Comércio teve a maior retração, enquanto serviços e agropecuária registraram saldo positivo no mês.

Uruguaiana terminou agosto de 2026 com redução no número de empregos formais, segundo os dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No período, o município contabilizou 682 admissões e 722 desligamentos, resultado em um saldo negativo de 40 postos de trabalho com carteira assinada. Com isso, o estoque de empregos formais ficou em 20.450 vínculos, uma variação de -0,20% no mês.

O resultado representa uma mudança significativa em relação a agosto de 2025. Naquele período, Uruguaiana havia registrado 814 contratações e 675 desligamentos, com saldo positivo de 139 vagas. Assim, na comparação anual, houve uma diferença de 179 postos entre os dois resultados. O número de admissões caiu 132 na passagem de um ano para o outro, enquanto os desligamentos aumentaram em 47.

Serviços e agropecuária

Entre os cinco grandes grupamentos de atividade econômica, dois encerraram agosto com mais contratações do que desligamentos. A agropecuária abriu 111 vagas e teve 93 desligamentos, alcançando saldo positivo de 18 postos. O estoque do setor chegou a 2.946 vínculos, com crescimento relativo de 0,61%.

Em serviços, foram 264 admissões e 245 desligamentos, gerando saldo de 19 vagas. O segmento manteve o maior estoque de empregos entre os setores analisados, com 8.328 vínculos e variação mensal de 0,23%.

Por outro lado, o comércio concentrou o principal resultado negativo. Foram 245 contratações diante de 311 desligamentos, o que representa perda de 66 postos formais. O setor encerrou o mês com 7.289 empregos e retração de 0,90%.

A construção também teve redução, com 32 admissões e 38 desligamentos, resultando em seis vagas a menos. O estoque ficou em 752 vínculos, queda relativa de 0,79%. Na indústria, foram 30 contratações e 35 desligamentos, saldo negativo de cinco postos e estoque de 1.135 empregos.

O comportamento dos setores também se distancia do observado em agosto de 2025. Naquele mês, comércio e serviços haviam registrado saldos positivos de 49 e 64 vagas, respectivamente, enquanto a indústria havia criado sete postos. A agropecuária também teve desempenho superior, com saldo de 28 vagas. Apenas a construção apresentou saldo negativo nos dois períodos, passando de -9 vagas em 2025 para -6 em 2026.

Trabalhadores administrativos

No recorte por grandes grupos ocupacionais, os trabalhadores de serviços administrativos tiveram saldo negativo de 27 postos, resultado de 133 admissões e 160 desligamentos. O grupo de trabalhadores da produção de bens e serviços industriais também apresentou redução expressiva, com 35 vagas a menos.

Outros resultados negativos foram registrados entre trabalhadores de serviços de reparação e manutenção, com nove vagas a menos, trabalhadores da produção de bens e serviços industriais, com quatro postos a menos, técnicos de nível médio, com duas vagas a menos, e membros superiores do poder público, dirigentes de organizações de interesse público e de empresas, com uma vaga a menos.

Em sentido contrário, os trabalhadores agropecuários, florestais e da pesca tiveram saldo positivo de 20 vagas. Profissionais das ciências e das artes registraram crescimento de dez postos, enquanto trabalhadores dos serviços e vendedores do comércio em lojas e mercados tiveram oito vagas a mais.

A comparação com 2025 reforça a mudança no comportamento do mercado formal. Naquele agosto, os trabalhadores de serviços administrativos haviam apresentado saldo positivo de 70 vagas, enquanto os profissionais das ciências e das artes tiveram 20 postos a mais. O grupo agropecuário também registrou desempenho positivo, com 24 vagas.

Perfil

O recorte por gênero mostra que a redução ocorreu nos dois grupos. Entre os homens, foram 405 admissões e 429 desligamentos, com saldo de -24 vagas. Entre as mulheres, houve 277 contratações e 293 desligamentos, resultando em saldo negativo de 16 postos. O cenário também contrasta com agosto do ano passado. Em 2025, os homens tiveram saldo positivo de 77 vagas, enquanto as mulheres registraram crescimento de 62 postos formais.

Por escolaridade, o maior saldo negativo foi observado entre trabalhadores com ensino médio completo. Foram 436 admissões contra 469 desligamentos, uma diferença de 33 postos. Também houve retração entre pessoas com ensino superior incompleto, com oito vagas a menos, ensino fundamental completo, com dez vagas a menos, ensino médio incompleto, com duas vagas a menos, ensino fundamental incompleto, com três vagas a menos, e analfabetos, com uma vaga a menos.

O único resultado positivo nesse recorte foi entre trabalhadores com ensino superior completo. O grupo teve 67 admissões e 50 desligamentos, saldo de 17 vagas. A análise por idade mostra resultados distintos entre as faixas etárias. O maior saldo positivo foi registrado entre trabalhadores de 18 a 24 anos, com 221 admissões e 185 desligamentos, diferença de 36 postos.

Também houve saldo positivo nas faixas de 25 a 29 anos, com três vagas, e de 40 a 49 anos, com sete. Já o grupo de 30 a 39 anos apresentou a maior redução, com 141 admissões e 193 desligamentos, saldo de -52 postos. Entre os trabalhadores de 50 a 64 anos, foram registradas 55 admissões e 77 desligamentos. Já entre aqueles com até 17 anos, foram 10 contratações e 17 desligamentos, enquanto a faixa de 65 anos ou mais teve sete admissões e 12 desligamentos.

Em agosto de 2025, o cenário era mais favorável em praticamente todas as faixas etárias. Os trabalhadores de 18 a 24 anos, por exemplo, haviam apresentado saldo positivo de 77 vagas, mais que o dobro do resultado registrado neste ano. A faixa de 30 a 39 anos também passou de um saldo positivo de 17 postos para uma redução de 52 em 2026.

Cenário nacional

Enquanto Uruguaiana fechou agosto com saldo negativo, o mercado formal brasileiro apresentou resultado positivo. Segundo o MTE, o país registrou 165.827 novos postos de trabalho no mês, resultado de 2,29 milhões de admissões e 2,13 milhões de desligamentos. O estoque nacional chegou a 48,24 milhões de vínculos formais.

Os cinco grandes setores da economia brasileira tiveram saldo positivo em agosto, com destaque para serviços, que abriu 110.346 vagas. Construção teve saldo de 20.848, indústria de 16.613, comércio de 16.565 e agropecuária de 1.452 postos. No acumulado de janeiro a agosto, o país somou 1,13 milhão de empregos formais criados.

Na análise do mercado de trabalho mais ampla, que inclui ocupações formais e informais, o IBGE apontou taxa de desocupação de 5,3% no trimestre encerrado em agosto. A população ocupada chegou a 103,5 milhões de pessoas, maior número da série histórica, enquanto o rendimento real habitual de todos os trabalhos ficou em R$ 3.777.

Dessa forma, os números de agosto mostram uma diferença entre o comportamento do mercado de trabalho nacional e o observado em Uruguaiana. Enquanto o país manteve geração líquida de empregos formais, o município teve mais desligamentos do que admissões e registrou, em 2026, um resultado 179 postos inferior ao contabilizado no mesmo mês do ano passado.