Jornalista João Eichbaum fala sobre sua ‘ligação’ com Uruguaiana

O jornalista, advogado e escritor João Eichbaum, lançou no início da noite da última quarta-feira, 4/12, na 43ª Feira Internacional do Livro de Uruguaiana, sua sexta obra, o romance “DO AMOR, essa loucura incurável”, pela editora Age.

Colunista do CIDADE, Eichbaum publica semanalmente artigos na página 4 de terça-feira e sua participação na Feira do Livro foi uma homenagem aos seus leitores e ao uruguaianense Clarimundo Flores, fundador do jornal A Razão.

Em visita à nossa redação na manhã de quarta-feira, 4/12, o santa-mariense Eichbaum, contou fatos sobre seu início no jornalismo, e que o uruguaianense Flores foi um dos “responsáveis” pelo seu ingresso na profissão. Esta foi a segunda vez que o jornalista visitou Uruguaiana. A primeira vez também foi para lançar obra na Feira do Livro, há cerca de 25 anos.

De acordo com Eichbaum, Flores chegou a ter um jornal em Uruguaiana, mas não deu certo e se mudou para Santa Maria, onde fundou o periódico A Razão. “Ele era daqueles jornalistas natos, que nascem com a capacidade, com a virtude, com todos os pendores que levam para o jornalismo”, ressalta. “Naquela época não tinha escola de jornalismo. Era jornalista quem tinha coragem e sabia escrever. O Clarimundo Flores era desses”, recorda.

“Eu acho que a minha tendência por jornalismo nasceu graças ao Clarimundo Flores, cujo estilo me fascinava”.


“Antes do ‘A Razão’, ele fundou uns dois ou três jornais pequenos. Ele ficou com ‘A Razão’ por muito tempo e depois vendeu para os Diários Associados, que na época era uma empresa, mais ou menos, como a Globo de hoje. Eles tinham jornais, revistas e emissoras de rádio, porque naquele tempo não havia televisão”, explica.

Eichbaum conta que depois da venda, Flores estabeleceu um concorrente para o jornal A Razão, quase ao lado, com a fundação do jornal Diário do Estado, por volta de 1945. “Foi um jornal muito esperado em Santa Maria. Eu era criança naquele tempo, mas já tinha loucura por jornal”, conta entre risos.


“Queria que Uruguaiana soubesse e um dia prestasse homenagem a esse homem, que no meu entender, e no entender dos jornalistas mais antigos, foi um dos maiores jornalistas do Rio Grande do Sul”.

“Clarimundo Flores sabia escrever. O mais importante no talento dele era a ironia. A arte de ironizar, de tal forma, que ele conseguia ofender a pessoa sem que a pessoa pudesse fazer alguma coisa. Eu aprendi com o Clarimundo Flores isso”, completa.

Eichbaum disse que quando soube da Feira do Livro fez questão de vir lançar sua mais recente obra na terra de Clarimundo Flores. “Ele saiu de Uruguaiana para escrever em Santa Maria. Eu, como fã dele, estou fazendo o inverso: escrevo para Uruguaiana”, pontua.

Eichbaum é autor de mais cinco livros: os romances “Aos costumes disse nada” e “Esse circo chamado Justiça”; os ensaios “O Evangelho proibido” e “A Justiça no Banco dos Réus”; e o livro-reportagem “Costa Concórdia – Crônica de um naufrágio”.