Janeiro marca aniversário do lançamento da pedra fundamental da ponte

Na manhã do dia nove de janeiro de 1938, por volta das 10h, Uruguaiana testemunhou um dos encontros mais importantes de sua história. O lançamento da pedra fundamental da construção da ponte internacional, que liga a cidade a Paso de los Libres, foi um dos grandes acontecimentos da realização do projeto. A divulgação do monólito, que completou 83 anos nesse mês, teve a presença dos presidentes Getúlio Vargas (Brasil) e Agustín Justo (Argentina). A ponte, que leva o nome de Justo e Vargas, foi inaugurada em 21 de maio de 1947 pelos presidentes Eurico Gaspar Dutra e Juan Domingo Perón – também com a presença da primeira-dama da Argentina, Evita Perón. Durante alguns anos após a sua liberação, a ponte foi considerada a maior da América Latina.  

O general Justo se deslocou de avião de Buenos Aires até Paso de los Libres. Ao chegar à cidade, Justo e sua comitiva pegaram um barco até o Cais do Porto de Uruguaiana. No momento da chegada à costa brasileira, foram saudados efusivamente pela comunidade uruguaianense. Após ser recebido e dar um fraterno abraço em Getúlio Vargas, foram escoltados pelo Exército, até a Praça Dom Pedro II – atual Parcão – para o lançamento do monólito da ponte internacional.

A obra era um grande desejo dos comércios brasileiro e argentino. O principal intuito do projeto foi facilitar e estimular os negócios – que já existiam – entre os dois países. No acordo para a obra, foi estipulado que a ponte seria dividida em duas partes iguais. Cada país ficou responsável por custear e realizar a obra de sua área. Entretanto, em ambas as partes da construção o ferro usado seria o brasileiro, e o cimento, o argentino.

Uma curiosidade sobre a construção da ponte internacional foi um imprevisto após o Brasil finalizar um pilar e meio do projeto. Certo dia, Hélio Guimarães e Aparício De La Vega (topógrafo) observaram que a parte brasileira não iria se encontrar com a argentina, na metade do trajeto. O fato chegou aos engenheiros Mário Noronha e Bube dos Santos, que confirmaram a ocorrência de erros nos cálculos. Com isso, a equipe decidiu dinamitar a estrutura durante uma madrugada para refazê-la. Apesar da tentativa de discrição no momento de demolir os pilares, a população se assustou e por algum tempo esse foi o grande assunto da cidade. Isto fez com que a metade brasileira ficasse atrasada em relação à argentina. Entretanto, tempos depois as três empresas argentinas responsáveis pela parte vizinha vieram à falência e a parte de responsabilidade do Brasil passou à frente.

A ponte internacional tem 1.434 metros de comprimento e 12,6 metros de largura (3,8m de ferrovia e 6m de rodovia). O período de construção foi de 1940 até 1945, tendo sido inaugurada dois anos após sua liberação para tráfego.