Mais de 120 ocorrências foram registradas por mês

A Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher, coordenada pela delegada Caroline Huber, registrou 1.387 ocorrências de violência no ano de 2023 (de janeiro a 12 de dezembro), sendo 438 registros feitos diretamente pela Deam e 949 encaminhados por outros órgãos. Isso representa mais de 120 ocorrências de violência contra a mulher por mês. Os registros são diferenciados e envolvem todas as faixas etárias, desde mulheres na adolescência até as mais idosas. Os agressores, na maioria das vezes, são os seus companheiros e agem sob efeito de bebidas alcoólicas e drogas.  O número de registros apresenta volume maior aos finais de semana.  

Conforme a delegada Caroline Huber, neste mesmo período citado foram solicitadas 910 medidas protetivas pela Polícia Civil. Destas, 287 foram requeridas pela Deam e 623 pela Delegacia de Pronto Atendimento (DPPA) no momento do registro inicial.  

No ano de 2023, a Delegacia de Proteção à Mulher contabilizou 138 flagrantes e 57 prisões preventivas, ou seja, em média, 87 encaminhamentos feitos para a Penitenciária Estadual de Uruguaiana.  

Os dados da Deam mostram que 1.192 procedimentos foram remetidos ao Poder Judiciário. 

“É importante que a população faça a sua parte e denuncie os casos de violência contra a mulher. As denúncias podem ser feitas através dos números 197 (Polícia Civil), (55) 3411-1125 (Deam de Uruguaiana) e ainda pelo (51) 98444.0606, via WhatsApp da instituição”, disse ela.  

 

Feminicídios  

Quatro tentativas de feminicídio foram registradas em Uruguaiana em 2023 e um caso consumado. A morte de Kelly Moreira, de 36 anos, causou a indignação da comunidade à época e dúvidas sobre a eficácia da medida protetiva bem como solicitação tardia do procedimento de segurança. Kelly foi assassinada em 12 de fevereiro deste ano. Ela estava grávida e o bebê também não resistiu aos golpes de faca praticados pelo companheiro de Kelly.  

Horas antes do crime, Kelly e o suspeito haviam sido conduzidos pela Brigada Militar para a Delegacia de Pronto Atendimento, após ela ter sido vítima de violência doméstica. Depois de feito o registro, os dois foram liberados. De volta à casa onde vivia com os quatro filhos, no bairro Bella Vista, já na madrugada do dia 12, a mulher foi atacada pelas costas e não sobreviveu. O questionamento da família em meio ao sofrimento dizia respeito a liberação do agressor mesmo após o registro, já que em liberdade, ele voltou ao local da ocorrência inicial e matou a vítima. 

Na ocasião, o titular do plantão teria solicitado a concessão de medida protetiva e teria representado pela prisão preventiva do companheiro da vítima, mas ele acabou sendo liberado.