• Profissionais da e-DOT participam da ação de conscientização sobre doação de órgãos.
  • Santa Casa realizou nova captação de órgãos no fim de agosto
    Santa Casa realizou nova captação de órgãos no fim de agosto
  • Santa Casa realizou nova captação de órgãos no fim de agosto

A Praça Barão do Rio Branco recebe, neste domingo, 27/9, uma Mateada alusiva ao Setembro Verde, mês dedicado à conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. A iniciativa é promovida pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplante (e-DOT) do Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU) e tem como proposta sensibilizar a população para a importância da doação, além de estimular o diálogo entre familiares sobre o assunto.

A programação começa às 9h e pretende levar informações sobre como a doação de órgãos pode contribuir para salvar vidas. Durante a manhã, o público também terá acesso a diferentes serviços gratuitos relacionados à saúde e ao bem-estar.

Entre as ações disponíveis estarão aferição de pressão arterial, testes de glicose e testes rápidos de saúde. Os atendimentos serão realizados por equipes e estudantes do Laboratório Central de Análises Clínicas (Lacin), da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), do Senac e da Secretaria Municipal de Saúde. Para acompanhar a mateada, também haverá distribuição gratuita de água quente e erva-mate.

A fisioterapeuta do Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU) e integrante da e-DOT, Ariel Escobar, destaca que a iniciativa busca abordar a doação de órgãos de uma maneira mais próxima da comunidade. “Falar sobre doação de órgãos é, acima de tudo, falar sobre vida, solidariedade e sobre a possibilidade de transformar uma despedida em uma nova oportunidade para alguém”, destaca Ariel ao CIDADE.

Segundo a profissional, a programação foi planejada pela e-DOT e pela Santa Casa como uma oportunidade de levar a discussão para fora do ambiente hospitalar. A ideia é proporcionar um espaço mais aberto e acessível para que a população conheça melhor as etapas envolvidas na doação, esclareça questionamentos e possa discutir questões que ainda geram dúvidas.

Durante a atividade, serão apresentados aspectos relacionados à doação de órgãos e tecidos, à identificação de um potencial doador, à autorização familiar e à atuação dos profissionais especializados. A programação também pretende abordar alguns dos principais mitos e receios que ainda fazem parte das conversas sobre o tema.

Além da orientação, a proposta é promover um momento de integração com a comunidade. A população poderá conversar com profissionais, conhecer o trabalho desenvolvido pela e-DOT e levar informações para compartilhar com seus familiares.

Um dos principais objetivos da campanha, conforme Ariel, é justamente incentivar que a decisão sobre a doação seja conhecida dentro de casa. “Não basta querer ser um doador; é fundamental que a família saiba dessa vontade. Em um momento de dor, quando uma família está diante da perda de alguém que ama, saber qual era a vontade daquela pessoa pode tornar uma decisão tão difícil um pouco mais clara”, aborda.

A fisioterapeuta acrescenta que a conversa sobre o assunto não precisa ocorrer somente diante de uma situação de perda. “Costumamos dizer que a doação de órgãos começa muito antes do hospital: começa em uma conversa entre pessoas que se amam”, relata.

Para Ariel, é importante que a família conheça a vontade da pessoa enquanto ela ainda está presente. “Por isso, uma das mensagens que queremos deixar neste Setembro Verde é: converse com a sua família hoje. Diga que você é a favor da doação de órgãos, explique a sua vontade e permita que as pessoas que você ama conheçam essa decisão”, afirma.

A profissional reforça que, em uma situação de despedida, os familiares não deveriam precisar descobrir ou imaginar qual seria a decisão da pessoa. “Porque, no momento mais difícil, a família não deveria precisar adivinhar o que você gostaria. Ela deveria apenas lembrar de uma conversa que vocês tiveram em vida”, relata.

Conscientização

Ariel também destaca a importância do Setembro Verde para ampliar o debate sobre a doação de órgãos. Segundo ela, muitas pessoas acabam refletindo sobre o tema somente quando enfrentam uma situação de perda na própria família. A campanha busca antecipar essa conversa e incentivar que a população conheça o processo enquanto ainda está em condições de discutir o assunto com tranquilidade.

Para a e-DOT e a Santa Casa, as ações realizadas ao longo do mês representam uma oportunidade de fortalecer a cultura da doação, aproximar a comunidade do trabalho desenvolvido dentro do hospital e mostrar a atuação da rede de profissionais envolvida para que uma doação seja realizada de maneira segura, ética e responsável.

Cada doação pode representar uma possibilidade de mudança na vida de pessoas que aguardam por um transplante. Por trás de cada procedimento existe uma família que passou por um momento de perda, profissionais envolvidos na condução de todas as etapas e, do outro lado, pacientes que podem receber uma nova oportunidade.

Ariel ressalta que a decisão de uma família pela doação não elimina a dor provocada pela perda, mas pode permitir que outras pessoas tenham esperança. “Quando uma família diz ‘sim’ à doação, ela não apaga a dor da perda. Mas pode permitir que, em meio a essa dor, outras famílias recebam esperança.”

A programação deste ano foi construída com o objetivo de informar, acolher, esclarecer dúvidas e estimular o diálogo familiar sobre a doação de órgãos. “Estamos muito felizes com a repercussão das ações do Setembro Verde e, principalmente, com a possibilidade de levar essa mensagem para além dos muros da Santa Casa. Quanto mais pessoas entenderem o processo e conversarem sobre o assunto, mais preparada estará a nossa comunidade para tomar decisões conscientes e respeitosas diante de uma situação de doação”, comenta Ariel.

Muito além da vida

No fim de agosto, a Santa Casa realizou uma nova captação de órgãos que poderá beneficiar pacientes que aguardam por um transplante. O procedimento começou ainda durante a internação do paciente, após a identificação de sinais compatíveis com morte encefálica e a abertura do protocolo específico para confirmação do diagnóstico.

A condução das etapas ficou sob responsabilidade da Equipe Hospitalar de Doação para Transplantes (e-DOTT) da instituição. O grupo é formado por profissionais de diferentes áreas, incluindo médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais e psicólogos, que atuam tanto nos procedimentos técnicos quanto no acolhimento aos familiares.

Em Uruguaiana, foi utilizada a arteriografia cerebral para auxiliar na confirmação do diagnóstico. O exame apontou a ausência de circulação sanguínea no cérebro, permitindo a conclusão da morte encefálica. Durante todo o protocolo, os familiares receberam acompanhamento da equipe hospitalar.