos. O CIDADE tentou novo contato com a autoridade policial para atualização do andamento da investigação, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição.