Vasos, baldes e outros pequenos recipientes representaram 52,2% dos criadouros identificados.

Uruguaiana contabiliza 12 casos confirmados de dengue desde o início de 2026. Conforme dados da Vigilância Epidemiológica, atualizados na terça-feira, 13/10, às 10h30, o município recebeu 134 notificações suspeitas da doença neste ano. Desse total, 120 foram descartadas e duas permanecem em investigação. Até a atualização, não havia registro de internações hospitalares ou óbitos por dengue.

Além do acompanhamento dos casos, as ações de prevenção seguem como parte do trabalho das equipes de saúde. A médica veterinária Laura Massia, coordenadora da Vigilância Ambiental em Saúde, disponibilizou o terceiro Levantamento Rápido de Índice para Aedes aegypti (LIRAa) de 2026, realizado entre 31 de agosto e 4 de setembro, identificou um índice de infestação predial de 1%, classificado como situação de alerta para a ocorrência de arboviroses.

O levantamento foi conduzido por agentes de endemias da Vigilância Ambiental em Saúde, vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (SMS). Ao longo de cinco dias, foram vistoriados 2.240 imóveis. As inspeções identificaram 23 focos do mosquito transmissor da dengue, sendo 22 em residências, o equivalente a 95,7% do total, e um em terreno baldio.

Situação de alerta

Para a realização do LIRAa, Uruguaiana foi dividida em cinco estratos, que reúnem diferentes regiões da cidade. Conforme o resultado de setembro, os estratos 1 e 3 apresentaram índices de infestação superiores a 1% e inferiores a 3,9%, faixa considerada de alerta. Já os estratos 2, 4 e 5 registraram índices abaixo de 1%, classificados como satisfatórios.

O estrato 1 compreende os bairros Centro, Mascarenhas de Moraes e Bela Vista. O estrato 3 abrange Alexandre Zachia, Rio Branco, São Miguel e João Paulo II. O estrato 2 reúne Francisca Tarragó, Nova Esperança e Prolar/Morar. Já o estrato 4 inclui União das Vilas, Aeroporto, Charqueada, Vila Júlia, Tellechea e Cidade Nova. O estrato 5 contempla Jockey Clube, Santo Inácio, Santana, Rui Ramos, São João, Cidade Alegria e Cohab II.

Entre as cinco áreas avaliadas, o estrato 3 apresentou os maiores índices de infestação predial e de Breteau, ambos de 1,6%. Enquanto o primeiro indicador corresponde à proporção de imóveis com presença do mosquito, o segundo relaciona a quantidade de recipientes com focos ao número de imóveis pesquisados.

Focos

Os pequenos depósitos móveis foram os principais criadouros encontrados durante as inspeções, representando 52,2% dos focos identificados. A categoria inclui vasos de plantas, recipientes com plantas aquáticas, baldes, garrafas e outros objetos capazes de acumular água.

Pneus e materiais descartados, como latas, plásticos, sucatas e entulhos, responderam por 13% dos focos cada. Também foram encontrados criadouros em tanques de obras, calhas, ralos e piscinas sem tratamento, que corresponderam a 8,7% dos registros. Depósitos de água ao nível do solo, como tonéis, barris e cisternas, representaram a mesma proporção. Já os depósitos elevados, como caixas-d’água, corresponderam a 4,4%.

Os resultados reforçam a importância dos cuidados dentro das próprias residências. A eliminação de recipientes com água parada, a limpeza de vasos e baldes, a destinação correta de pneus e resíduos e a manutenção de caixas-d’água fechadas estão entre as medidas recomendadas para evitar a reprodução do mosquito.

Vigilância intensifica ações durante a cheia

Massia explicou que as equipes mantêm visitas aos locais atingidos pela cheia do Rio Uruguai, com orientações sobre diferentes riscos à saúde. “Com relação às cheias, claro que é uma situação de dificuldade, mas a gente já faz visitas. Intensificamos as visitas nos bairros onde tem, onde está com a enchente, também divulgando outras questões, como animais peçonhentos, leptospirose”, relatou.

A coordenadora também chamou a atenção para o período posterior à redução do nível da água, quando recipientes e objetos podem permanecer com pequenas quantidades de água acumulada, favorecendo a reprodução do Aedes aegypti. “Quando baixa a água, é que a gente ainda tem mais preocupação, porque aí sim temos os recipientes que ficam com um pouquinho de água que pode ser um criadouro para o Aedes aegypti”, alertou Laura.

A Secretaria Municipal de Saúde intensificou as vistorias e as orientações nas áreas próximas às regiões atingidas pela elevação do Rio Uruguai. O trabalho é coordenado pela Vigilância Ambiental e executado pelos agentes de endemias. No primeiro semestre de 2026, as equipes já haviam realizado 94,5 mil inspeções em domicílios de Uruguaiana.

Além da identificação e eliminação de possíveis criadouros, os profissionais orientam os moradores sobre medidas preventivas e sinais de doenças relacionadas a situações de risco, incluindo dengue, leptospirose, febre amarela e leishmaniose.

A Vigilância Ambiental reforça a importância de permitir a entrada dos agentes nas residências para a realização das inspeções. A colaboração dos moradores é fundamental para identificar possíveis focos e reduzir as condições favoráveis à proliferação do mosquito.