O Dia Mundial de Combate à Tuberculose, celebrado nesta terça-feira, 24/3, reforça o alerta para uma das doenças infecciosas mais antigas e ainda presentes no mundo. A data remete à descoberta do bacilo causador da doença pelo médico Robert Koch, em 1882, marco essencial para o avanço no diagnóstico e tratamento. Apesar dos progressos, a tuberculose segue como um desafio global de saúde pública.
Em alusão a data, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) está promovendo nesta segunda-feira, 23/3 e terça-feira, uma capacitação voltada aos agentes comunitários de saúde com foco no enfrentamento da tuberculose. A atividade ocorre na sala de palestras da Orla, sempre a partir das 14h. A iniciativa busca qualificar os profissionais que atuam diretamente nas comunidades, reforçando estratégias de prevenção, identificação precoce e acompanhamento dos casos.
A capacitação destaca o papel fundamental dos agentes na busca ativa de sintomáticos respiratórios, no incentivo ao tratamento e no monitoramento dos pacientes. A tuberculose é uma doença infecciosa transmitida pelo ar e que ainda representa um desafio de saúde pública, especialmente em contextos de vulnerabilidade social. O treinamento também aborda a importância do tratamento diretamente observado, estratégia essencial para evitar o abandono terapêutico e interromper a cadeia de transmissão.
De acordo com informações do assessor de comunicação da Secretaria, Thiago Valença, o município vem estruturando, desde 2022, uma rede integrada para fortalecer o combate à doença, envolvendo setores como Vigilância Epidemiológica, CTA/SAE, Assistência Farmacêutica e o Laboratório de Fronteira (Lafron). A partir dessa articulação, foi criado um fluxo que abrange todas as etapas da investigação, desde a identificação de sintomáticos respiratórios até o diagnóstico e início do tratamento.
As capacitações começaram com profissionais de enfermagem e clínica médica nas Estratégias de Saúde da Família (ESF) e, posteriormente, foram ampliadas para todos os trabalhadores da Atenção Primária, incluindo recepcionistas e agentes comunitários. Segundo a biomédica e coordenadora do Lafron, Silvia Muller, é importante uma equipe bem alinhada para “cortar a cadeia de transmissão, identificar sintomas, fazer um bom diagnóstico para que os assintomáticos não se tornem sintomáticos e passe a transmitir a doença”.
O trabalho tem como foco a identificação precoce de pacientes com sintomas respiratórios, a coleta oportuna de exames e a investigação de contatos, tanto para casos ativos quanto para infecção latente da tuberculose. Pacientes diagnosticados passam a ser acompanhados pelo serviço especializado, com atendimento médico e suporte da assistência farmacêutica para início e continuidade do tratamento. Segundo a Secretaria, a adoção de protocolos como o IGRA e a intensificação da busca ativa contribuíram para ampliar o alcance das ações no município.
Números de casos
Dados recentes apontam que Uruguaiana tem registrado variações nos índices da doença nos últimos anos. Em 2020, foram contabilizados 73 casos, número que subiu para 94 em 2021. Em 2022, houve redução para 80 casos, seguido de novo aumento em 2023, com 87 registros. Em 2024, o município atingiu 100 casos, enquanto em 2025 foram registrados 79 casos.
Em relação à mortalidade, os dados também indicam oscilações ao longo dos últimos anos: foram 7 óbitos em 2020, 11 em 2021, 6 em 2022, 4 em 2023, 6 em 2024 e 5 em 2025. Diante desse cenário, a qualificação dos profissionais da atenção básica é considerada estratégica para reduzir os índices da doença no município, fortalecendo o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e a conscientização da população sobre os riscos da tuberculose.
Dados recentes da Organização Mundial da Saúde mostram que o Brasil manteve, em 2024, uma das maiores taxas de detecção da doença. Segundo o Relatório Global da Tuberculose 2025, cerca de 89% das pessoas que desenvolveram a doença no país foram diagnosticadas e notificadas. O documento também aponta crescimento de 39,1% no tratamento preventivo entre contatos de pacientes, refletindo ações ampliadas de diagnóstico e prevenção no âmbito do Sistema Único de Saúde (Sus).
Teste Rápido Molecular
Outro avanço registrado foi a ampliação do acesso ao Teste Rápido Molecular, que passou de 26,7% de cobertura em 2016 para 63,1% em 2024, contribuindo para o diagnóstico precoce. Além disso, a mortalidade pela doença no Brasil apresentou estabilidade após um período de alta, indicando melhorias no atendimento e no acompanhamento dos pacientes. Ainda assim, o país contabilizou mais de 85 mil novos casos em 2024 e cerca de 6 mil mortes em 2023, conforme dados do Ministério da Saúde.
No cenário global, a tuberculose continua sendo a principal causa de morte por um único agente infeccioso, com quase 11 milhões de casos e mais de 1 milhão de mortes em 2024. Embora a incidência tenha registrado queda de 1,7% entre 2023 e 2024, o relatório alerta para a dificuldade em atingir as metas da Estratégia pelo Fim da Tuberculose, que prevê redução de 50% na incidência e 75% na mortalidade até 2025. Entre as medidas adotadas no Brasil está o investimento de R$ 100 milhões para intensificar o combate à doença em estados e municípios.
No estado
No Rio Grande do Sul, a Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul lançou, em agosto de 2025, o Informe Epidemiológico da Tuberculose, elaborado em conjunto com o Programa Estadual de Controle da Tuberculose, o Centro Estadual de Vigilância em Saúde e o Hospital Sanatório Partenon. O documento aponta que a taxa de cura dos casos novos de tuberculose pulmonar no estado foi de 52,5% em 2023, abaixo da meta de 85% recomendada pela OMS, enquanto a interrupção do tratamento chegou a 18,5%, evidenciando desafios na adesão terapêutica.
O informe também destaca desigualdade na incidência da doença entre as regiões, com maior concentração na 1ª Coordenadoria Regional de Saúde, que inclui municípios como Porto Alegre e Canoas. Fatores sociais como pobreza, insegurança alimentar e moradia precária influenciam diretamente na disseminação da doença, atingindo principalmente populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua e privadas de liberdade. Outro ponto de atenção é a coinfecção com HIV, que no estado chegou a 17,8% em 2024, uma das mais altas do país, e está associada a menores taxas de cura.
Entre as estratégias para o controle da tuberculose estão o tratamento diretamente observado, que garante o acompanhamento da ingestão de medicamentos, e a busca ativa de casos, permitindo diagnóstico precoce e interrupção da cadeia de transmissão. A vacinação com BCG, oferecida gratuitamente pelo Sus, segue como principal forma de prevenção em crianças, evitando casos graves e mortes. Especialistas reforçam que o enfrentamento da doença depende da integração entre políticas públicas, acesso à saúde e conscientização da população sobre a importância do diagnóstico e tratamento adequados.
Principais sintomas da tuberculose
- Tosse persistente por mais de três semanas
- Tosse com catarro, podendo ter sangue
- Febre, geralmente no fim do dia
- Suor noturno intenso
- Perda de peso sem causa aparente
- Cansaço excessivo e fraqueza
- Falta de apetite
- Dor no peito ou dificuldade para respirar

