O Rio Grande do Sul enfrenta uma nova sequência de chuvas extremas desde o último sábado 14/6, com agravamento entre segunda 16/6 e terça-feira 17/6. Mesmo sem a presença do El Niño, o Estado registrou acumulados de 150 mm a 400 mm em algumas regiões, como Missões, Vale do Rio Pardo, Centro do Estado e Grande Porto Alegre. A Defesa Civil já contabiliza ocorrências em 51 municípios, com mais de 1,3 mil pessoas fora de casa. Os danos incluem inundações, deslizamentos e bloqueios de rodovias.
Segundo a MetSul Meteorologia, o principal fator por trás do evento é a combinação de um bloqueio atmosférico no Sudeste, que impede o avanço das frentes frias, com a presença de uma frente fria semi-estacionária sobre o Rio Grande do Sul. Isso tem feito com que a chuva se concentre sobre uma mesma faixa do Estado por vários dias, elevando os volumes de forma alarmante.
Outro agravante é a atuação do jato de baixos níveis, uma corrente de ar que traz calor e umidade da Bolívia para o Estado, favorecendo a formação de nuvens carregadas. Este jato atua entre um e dois quilômetros de altitude e alimenta continuamente o sistema de instabilidade. Somado a isso, a diferença de temperatura entre massas de ar quente no Norte e fria no Sul (gradiente térmico) reforça a instabilidade atmosférica.
De acordo com a MetSul, esses fatores criam uma situação semelhante à que ocorreu durante a enchente de maio de 2024, embora o gradiente térmico atual seja menos intenso. Contudo, a previsão é de que a instabilidade persista nos próximos dias em todo o solo gaúcho.
Em detalhes
As chuvas provocaram duas mortes, deixaram uma pessoa desaparecida e mais de 1,3 mil desalojados, segundo informações da Defesa Civil estadual. Outras mil pessoas precisaram ser acolhidas em abrigos públicos ou de entidades assistenciais. Os municípios mais afetados estão nas regiões da Serra Gaúcha e dos Vales.
Uma das vítimas foi um jovem de 22 anos, encontrado morto dentro de um carro arrastado pela correnteza do Rio Caí, em Nova Petrópolis. O acidente ocorreu quando o veículo atravessava a Ponte da Cooperação, estrutura provisória erguida após a destruição da ponte da BR-116 nas enchentes de 2024. A outra morte foi confirmada em Candelária: Geneci da Rosa, de 54 anos, morreu após o carro em que estava com o marido ser arrastado por uma ponte — o companheiro dela continua desaparecido.
Além das tragédias humanas, os temporais causaram estragos em diversos municípios. Ao menos 51 cidades já relataram ocorrências relacionadas às chuvas. Em Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre, há 89 pessoas desalojadas, 28 desabrigadas e ao menos 29 escolas afetadas, segundo o prefeito Airton Souza. Trechos de 16 rodovias estaduais estão totalmente bloqueados e outras seis têm interdições parciais.
O governador Eduardo Leite informou pelas redes sociais que algumas regiões acumulam mais de 350 milímetros de chuva, volume muito acima da média. Ele afirmou que o acumulado pode chegar a 450 milímetros em algumas localidades. Embora os impactos sejam severos, o governador ressaltou que ainda não se trata de uma situação semelhante à das enchentes de 2024, que deixaram 184 mortos e 25 desaparecidos.
Precipitação em Uruguaiana
A previsão é de chuva fraca nesta sexta-feira no município, pouco mais de quatro milímetros estão previstos. A mínima fica em 12°C e a máxima não ultrapassa os 14°C. No fim de semana, as chuvas cessam e o frio volta, com mínimas de 8°C e sol com muitas nuvens.


