O Colégio Agrícola Municipal Dr. Luiz Martins Bastos (CAM) completou 13 anos de história e reuniu estudantes, professores, servidores, parceiros e convidados em uma celebração realizada no último sábado, 4/7, na Associação dos Funcionários Municipais de Uruguaiana (AFMU). O encontro marcou a trajetória da instituição, que se consolidou como referência na formação técnica voltada ao agronegócio e ao desenvolvimento rural no município.
O CAM está localizado na BR-472, na localidade do Itapitocai, em uma área de 280 hectares destinada ao ensino e às atividades agropecuárias. No espaço, os alunos conciliam conteúdos teóricos com experiências práticas, vivenciando o cotidiano da produção rural, do manejo da terra e da aplicação de tecnologias voltadas ao setor.
Ao CIDADE, a diretora do Colégio Agrícola, Mery Jaqueline Silva De La Vega, destacou a importância da data para toda a comunidade escolar. “Completar 13 anos de efetiva atividade, com aproximadamente 200 estudantes em um único curso, para nós é motivo de orgulho e sucesso”, afirma.
Ela ressalta que, além dos avanços conquistados, a instituição segue enfrentando desafios relacionados à permanência dos estudantes até a conclusão da formação. “O grande desafio que temos no momento é trabalhar estratégias para a permanência do estudante, pensando na conclusão aliada ao êxito. Muitos estudantes já estão inseridos no mercado de trabalho, a grande maioria realiza estágios e permanece nas empresas”, explica.
Criado pela Lei Municipal nº 4.115, de 25 de julho de 2012, o Colégio Agrícola iniciou suas atividades letivas em setembro de 2013, com uma turma de 32 estudantes. Atualmente, a instituição oferece 120 vagas por semestre, 60 no turno diurno e 60 no noturno, totalizando 240 vagas anuais para o Curso Técnico em Agropecuária, modalidade subsequente ao Ensino Médio.
Administrativamente vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação (Semude), com apoio pedagógico da Secretaria Municipal de Educação (Semed), o CAM conta com uma equipe formada por 12 professores, entre engenheiros agrônomos, médicos veterinários, zootecnista, professor de informática e docente de Língua Portuguesa, além de servidores responsáveis pelas atividades de campo e manutenção.
A estrutura da instituição inclui biblioteca, laboratório de Ciências, laboratório de Informática, setores de agroindústria, apicultura, bovinocultura, ovinocultura, equinocultura, pomar e horta pedagógica, permitindo que os estudantes desenvolvam competências técnicas em diferentes áreas do agronegócio.
Novos projetos
Entre as iniciativas previstas para os próximos anos está o projeto “CAM Fora da Porteira”, plataforma que pretende aproximar técnicos formados pelo colégio das empresas parceiras. “Estamos colocando em prática o projeto CAM Fora da Porteira. Será uma plataforma onde os técnicos em agropecuária poderão cadastrar seus currículos e as empresas parceiras buscarão profissionais conforme o perfil que necessitam. É mais uma inovação desta gestão”, destaca Mery.
Outro projeto considerado estratégico é a implantação da Casa do Mel, cuja proposta é beneficiar tanto as atividades pedagógicas quanto os apicultores do município. “A Casa do Mel é um projeto que já possui toda a parte arquitetônica e de engenharia pronta. Agora buscamos parcerias para torná-lo realidade. Nossa intenção é que esse espaço possa atender tanto a escola quanto os apicultores de Uruguaiana”, explica.
Além da Casa do Mel, o planejamento institucional contempla a ampliação da agroindústria com certificação pelo Serviço de Inspeção Municipal (SIM), a qualificação da horta e do pomar pedagógicos, a implantação de uma vitrine de pastagens e o desenvolvimento de mini lavouras experimentais.
Segundo a diretora, os investimentos têm como objetivo fortalecer a formação profissional e aproximar ainda mais os estudantes das transformações vividas pelo setor agropecuário. “Falar de agronegócio hoje é falar de desenvolvimento, inovação, tecnologia, sustentabilidade, geração de renda e oportunidades. O agro deixou de ser apenas produção. Hoje envolve gestão, pesquisa, responsabilidade ambiental e capacidade de adaptação às novas demandas do mercado”, ressalta.
Ela também destaca que Uruguaiana possui forte vocação para o setor e que isso exige mão de obra qualificada. “Nesse contexto, o CAM possui um papel fundamental. A formação técnica prepara jovens e profissionais para atuar com competência, visão empreendedora e compromisso com o futuro do campo. Precisamos cada vez mais de pessoas capacitadas para produzir com eficiência, sustentabilidade e inovação.”
A presença do Colégio Agrícola em eventos voltados ao agronegócio também faz parte da estratégia de aproximação com o setor produtivo. Um dos exemplos é a participação nas últimas edições da Expoutono. “Participamos da Expoutono nos últimos três anos, um evento que representa justamente essa conexão entre educação, setor produtivo, tecnologia e comunidade. Seguiremos apoiando iniciativas que fortaleçam o agronegócio regional e ampliem oportunidades para nossa juventude, porque investir em educação técnica e inovação é investir no crescimento sustentável da nossa região”, conclui Mery.
Como ingressar no CAM
O ingresso de novos estudantes ocorre duas vezes ao ano, nos meses de março e agosto. O Curso Técnico em Agropecuária possui carga horária de 2.195 horas, duração de dois anos, além de seis meses de estágio curricular obrigatório.
Os certificados são reconhecidos pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Sistema Nacional de Informações da Educação Profissional e Tecnológica (Sistec), e pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Rio Grande do Sul (Crea-RS), habilitando os formandos para atuação profissional em diferentes segmentos do agronegócio.

