A Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) iniciou, na sexta-feira, 7/2, um projeto que utiliza tecnologia LiDAR para otimizar o desempenho de aerogeradores eólicos em operação na Bahia. A iniciativa, desenvolvida em parceria com a Engie Brasil Energia e a Fundação Delfim Mendes Silveira, busca corrigir falhas nos sensores de direção do vento que provocam desalinhamento das turbinas e reduzem a geração de energia. O método combina medições a laser com algoritmos de inteligência artificial para calibrar esses sensores.
O LiDAR, sigla para Light Detection and Ranging, permite medir a velocidade e a direção do vento com maior precisão do que os sensores instalados originalmente nas turbinas. De acordo com a UFSM, a correção desses desvios pode resultar em ganho de até 2% na produção de energia. Em parques eólicos de grande porte, essa diferença representa aumento relevante de geração sem a necessidade de ampliar a estrutura instalada.
Tecnologia aplicada à operação
O projeto prevê a instalação temporária do LiDAR em um aerogerador em funcionamento para coletar dados reais de vento. Essas informações alimentam um sistema de inteligência artificial que ajusta os sensores de direção do equipamento. Após a calibração, o mesmo padrão pode ser replicado em outras turbinas do parque, sem a necessidade de manter o LiDAR em cada unidade, reduzindo custos e ampliando a aplicação do modelo.
Os testes estão sendo realizados em um parque eólico operado pela Engie na Bahia, estado que concentra parte significativa da capacidade instalada de energia eólica no país. A escolha da área se deve à escala dos empreendimentos e à disponibilidade de dados operacionais que permitem avaliar os efeitos dos ajustes promovidos pelo sistema de calibração.
Além da aplicação técnica, o projeto envolve pesquisadores e estudantes de pós-graduação da UFSM, que participam da análise dos dados e do desenvolvimento dos algoritmos. A equipe também passa por treinamento específico para a instalação do LiDAR, já que os equipamentos são posicionados em estruturas que ultrapassam 80 metros de altura.
A etapa atual inclui mobilização de pessoal e preparação para a instalação do sistema nas turbinas. Após a fase inicial de coleta e processamento das informações, os ajustes poderão ser estendidos a outros aerogeradores do parque e, posteriormente, a usinas com características operacionais semelhantes.


