A Praça Barão do Rio Branco será palco, neste sábado, 11/4, de uma iniciativa que busca aproximar pessoas e promover a inclusão na Associação Amigos dos Deficientes Físicos de Uruguaiana (AADUR). A chamada “mateada de inclusão” pretende reunir a comunidade em um momento de convivência, cultura e reflexão
Em entrevista à reportagem, o presidente da entidade, Agnaldo Rezende, destacou que a proposta nasceu dentro da própria associação, a partir de debates entre os integrantes. “A ideia começou em conversas internas e ganhou força na nossa primeira reunião do ano. A partir daí, percebemos que organizar um evento como esse é desafiador, mas também muito enriquecedor”, relatou.
Rezende, que é deficiente visual, contou que a experiência tem sido também um aprendizado pessoal. “Eu já tenho uma perda significativa de visão e, além disso, estudo e faço um curso na área de eventos. Isso tem me ajudado bastante. A gente percebe que não é tão simples quanto parece, mas estamos empenhados em fazer o melhor possível”, afirmou.
A programação está prevista para iniciar às 15h, e a orientação é que o público leve cadeiras para maior conforto durante a tarde. Segundo o presidente, o objetivo central vai além do lazer. “Queremos aproximar as pessoas com deficiência da comunidade. Muitas vezes existe uma distância, um certo receio de ambos os lados. A ideia é quebrar esse estigma e mostrar que todos podem compartilhar os mesmos espaços”, explicou.
Ele também reforça que a inclusão deve acontecer em todos os âmbitos da sociedade. “Não é só no trabalho ou na educação. O lazer também precisa ser acessível. É importante que a gente se coloque, diga que está presente, que quer participar. Essa interação é um passo essencial”, pontuou. Inicialmente pensada para ocorrer próximo à Páscoa, a mateada foi adiada devido às condições climáticas. Ainda assim, a escolha da data mantém um simbolismo especial. “A Páscoa traz essa ideia de renovação e integração. A gente quis aproveitar esse espírito para propor algo que una as pessoas”, disse.
A programação cultural inclui apresentações circenses, música regional, participação internacional com ritmos típicos do chamamé, além de artistas locais. “Será uma tarde voltada à cultura, à convivência e à diversão, aberta a toda a comunidade”, destacou Rezende.
Ao falar sobre acessibilidade em Uruguaiana, ele apontou desafios estruturais e a necessidade de maior atenção por parte do poder público. “Ainda enfrentamos dificuldades com calçadas, rampas e transporte coletivo. Muitas vezes, o acesso não é garantido, principalmente para cadeirantes”, afirmou. Por outro lado, ele reconhece avanços em áreas como educação e mercado de trabalho. “Hoje vemos mais oportunidades e inclusão nas escolas e empresas. Ainda há o que melhorar, mas já é um progresso importante”, avaliou.
Dentro da AADUR, diversas atividades vêm sendo desenvolvidas ao longo dos anos, como musicoterapia, práticas integrativas, oficinas com materiais recicláveis, aulas de dicção e até massoterapia. “São ações que ajudam na autoestima, na comunicação e no bem-estar das pessoas”, explicou.
O convite é simples e direto: leve seu chimarrão, sua cadeira e venha participar. A ideia é mostrar que, quando estamos juntos, as diferenças não nos separam, elas nos aproximam.


