A agência da Caixa Econômica Federal de Uruguaiana, localizada na Rua Bento Martins, não abriu para atendimento ao público nesta quinta-feira, 10/9, após a adesão dos funcionários à greve nacional dos trabalhadores do banco. A paralisação foi iniciada em todo o país por tempo indeterminado, em meio às negociações entre empregados e a instituição.

Em contato com o CIDADE, o advogado do Sindicato dos Bancários (Sindibancários), Mauricio Blanco, informou que a maior parte dos funcionários da unidade local aderiu ao movimento paredista. Segundo ele, a administração comunicou ainda pela manhã que não haveria condições de funcionamento da agência. “Fomos informados pela administração local hoje [quinta-feira] pela manhã que a agência não teria condições de abrir hoje. Inclusive estava presente quando colocaram nos vidros essa informação. Não sei se houve alguma alteração depois disto”, relatou Blanco.

A continuidade da paralisação em Uruguaiana será discutida pelos trabalhadores nesta sexta-feira, 11/9. Conforme o advogado, uma nova reunião deverá ocorrer durante a manhã para avaliar a proposta encaminhada pela Caixa ao comando de greve.

Entre as questões que seguem em negociação está o acordo coletivo específico dos empregados da Caixa. De acordo com Blanco, um dos principais impasses envolve o Saúde Caixa, plano de assistência médica destinado aos funcionários do banco.

A proposta apresentada pela instituição prevê mudanças na participação dos empregados no custeio do plano. Na avaliação do advogado do Sindibancários, a alteração poderá representar um aumento significativo nas despesas dos trabalhadores e atingir os aposentados vinculados ao benefício.

Segundo ele, a preocupação é que o novo modelo torne o plano mais oneroso para parte dos beneficiários, podendo comprometer a capacidade financeira de funcionários e aposentados de arcar com os custos. Além do Saúde Caixa, os trabalhadores reivindicam avanços em outros pontos do acordo específico que vêm sendo discutidos com a instituição desde junho.

Negociações nacionais

A greve dos empregados da Caixa ocorre após meses de negociações entre representantes dos trabalhadores e os bancos. Na quarta-feira, 9/9, a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e as entidades sindicais concluíram a negociação da nova Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria bancária, com validade nacional.

O acordo estabelece reposição integral da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), somada a um aumento real de 0,6% em 2026 e novamente em 2027. A atualização também alcança benefícios como vale-refeição, vale-alimentação, Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e auxílios.

No caso da Caixa, porém, permanecem em discussão cláusulas específicas do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) firmado entre os empregados e o banco. Segundo a Comissão Executiva dos Empregados (CEE), mais de 90% das bases sindicais rejeitaram a proposta apresentada pela instituição para a renovação do acordo específico.

A Caixa retomou as negociações com os representantes dos funcionários e encaminhou uma nova proposta nesta quinta-feira, 10/9. A orientação das entidades sindicais é manter a mobilização até que eventuais avanços sejam analisados novamente pelos trabalhadores em assembleias.

Entre as demais pautas discutidas estão questões relacionadas à saúde e segurança no trabalho, aplicação da Norma Regulamentadora 1 (NR-1), combate a metas consideradas abusivas e construção de ambientes profissionais mais saudáveis.

Atendimento

Com a paralisação, a orientação é que os clientes priorizem os canais digitais e os terminais de autoatendimento da Caixa para os serviços que não dependam do atendimento presencial.

Continuam disponíveis alternativas como o aplicativo Caixa, Internet Banking, WhatsApp Caixa, Caixa Tem, caixas eletrônicos, rede Banco24Horas, casas lotéricas e Correspondentes Caixa Aqui. A paralisação das agências não interrompe automaticamente os serviços que podem ser realizados pelos canais eletrônicos.

BB tem paralisação parcial

No Banco do Brasil, a mobilização ocorre de maneira diferente da Caixa. A paralisação foi adotada apenas nas bases sindicais que rejeitaram a proposta apresentada durante as negociações da categoria. Entre elas estão Brasília, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Pernambuco e Florianópolis, enquanto outras localidades aprovaram a convenção coletiva.

O Banco do Brasil participa das negociações gerais conduzidas pela Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e mantém tratativas específicas com as entidades que representam seus funcionários para discutir demandas próprias da instituição.

Em manifestação, o banco informou que foram realizadas diversas rodadas de negociação durante a data-base de 2026, que resultaram na proposta submetida às entidades sindicais e aprovada em diferentes assembleias realizadas no país.