A Unidade de Pronto Atendimento (Upa) Zilda Arns já registra um aumento expressivo nos casos de infecções respiratórias, mesmo antes do início oficial do outono. Segundo o responsável técnico da unidade, o médico Warley Fonseca, a elevação dos atendimentos começou ainda no final do verão. “Nem saímos do verão direito e já estávamos tendo muitos casos de infecção respiratória”, afirmou.
De acordo com Fonseca, apesar do crescimento no número de atendimentos, vírus mais agressivos – como covid-19 – não são os mais frequentes no momento. Ele explica que a maior parte dos casos tem sido causada por vírus mais leves. “O que a gente mais tem observado agora é rinovírus e parainfluenza, que não são tão agressivos. Mesmo assim, aumenta muito a procura por atendimento”, destaca.
Crianças têm sido uma parcela importante desse aumento. Segundo o médico, casos de laringite e bronquiolite têm sido recorrentes. “A pediatria já vem relatando casos positivos para influenza, VSR e Covid, mas em menor quantidade. A grande maioria ainda é vírus indolente”, afirma.
Impacto na rotina da unidade
A UPA atende, em média, 6 mil pacientes por mês, mas esse número cresce significativamente nas transições de estação. “Tem mês que passamos de sete mil atendimentos. Em maio de 2024, por exemplo, chegamos a 7 095”, detalha responsável administrativa da Upa, Mariela Fernandes. No dia a dia, a unidade chega a receber 200 a 250 pacientes. “É uma demanda muito alta, e ela aumenta justamente nesse período em que o clima muda rapidamente”, acrescenta ela.
Doenças crônicas como asma, bronquite e rinite também tendem a se agravar com o clima frio, elevando o número de pacientes que buscam atendimento e, em alguns casos, internação. “Essas patologias descompensam muito fácil com infecções virais. Por isso vemos tanta procura nessa época”, observa.
Quando procurar atendimento
Fonseca orienta que adultos saudáveis com sintomas leves podem iniciar o manejo em casa, com hidratação e medicamentos sintomáticos. Porém, há sinais de alerta que exigem avaliação médica. “Falta de ar, febre persistente e tosse contínua sempre merecem atenção, especialmente em crianças, idosos e pessoas com comorbidades”, ressalta.
A maioria das infecções respiratórias registradas atualmente é viral e não demanda internação. Fonseca afirma que internar precocemente pode trazer riscos desnecessários. “Internação sempre envolve procedimentos. Às vezes internar cedo demais faz a gente furar uma criança, colocar soro, fazer exames que talvez não fossem necessários”, alerta.
Após o atendimento, os pacientes são orientados a manter acompanhamento na sua unidade de referência ou com seu pediatra. “Quando a evolução da doença exige, eles retornam aqui ou são encaminhados ao hospital”, acrescenta.
Prevenção e cuidados em casa
O médico reforça medidas simples, mas essenciais, para evitar contaminação. “Lavar bem as mãos, evitar aglomerações, usar o braço ao tossir e manter boa hidratação são atitudes que fazem muita diferença”, afirma. A vacinação contra influenza, que é anual, também é apontada como fundamental. “O vírus muda, por isso a vacina também muda. A campanha anual é extremamente importante”, reforça.
Para crianças muito pequenas, ele destaca um cuidado extra. “Quando possível, a gente orienta evitar colocar na escolinha muito cedo, porque é um ambiente de transmissão muito intensa. Mas claro, nem sempre a família consegue”, reconhece.
Testes positivos e busca por atendimento
Com o aumento de testes feitos em farmácias, muitos pacientes acabam buscando a UPA após um resultado positivo. “Alguns chegam apavorados porque deu positivo para Covid. Mas nem sempre há necessidade urgente de atendimento”, afirma Fonseca. Os casos positivos são notificados e acompanhados pelo setor de epidemiologia.
Medicamentos como o oseltamivir (Tamiflu) são fornecidos pelo SUS para pacientes com fator de risco. “No ano passado, tivemos tanto caso de influenza que o Tamiflu chegou a faltar nas farmácias. E aí o SUS foi essencial para garantir tratamento”, lembra.
Com a chegada do inverno, a tendência é que os casos de influenza A e B e Covid-19 aumentem. “Ainda não temos muitos casos, mas eles vão começar a aparecer cada vez mais. É sempre assim nessa época”, conclui.
Dia D de Vacinação Contra Influenza
O Dia D de vacinação contra a Influenza será realizado no próximo sábado, 28 de março. A imunização ocorrerá das 8h às 17h, sem intervalo ao meio-dia, na Sala de Vacinas do Posto Central, e também em três unidades das Estratégias de Saúde da Família: ESF 07 (União das Vilas), ESF 15 (Hípica) e ESF 22 (Cabo Luís Quevedo), que atenderão das 7h30 às 11h30 e das 13h30 às 17h30.
Podem receber a dose todos os grupos prioritários, incluindo crianças de seis meses a menores de seis anos, gestantes, idosos, puérperas, povos indígenas, quilombolas, trabalhadores da saúde, professores, forças de segurança e salvamento, forças armadas, caminhoneiros, trabalhadores do transporte coletivo, portuários, funcionários dos Correios, população privada de liberdade, além de pessoas com doenças crônicas e deficiência permanente. A vacinação de acamados deve ser solicitada diretamente na ESF de referência.
Para receber a vacina, é necessário apresentar CPF ou cartão do SUS. Menores de 18 anos devem estar acompanhados de um responsável e apresentar a Caderneta de Vacinação.

