Casos importados de sarampo são monitorados no Brasil enquanto países das Américas registram aumento.

Mesmo com a melhora registrada nos últimos anos, Uruguaiana ainda não alcança o índice de 95% de cobertura vacinal recomendado pelas autoridades de saúde para garantir proteção coletiva contra o sarampo. Dados Departamento de Monitoramento, Avaliação e Disseminação de Informações Estratégicas em Saúde (Demas), do Ministério da Saúde, apontam que a segunda dose da vacina Tríplice Viral chegou a 64,79% do público-alvo neste ano. O levantamento considera dados parciais até agosto.

O CIDADE entrou em contato com a coordenadora de Vigilância Epidemiológica e Imunizações da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), enfermeira Eduarda Oliveira, que informou os índices registrados no município. A cobertura da primeira dose apresentou crescimento entre 2023 e 2024, quando passou de 78,10% para 92,51%.

Em 2025, o percentual ficou em 92,30%, mantendo-se próximo da meta, mas ainda abaixo dos 95% recomendados. Já em 2026, com os dados disponíveis até agosto, o índice está em 81,99%. Na segunda dose, os percentuais são menores. Em 2023, a cobertura foi de 53,14%, subiu para 78,91% em 2024 e alcançou 81,07% em 2025, o melhor resultado da série apresentada. Neste ano, porém, o índice caiu para 64,79%.

A vacina Tríplice Viral protege contra sarampo, caxumba e rubéola e é disponibilizada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A manutenção de uma cobertura elevada é considerada fundamental para impedir a circulação sustentada do vírus e proteger também pessoas que não podem ser imunizadas.

Alerta

A preocupação com a manutenção das coberturas vacinais ganhou força diante do aumento de casos de sarampo em diferentes países das Américas. Segundo informações divulgadas pelo Ministério da Saúde, os Estados Unidos registrou, em 2026, o maior número anual de casos em mais de três décadas. Mais de 90% dos registros correspondem a pessoas não vacinadas ou com situação vacinal desconhecida. Além dos Estados Unidos, Guatemala, México, Peru e Canadá concentram mais de 95% dos casos confirmados na região neste ano, conforme dados da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

No Brasil, o cenário permanece diferente. Até segunda-feira, 5/10, foram identificados 52 casos importados de sarampo em 2026, sendo 41 em São Paulo, 10 no Amazonas e um no Rio de Janeiro. As equipes de saúde realizam investigação epidemiológica, busca ativa, acompanhamento de contatos e vacinação de bloqueio para evitar a transmissão.

Apesar dos casos importados, o país permanece sem circulação endêmica do vírus. O Brasil voltou a receber, em novembro de 2024, a certificação da OPAS como território livre da circulação endêmica do sarampo, após a interrupção da transmissão sustentada.

O histórico recente reforça a importância da vacinação. Em 2019, quando o país enfrentava baixas coberturas vacinais, foram registrados mais de 20 mil casos de sarampo. Após mais de um ano de transmissão contínua, o Brasil perdeu a certificação de eliminação do vírus. Entre 2023 e 2025, foram confirmados 43 casos no país, sem registro de mortes.

Cobertura nacional

A melhora da vacinação infantil também aparece nos dados nacionais. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Unicef, a cobertura das 16 vacinas previstas no calendário infantil aumentou desde 2023, enquanto o número de crianças que não receberam nenhuma dose caiu 86% no período. Em 2025, a primeira dose da Tríplice Viral alcançou 93,10% de cobertura no Brasil. No mesmo ano, São Paulo chegou a 94,39% e o Amazonas a 89,54%.

Mesmo com os avanços, a existência de crianças sem nenhuma dose mantém a necessidade de ampliar a busca e a vacinação. De acordo com as estimativas OMS-Unicef, o número de crianças brasileiras consideradas “zero dose” caiu de cerca de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025.

A vacinação é a principal medida para prevenir o sarampo e está disponível gratuitamente nas unidades do SUS. Pessoas com doses atrasadas devem procurar um serviço de saúde para verificar a situação da caderneta e receber a imunização indicada pelo Programa Nacional de Imunizações.

Em 2026, o Ministério da Saúde realizou mobilizações de vacinação em áreas consideradas estratégicas diante dos casos importados. Em São Paulo e no Amazonas, foram ampliadas ações de busca ativa, investigação de casos suspeitos, acompanhamento de contatos e bloqueio vacinal.

A estratégia também inclui medidas específicas para crianças pequenas em locais com transmissão ou risco aumentado, como a aplicação da chamada dose zero para crianças de 6 a 11 meses e 29 dias. A dose é complementar às previstas no calendário de rotina, administradas aos 12 e 15 meses.

Para as autoridades de saúde, manter a vacinação em níveis elevados, aliada à vigilância epidemiológica, é essencial para evitar que casos importados provoquem novamente a circulação sustentada do sarampo no país.