Pessoas que já têm o hábito de doar sangue poderão continuar contribuindo mesmo depois de completar 70 anos. A possibilidade está prevista no novo regulamento técnico da hemoterapia no Brasil, estabelecido pela Portaria GM/MS nº 11.685/2026, do Ministério da Saúde. Publicada em julho, a norma entrou em vigor na quarta-feira, 30 de setembro, após o período de 90 dias previsto para sua implementação.
Pelas novas regras, a idade habitual para doação permanece entre 16 e 69 anos. No entanto, quem já é doador de repetição e ultrapassa os 70 anos poderá seguir realizando as doações, desde que passe pela avaliação médica do serviço de hemoterapia e seja considerado apto.
A mudança beneficia principalmente pessoas que construíram uma trajetória regular de doações e desejam manter esse compromisso depois dos 70 anos. A primeira doação continua limitada, em regra, aos 60 anos. Situações excepcionais podem ser analisadas pelos serviços de hemoterapia mediante avaliação médica individualizada e análise da relação entre riscos e benefícios.
Procedimentos e medicamentos
A atualização também modificou prazos de impedimento temporário para alguns candidatos à doação. Entre as alterações está a redução do período de espera relacionado a determinados procedimentos estéticos e exames.
Pessoas que tenham realizado tatuagem, maquiagem definitiva, preenchimentos, aplicação de botox ou outros procedimentos com microagulhamento poderão doar após sete dias, desde que o atendimento tenha ocorrido em estabelecimento que siga as normas de segurança sanitária. Quando não for possível comprovar as condições em que o procedimento foi realizado, permanece o período de quatro meses.
No caso de piercing na boca ou na região genital, a doação poderá ocorrer quatro meses depois da retirada. A regulamentação também estabelece períodos específicos de inaptidão para situações relacionadas ao uso de medicamentos e determinadas substâncias.
Entre as demais regras, o regulamento mantém o peso mínimo de 50 quilos para o candidato. Adolescentes de 16 e 17 anos precisam apresentar autorização formal do responsável legal. A frequência máxima também permanece diferenciada: homens podem realizar até quatro doações por ano, enquanto mulheres podem doar até três vezes no mesmo período, respeitando os intervalos mínimos estabelecidos.
Segurança nas transfusões
Além das condições para os doadores, a nova portaria atualiza procedimentos relacionados à segurança transfusional. Uma das medidas destacadas pelo Ministério da Saúde é a adoção obrigatória da testagem para malária em todas as amostras da triagem, ampliando a identificação de possíveis riscos antes da utilização do sangue.
Outra novidade é a adoção do padrão internacional ISBT 128 para a identificação de bolsas e amostras. O sistema permite ampliar a rastreabilidade dos materiais ao longo do processo, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a fabricação de medicamentos.
A regulamentação também prevê a possibilidade de ampliar de cinco para sete dias a validade do concentrado de plaquetas, desde que sejam cumpridos os critérios de controle de qualidade exigidos. A medida busca contribuir para a redução de perdas e para uma maior disponibilidade do componente nos serviços de saúde.
Doações no país
Dados do Ministério da Saúde apontam que o Sistema Único de Saúde (SUS) contabilizou 3,26 milhões de coletas de sangue em 2025, com uma taxa de 15,29 doações para cada mil habitantes. O resultado representa o maior índice desde o período da pandemia e indica uma recuperação gradual das doações depois da queda registrada a partir de 2020.
Apesar das mudanças nas regras, a avaliação individual continua sendo uma etapa fundamental antes da coleta. Para doar, é necessário estar em boas condições de saúde, ter pelo menos 50 quilos, estar descansado e alimentado e apresentar documento oficial com foto, que também pode ser disponibilizado em formato digital.
Os interessados devem procurar o hemocentro ou serviço de hemoterapia de referência para verificar os horários de atendimento e passar pela triagem. É nessa etapa que a equipe avalia as condições de saúde e verifica se o candidato está apto a realizar a doação.


