Na fria manhã de sábado, 27/6, Bagé recebeu os cavalos e cavaleiros que completaram a jornada de 750 quilômetros da maior Marcha Anual de Resistência da história Cavalo Crioulo. Promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC) e o Núcleo de Criadores de Cavalos Crioulos de Bagé (NCCCB), esta foi a 24ª edição da prova.
A dupla formada por La Dolfina da Gap São Pedro e pelo ginete Gonzalo Bonetti (Box 37) foi a primeira a chegar ao Centro de Tradições Gaúchas (CTG) 93. “Estou muito emocionado, nem consigo descrever”, destaca o atleta que, montando a fêmea, percorreu os últimos 40 quilômetros de prova em 1 hora, 47 minutos e 21 segundos. A dupla que, consequentemente, também foi campeã da Categoria Égua Maiores de Sete Anos, teve um tempo total de prova de 66 horas, 37 minutos e 35 segundos.
Proveniente da Cabanha Ichú, de Santa Vitória do Palmar, La Dolfina da Gap São Pedro já contava com as experiências das provas de resistência. Em 2025, na cidade de Jaguarão, conquistou o terceiro lugar na modalidade. Nascida em 2018, carrega a genética de FM Missioneiro do Cinco Salsos e Doutora de São Pedro. A rosilha moura bragada foi criada por Eduardo Macedo Linhares e exposta pelo Condomínio Irmãos Flório. “A La Dolfina, como eu costumo dizer, é a moura dos sonhos. Ela chegou pela amizade que o Cavalo Crioulo nos proporciona, pelos grandes amigos da Gap Genética”, contempla Diego de Marco Flório, que integra o Condomínio. “Acreditamos muito no potencial dela. Estamos sonhando acordados, faltam palavras para esse momento”, destaca.
Os resultados gerais repetiram o pódio da categoria Éguas Maiores de Sete Anos. O segundo lugar, que terminou a etapa final em 1 hora, 48 minutos e 39 segundos, totalizando em 66 horas, 40 minutos e 36 segundos, ficou com o conjunto composto pela égua uruguaia Milonga Del Metejon e o ginete brasileiro Afonso Araújo (Box 60). A terceira colocação foi para a égua Mazangano Delantera e o ginete Rodrigo Marques Ignácio Gonçalves (Box 46). No quarto lugar geral, a conquista foi para a dupla GAP Mafalda e Filipe Fernandes Garcia Vaz (Box 26).
Na categoria de Éguas Menores de Sete Anos, a vitória ficou com a dupla composta por Acanhada do Rincão dos Xucros e Joana Zambrano dos Santos Silva (Box 14). O conjunto terminou o percurso final em 1 hora, 49 minutos e 46 segundos, com um tempo final de 67 horas, três minutos e 40 segundos. Entre os animais da categoria Cavalo Castrado, o conjunto composto pelo cavalo Zullú do Rincão dos Xucros e o ginete Rodrigo Zambrano (Box 81) foi coroado após 67 horas, 34 minutos e dois segundos de prova. O percurso final foi percorrido em 1 hora, 50 minutos e 31 segundos.
Neste ano, a Marcha Anual de Resistência teve 80 inscritos, dos quais 49 concluíram a prova, o maior número de sua história. “É impressionante o que essa prova faz com a gente. É muita resiliência e poder de recuperação”, destaca o presidente ABCCC, André Luiz Narciso Rosa, que disputou a prova montando a égua Rescatada La Calavera. “Eu nunca tinha corrido aqui, a pista é maravilhosa. O Cavalo Crioulo supera tudo. Essa égua fez tudo, eu sou coadjuvante. Admiro muito essas pessoas que, a cavalo, nos ensinam todos os dias a sensibilidade e o dom que precisamos ter para estar aqui”, ressalta o dirigente, que terminou a prova em 7º lugar geral e 2º na categoria Éguas Menores.
Tradicionalmente, a Marcha Anual de Resistência seleciona uma personalidade importante para a raça Crioula para ser homenageada. Nesta edição, quem recebeu a congratulação foi Paulo Gomes Moglia, criador e médico veterinário bageense. “A principal característica da raça Crioula é a rusticidade e resistência, por isso esses animais aguentam as intempéries. A marcha é uma ferramenta de seleção da raça, que evoluiu muito”, afirma.

