Os planos devem ser encaminhados até 31 de dezembro, pelo Simec, no módulo do Conaquei, com acesso pela conta Gov.br

As redes públicas de ensino têm até 31 de dezembro para encaminhar ao Ministério da Educação (MEC) seus planos de expansão de matrículas na educação infantil. A iniciativa integra o Compromisso Nacional pela Qualidade e Equidade na Educação Infantil (Conaquei), política federal voltada à ampliação do atendimento e à melhoria das condições de ensino para crianças na primeira infância.

O planejamento deve apresentar um retrato da realidade de cada município, incluindo a quantidade de vagas disponíveis, a demanda ainda não atendida, as regiões com maior necessidade de ampliação e os recursos necessários para executar as medidas previstas. O envio deve ser realizado pelo Sistema Integrado de Monitoramento, Execução e Controle (Simec), no módulo específico do Conaquei.

A proposta é orientar as administrações municipais na definição de metas e ações concretas para reduzir a falta de vagas, especialmente nas creches, e assegurar o acesso à pré-escola, etapa de matrícula obrigatória. O documento também deve estabelecer mecanismos de acompanhamento dos resultados, com transparência na aplicação dos recursos e na execução das medidas.

Diagnóstico e planejamento

A elaboração do plano exige a participação de diferentes setores da gestão municipal. Além das secretarias de Educação, o processo deve envolver áreas como Finanças, Obras e Assistência Social, responsáveis por contribuir com informações e medidas necessárias à ampliação da rede.

Entre os levantamentos previstos estão o número de crianças que aguardam uma vaga, a procura por atendimento em creches, destinado à faixa de zero a três anos, e a população de quatro e cinco anos que ainda não frequenta a pré-escola. A partir desses dados, as redes devem identificar os territórios prioritários e estabelecer estratégias compatíveis com as necessidades locais.

O planejamento também precisa avaliar as condições de infraestrutura e funcionamento das unidades existentes, a possibilidade de reorganizar o atendimento, a construção de novas escolas, a retomada de obras paralisadas e a adaptação de imóveis públicos. A acessibilidade e a inclusão devem ser consideradas, assim como a contratação e a formação de profissionais, a alimentação escolar e as condições pedagógicas oferecidas às crianças.

Outro ponto é a previsão dos custos e das fontes de financiamento. As metas devem estar vinculadas a cronogramas e aos instrumentos municipais de planejamento e orçamento, permitindo acompanhar a execução e revisar as estratégias quando necessário.

O MEC disponibiliza um guia para auxiliar as redes na construção dos documentos, com orientações para cada etapa, perguntas norteadoras, estrutura mínima, modelo de plano e sugestões de anexos e fontes de consulta.

Como encaminhar o documento

O acesso ao Simec é realizado com uma conta Gov.br. Após entrar no sistema, os secretários estaduais, municipais e do Distrito Federal devem selecionar a área “Programas SEB-Simec” e acessar o módulo do Conaquei.

O procedimento começa pela aba “Adesão”, na qual é necessário assinar o Termo de Responsabilidade da Política, indicar o coordenador técnico responsável e informar se a rede já dispõe de um plano de expansão da educação infantil.

Caso o município tenha um documento com essa finalidade, poderá anexá-lo ao sistema e descrever as ações já previstas ou em andamento. Podem ser utilizados, por exemplo, o Plano Municipal de Primeira Infância, o Plano Municipal de Educação ou um documento oficial da Secretaria de Educação que estabeleça medidas para ampliar as matrículas.

A existência prévia de um plano de expansão não é obrigatória para aderir à política. O documento encaminhado, contudo, deve permitir compreender as iniciativas da rede e orientar o planejamento do atendimento.

Política nacional

Instituído pela Portaria MEC nº 501, de 7 de julho de 2025, o Conaquei reúne ações de assistência técnica e financeira destinadas a apoiar estados, municípios e o Distrito Federal na ampliação do acesso à educação infantil e na melhoria da qualidade e da equidade do atendimento.

A política busca contribuir para a universalização da pré-escola e para o aumento da oferta de creches, considerando as diferenças territoriais e socioeconômicas de cada localidade. Suas diretrizes estão fundamentadas nas Diretrizes Operacionais Nacionais de Qualidade e Equidade para a Educação Infantil, estabelecidas pela Resolução CEB/CNE nº 1/2024, e nos Parâmetros Nacionais de Qualidade e Equidade da Educação Infantil.

O programa está organizado em cinco eixos estratégicos: Gestão Democrática; Identidade e Formação Profissional; Proposta Pedagógica; Avaliação da Educação Infantil; e Infraestrutura, Edificações e Materiais. As frentes de atuação abrangem desde a articulação entre os governos e a qualificação dos profissionais até o acompanhamento da qualidade do ensino e a melhoria dos espaços físicos e dos recursos pedagógicos.

A adesão é voluntária, e a iniciativa prevê a colaboração entre os diferentes níveis de governo para que as redes identifiquem suas necessidades, estabeleçam metas de médio e longo prazo e desenvolvam ações voltadas ao atendimento integral das crianças.