A Polícia Federal realizou, na quinta-feira, 7/5, uma nova ofensiva contra suspeitas de lavagem de dinheiro e delitos financeiros na região de fronteira. A ação, denominada Operação Numismática II, foi coordenada pela delegacia da PF de Santana do Livramento e teve desdobramentos em Uruguaiana.
Durante a operação, agentes cumpriram dois mandados de busca e apreensão autorizados pela 1ª Vara Criminal da Justiça Federal de Rio Grande. Além das diligências, a Justiça determinou o bloqueio de recursos financeiros, incluindo criptoativos, e o sequestro de imóveis e outros bens vinculados aos investigados.
Conforme a PF, documentos, dispositivos eletrônicos e mídias digitais foram recolhidos e passarão por perícia técnica. O objetivo é aprofundar as apurações sobre um suposto esquema de movimentação financeira incompatível com as atividades econômicas oficialmente declaradas pelos investigados.
A investigação teve origem em elementos obtidos durante a primeira fase da Operação Numismática I, deflagrada em 2023, que já apurava crimes ligados à evasão de divisas e à circulação irregular de moeda estrangeira na faixa de fronteira entre Brasil e Uruguai. Na ocasião, policiais federais cumpriram mandados em Quaraí, município localizado na fronteira com Artigas.
Segundo as investigações, o grupo suspeito movimentava recursos vindos de diferentes regiões do país, utilizando operações consideradas atípicas para ocultar a origem dos valores. Em apenas um mês analisado pelos investigadores, a remessa irregular de dinheiro ao exterior teria alcançado cerca de R$1,4 milhão. Grande parte dessas transações, conforme a PF, ocorria com uso de dinheiro em espécie.
Como funciona a lavagem de dinheiro
A lavagem de capitais consiste em ocultar ou disfarçar a origem ilegal de recursos obtidos por meio de crimes, fazendo com que o dinheiro aparente ter procedência lícita. No Brasil, o crime é previsto pela Lei nº 9.613/1998, que estabelece pena de três a dez anos de reclusão, além de multa.
Especialistas dividem o processo em três etapas principais. A primeira é a colocação, quando os valores ilícitos entram no sistema financeiro, muitas vezes por meio de depósitos fracionados ou aquisição de bens. Em seguida ocorre a dissimulação, marcada por transferências e movimentações complexas destinadas a dificultar o rastreamento do dinheiro. Por fim, há a integração, momento em que os recursos passam a circular na economia formal com aparência legal.
Entre os mecanismos mais utilizados nesse tipo de crime estão empresas de fachada, utilização de “laranjas”, operações fictícias de comércio exterior, depósitos pulverizados para evitar alertas de fiscalização e, mais recentemente, o uso de criptomoedas.
A Operação Numismática concentra esforços no combate ao câmbio clandestino e à remessa ilegal de valores pela fronteira entre Brasil e Uruguai. De acordo com a Polícia Federal, práticas desse tipo impactam diretamente a arrecadação de tributos federais e provocam prejuízos ao sistema financeiro nacional.


