Uruguaiana tem média de 16 órfãos por ano desde 2021

Levantamento realizado pelos Cartórios de Registro Civil do Rio Grande do Sul revela que, desde 2021, uma média de 16 crianças e adolescentes de até 17 anos ficam órfãos de pelo menos um dos pais a cada ano em Uruguaiana. O levantamento, que pela primeira vez consolida dados em nível estadual, mostra ainda que a pandemia de Covid-19 foi responsável por uma significativa parcela da orfandade no município. Em 2021, a doença contribuiu com pelo menos 1/4 das mortes que levaram à orfandade, deixando 5 crianças sem um dos pais em um total de 19 órfãos. 

O estudo, que abrange o período de 2021 a 2024, teve como base o cruzamento dos dados dos CPFs dos pais registrados nos óbitos com o registro de nascimento de seus filhos. Até a metade de 2019, não havia a obrigatoriedade de inclusão do CPF dos pais nos registros de nascimento, o que dificultava a correlação entre os registros. A exigência foi implementada em 2021, permitindo um levantamento mais preciso. 

Sidnei Hofer Birmann, presidente da Associação dos Registradores de Pessoas Naturais do Estado do Rio Grande do Sul (Arpen/RS), destaca a importância desses dados para uma reflexão sobre o impacto social da orfandade. “Esses dados inéditos trazem uma reflexão importante sobre o impacto social da orfandade no estado. Podemos evidenciar a necessidade de atenção e políticas públicas voltadas ao amparo dessas crianças”, afirmou. 

Além dos 19 órfãos registrados em 2021, o levantamento aponta que 2022 teve 14 crianças que perderam pelo menos um dos pais, e 2023 registrou um aumento para 20 órfãos. Até outubro de 2024, o número já chegou a 13. 

Impacto da Covid-19 na orfandade 

Entre 2019 e 2024, a pandemia de COVID-19 e suas complicações deixaram um grande número de crianças órfãs em Uruguaiana. Ao menos 7 crianças perderam pelo menos um dos pais devido à doença. Se forem consideradas doenças relacionadas ao coronavírus, como Insuficiência Respiratória, o número pode chegar a 11 crianças órfãs. Além disso, doenças como infarto, AVC, sepse e pneumonia, que foram intensificadas pela pandemia, também contribuíram para o aumento da orfandade. 

A Associação dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen/RS) segue monitorando esses dados, que oferecem um panorama importante sobre as consequências da pandemia e a necessidade de políticas públicas direcionadas à proteção dessas crianças e adolescentes.