A Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs) divulgou nesta segunda-feira, 17/8, o resultado de pesquisa com 442 prefeitos do Rio Grande do Sul sobre o retorno das aulas presenciais na rede pública e privada. Questionados se as aulas devem voltar conforme o calendário proposto pelo governo do Estado, 418 prefeitos, que representam 94% das respostas, declararam que não concordam com a retomada das aulas presenciais dia 31 de agosto, iniciando pela Educação Infantil.
A pesquisa também aponta que, para 38% dos gestores, o retorno das aulas deve ocorrer apenas a partir da vacina para imunização da covid-19. Outros 33% acreditam que as aulas só devam voltar com a diminuição de casos de coronavírus e 25% somente a partir de 2021.
A maioria dos prefeitos gaúchos também discorda que o retorno deva ser feito pela Educação Infantil. O levantamento aponta que 57% dos prefeitos entendem que o retorno deva iniciar pelo Ensino Superior; 16% pelo Ensino Médio e Técnico; 15% pelos anos finais do Ensino Fundamental; e 3% pelos anos iniciais. Apenas 6% concordam que o retorno das aulas comece pelos alunos de 0 a 5 anos. Os gestores também defendem que a educação pública e a privada devam voltar ao mesmo tempo (86%).
Como justificativa para a rejeição da proposta, os prefeitos elencaram como principais problemas para o retorno das aulas o risco de contaminação de alunos e servidores públicos (92%); o cumprimento dos protocolos de saúde no transporte escolar (53%); falta de professores e a impossibilidade de contratar servidores devido ao período eleitoral (44%); falta de equipamentos de proteção individual, os EPIs (32%); e elevado número de casos de covidd-19 no município (29%).
Com o resultado, a Famurs se reuniu ontem com os presidentes das associações regionais, para debater o posicionamento da entidade a respeito da proposta apresentada pelo Estado. O levantamento será apresentado ao Executivo nesta quarta-feira, 19/8, em reunião com o governador Eduardo Leite.
Uruguaiana e Barra do Quaraí
O município de Uruguaiana é um dos contrários ao retorno presencial apresentado pelo Governo do Estado. “Avaliamos várias questões para chegarmos a este entendimento, entre elas, a dificuldade do monitoramento das crianças, principalmente durante o transporte escolar, o número expressivo de profissionais da Educação enquadrados nos grupos de riscos e o elevado número de casos na cidade, inclusive com registros da covid entre as crianças”, ressalta a secretária de Educação, Maria Helena Bairros Machado. No levantamento mais recente, Uruguaiana tinha 11 crianças contaminadas pelo vírus desde o início da pandemia.
O prefeito da Barra do Quaraí, Iad Choli, considera inviável a volta às aulas neste momento, e citou a dificuldade para frear a contaminação pelo vírus. “Espero que o Governo do Estado não permita esse retorno. O risco que as crianças e adolescentes correm de se contaminar é muito alta. Sou solidário aos alunos, pais, professores, funcionários e todos aqueles envolvidos no processo educacional, e se depender de mim, não se abre escolas para aulas presenciais em Barra do Quaraí”, ponderou.


