Em poucos dias Uruguaiana registrou dois episódios de instabilidade em poucos dias, com destaque para os impactos causados pelo temporal do último sábado, 21/3, e o novo cenário de alerta nesta segunda-feira, 23/3. Apesar do baixo volume de chuva no fim de semana, os ventos intensos foram responsáveis por danos em diferentes pontos da cidade.
No sábado, rajadas de vento de até 85 km/h derrubaram árvores e postes, especialmente na região da União das Vilas, deixando mais de 5,6 mil residências sem energia elétrica. O acumulado de chuva foi de apenas 10 milímetros, mas a força do vento provocou os principais transtornos. Equipes da Defesa Civil atuaram ao longo do dia na remoção de galhos e na liberação de vias afetadas.
Segundo o secretário de Infraestrutura e coordenador da Defesa Civil, Paulo Woutheres, apesar dos estragos materiais, não houve registro de feridos. Ele destacou que os pontos mais críticos seguem sendo áreas já conhecidas por alagamentos – como a região da União das Vilas- mas que, até o momento, a situação foi controlada pelas equipes de atendimento.
Já nesta segunda-feira, 23/3, o cenário voltou a preocupar com o avanço de uma nova instabilidade. Até o meio-dia, o acumulado de chuva já havia atingido 45,6 milímetros, com registro de cerca de 60 mm ao longo do dia. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu aviso de tempestade com grau de “grande perigo”, válido até as 22h, que indicava possibilidade de chuva superior a 100 mm por dia, ventos acima de 100 km/h e queda de granizo.
O alerta também aponta risco elevado de danos em edificações, interrupção no fornecimento de energia elétrica, queda de árvores, alagamentos e prejuízos no transporte. Diante do cenário, a Defesa Civil segue em monitoramento e orienta a população a redobrar os cuidados durante os períodos de instabilidade.
Previsão do Tempo
A previsão do tempo para Uruguaiana entre os dias 24 e 27 de março indica um período de tempo estável no início da semana, com aumento gradual de nebulosidade e possibilidade de instabilidade no final do período, conforme dados da Climatempo e tendência da MetSul Meteorologia.
Para a terça-feira, 24/3, a Climatempo prevê sol com algumas nuvens, sem chuva, com temperaturas entre 16°C e 25°C. O dia deve ser estável, com noite de céu limpo . Na quarta-feira, 25/3, o tempo segue firme, mas com aumento da nebulosidade. A previsão indica sol entre muitas nuvens ao longo do dia, sem chuva, e temperaturas variando entre 16°C e 28°C .
Para quinta, 26/3, e sexta-feira, 27/3, a tendência da MetSul Meteorologia aponta um cenário típico de transição de estação, com calor, maior presença de umidade e possibilidade de pancadas isoladas, especialmente entre a tarde e a noite. Esse padrão favorece a formação de instabilidades e eventuais temporais localizados no Oeste do Rio Grande do Sul
El Niño
O Sul do Brasil deve ter aumento no risco de chuvas ao longo de 2026 devido à formação do fenômeno El Niño. Embora ainda não esteja plenamente configurado, há mais de 50% de probabilidade, segundo a National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), de que o fenômeno se consolide no inverno do Hemisfério Sul. A influência climática tende a se estender pelo segundo semestre, afetando inverno, primavera e verão, sendo a primavera historicamente o período mais crítico para eventos de chuva intensa na região.
O outono de 2026 começa sob influência de um El Niño costeiro, caracterizado pelo aquecimento das águas próximas ao Peru e ao Equador. Esse fenômeno tem impacto mais limitado que o El Niño clássico, mas já favorece a chegada de ar quente e úmido ao Sul do Brasil, aumentando a formação de nuvens carregadas. Apesar disso, a tendência é de aumento gradual das chuvas, sem volumes extremos neste primeiro momento.
Ao longo do outono, especialmente em maio, a frequência das precipitações deve crescer, com possibilidade de episódios de chuva intensa. Com o avanço do aquecimento no Pacífico Equatorial, típico do El Niño, a interação entre massas de ar quente e frentes frias deve intensificar a formação de temporais no Sul, tornando as chuvas mais frequentes e, em alguns casos, volumosas.
Na primavera, com o El Niño possivelmente em intensidade moderada a forte, o risco de tempestades aumenta significativamente. O acúmulo de água nos solos e rios ao longo das estações anteriores eleva a chance de enchentes e deslizamentos. Apesar do cenário de maior risco, ainda é cedo para prever a magnitude dos impactos, embora haja alerta para maior frequência de eventos extremos em comparação a anos sem El Niño.


