• Cerca de 2,8 mil militares brasileiros e argentinos participaram do Exercício realizado em municípios da Região Central.

O Exército Brasileiro concluiu nesta sexta-feira, 16/10, o Exercício Combinado Arandu, realizado em conjunto com as Forças Armadas da Argentina. Ao longo de uma semana de atividades no Rio Grande do Sul, aproximadamente 2,8 mil militares, incluindo 400 argentinos, participaram de treinamentos que envolveram cerca de 640 viaturas blindadas e operacionais. As ações ocorreram principalmente em Rosário do Sul, além de Santa Maria e Faxinal do Soturno, desde o dia 10 de outubro.

Organizada pelos dois exércitos, a operação encerrou o ciclo de exercícios de 2024 a 2026, desenvolvido para aprimorar a capacidade de atuação conjunta, compartilhar conhecimentos táticos e fortalecer a relação entre as instituições militares dos países vizinhos.

O comandante de Operações Terrestres do Exército Brasileiro, general de Exército Kleber Nunes de Vasconcellos, ressaltou que a aproximação entre as forças vem sendo ampliada por meio de novas experiências de treinamento. “A integração com o Exército Argentino já é de muito tempo. Ultimamente, temos procurado melhorar essa integração. Foi muito interessante porque algumas experimentações estão sendo feitas nesse exercício. Inclusive, fazendo com que o exercício combinado ocorra em vários escalões da força, e isso é muito bom, porque além da cooperação mútua e da integração, nos aproxima ainda mais, e isso é fundamental para ambos os países”, afirmou.

O comandante Militar do Sul, general de Exército Luís Cláudio de Mattos Basto, também destacou a dimensão institucional e humana do encontro entre os militares. “É uma honra podermos estar aqui convivendo, integrando conhecimentos, fortalecendo nossos laços de amizade. Mais do que a parte operacional, a parte anímica é muito forte nesse exercício. São dois exércitos que há muito tempo estão juntos, têm os mesmos valores, tradições muito parecidas. Sempre compartilhando doutrina, conhecimento. Interoperabilidade, essa é a palavra”, declarou.

Pelo lado argentino, o comandante da Força de Desdobramento Rápido do Exército, general de Brigada Ricardo Fresta, defendeu a continuidade dos treinamentos para ampliar a compatibilidade entre os procedimentos das duas forças. “Estamos felizes de estar aqui, muito motivados e achamos que temos que continuar os exercícios nessa mesma direção para complementar as capacidades e aumentar a interoperabilidade. Isso nos dá a capacidade de saber que, se algum dia tivermos que fazer uma operação combinada, ambos os exércitos conhecem os procedimentos, as táticas, técnicas e podem ter eficiência operacional no campo de combate, isso para nós é o mais importante”, afirmou.

Treinamento

A etapa final do ciclo trienal foi marcada pela simulação viva, modalidade em que os militares executam atividades diretamente no terreno, utilizando procedimentos operacionais e equipamentos empregados em situações reais de treinamento.

O planejamento do Arandu é distribuído ao longo de três anos. No primeiro, são priorizadas as atividades de organização e preparação. No segundo, ocorre a simulação construtiva, realizada em ambiente digital, na qual os comandantes tomam decisões estratégicas e acompanham seus desdobramentos. O terceiro ano é dedicado à execução prática no campo.

Durante a simulação viva, foram utilizados Dispositivos de Simulação e Engajamento Tático (DSET), sistemas com emissores e receptores a laser capazes de reproduzir a trajetória dos disparos. Sensores instalados em equipamentos de proteção dos militares e nos blindados registram os efeitos simulados dos engajamentos.

Entre os destaques da programação esteve a realização de tiros reais com veículos de combate no Polígono de Tiro Tenente De Lacerda, situado no Campo de Instrução Barão de São Borja (CIBSB), em Rosário do Sul.

Os treinamentos envolveram diferentes capacidades militares. Entre os equipamentos empregados estavam as viaturas blindadas de transporte de pessoal Guarani, do Brasil, e Stryker, da Argentina, ambas equipadas com metralhadoras de calibre .50.

Também foram realizados disparos com canhões dos carros de combate Leopard 1A5 BR, brasileiros, e TAM 2C-A2, argentinos, além de atividades com o blindado de combate sobre rodas Centauro II BR, equipado com canhão de 120 milímetros, e o sistema de foguetes Astros.

As ações incluíram ainda incursões aeromóveis e infiltrações de militares especializados, entre eles integrantes do destacamento de precursores paraquedistas e de uma força-tarefa de Operações Especiais. Para essas atividades, foram utilizadas aeronaves dos dois países, como o KC-390, da Força Aérea Brasileira, e o Casa C-212, da Argentina.

Outra etapa envolveu a transposição de curso d’água com estruturas de travessia montadas pela engenharia do Exército Brasileiro, demonstrando a atuação conjunta de diferentes especialidades militares.

Cooperação ao longo de três anos

O Exercício Combinado Arandu faz parte de uma agenda regular de cooperação entre os exércitos brasileiro e argentino, organizada em ciclos de três anos. O período de 2024 a 2026 foi estabelecido durante a XVI Conferência Bilateral dos Estados-Maiores Argentina–Brasil, fórum técnico permanente de diálogo entre as duas forças.

Além das reuniões de coordenação realizadas nos dois países e da simulação construtiva de 2025, o ciclo foi concluído com o treinamento em campo deste ano. Com atividades concentradas no território gaúcho, o exercício teve finalidade exclusivamente militar e de adestramento.