Na última semana, o tenente-coronel Jefferson Miguel da Silva foi empossado como comandante do 47º Batalhão de Polícia Militar em Uruguaiana com uma missão bem definida: manter a redução dos principais índices criminais e ampliar as ações preventivas no município. Recém-empossado após a formatura realizada na quarta-feira, 18/3, o oficial assume a unidade em um momento estratégico, marcado por desafios permanentes na área da segurança pública e pela necessidade de consolidar os avanços já obtidos.
Em entrevista ao CIDADE, Da Silva afirmou que a prioridade imediata é dar continuidade ao trabalho desenvolvido pela equipe que atuou em 2025, período que registrou queda significativa em crimes considerados prioritários, como homicídios, feminicídios, roubos e furtos. “Assumir um batalhão que já apresentou redução importante nos indicadores aumenta ainda mais a responsabilidade. Reduzir é difícil, mas manter a queda é ainda mais desafiador. Esse é o principal objetivo para 2026”, afirmou.
Segundo o novo comandante, o 47º BPM já iniciou o ano com planejamento definido. Entre as ações estão metas voltadas à redução contínua dos indicadores de criminalidade, maior presença policial em pontos estratégicos da cidade e reforço no policiamento preventivo. “O nosso desafio é continuar reduzindo esses indicadores. Isso não depende apenas do batalhão, mas de um planejamento estratégico que envolve toda a Brigada Militar e também o trabalho integrado com outros órgãos de segurança”, explicou.
A atuação conjunta com Polícia Civil, Polícia Penal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Guarda Municipal, conforme o comandante, será decisiva para manter os resultados alcançados.
Prioridades do comando
Durante a entrevista, ele também observou que Uruguaiana possui características diferentes de outras regiões onde já atuou. Além de ser uma cidade de fronteira, o município apresenta grande circulação de pessoas em razão do turismo e do comércio. “Uruguaiana tem uma realidade muito própria. Existe uma movimentação intensa de pessoas, veículos e valores, principalmente por causa da fronteira e do comércio. Isso exige uma estratégia de policiamento ainda mais presente e preventiva”, afirmou.
O comandante acrescentou ainda que o grande número de eventos realizados no município exige organização e planejamento conjunto com outros setores públicos. “Quando há eventos, não é só a segurança que precisa se organizar. É preciso integração com saúde, mobilidade e outros serviços. A nossa ideia é trabalhar junto para que esses eventos ocorram com segurança”, disse.
Outra prioridade é o fortalecimento das ações preventivas, especialmente no combate à violência doméstica. Segundo ele, houve aumento no número de policiais destinados ao acompanhamento de mulheres com medida protetiva. “Nós não queremos apenas agir depois que o crime acontece. A prevenção precisa ser fortalecida, principalmente quando se trata de violência doméstica”, afirmou.
O comandante também pretende ampliar o número de alunos atendidos pelo Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd) ao longo de 2026. A meta é alcançar entre 400 e 500 estudantes no município.
Outro ponto abordado durante a entrevista foi a criação de um novo curso voltado ao atendimento de ocorrências envolvendo pessoas em surto ou em situação de crise emocional. Segundo Da Silva, a iniciativa faz parte de um esforço da Brigada Militar para qualificar o efetivo diante de situações cada vez mais frequentes. “A Brigada está iniciando um novo curso voltado ao atendimento de ocorrências de saúde mental. A ideia é qualificar os policiais para lidar com essas situações da forma mais adequada possível”, explicou.
De acordo com ele, a capacitação será realizada inicialmente com policiais que atuarão como multiplicadores, responsáveis por repassar o conhecimento aos demais integrantes do batalhão. “Muitas vezes a ocorrência chega para a Brigada como uma situação de desordem, mas quando o policial chega ao local percebe que se trata de uma crise de saúde mental. Por isso, a qualificação é fundamental”, afirmou.
Câmeras corporais
Durante a entrevista, o comandante também falou sobre o uso da tecnologia como aliada do trabalho policial. A expectativa, segundo ele, é de que os equipamentos comecem a chegar ao longo de 2026, possivelmente a partir do segundo semestre. No entanto, explicou que a demora não depende diretamente da Brigada Militar, mas do processo de compra realizado pelo poder público.
Diferente da iniciativa privada, a aquisição de equipamentos precisa seguir etapas obrigatórias, como abertura de licitação, análise das propostas das empresas interessadas, prazos para recursos e, somente depois, a contratação e entrega dos materiais. Esse processo pode levar meses até a conclusão. “A gente evita trabalhar com datas justamente por causa da licitação. Primeiro é preciso abrir o processo, depois definir a empresa vencedora, e só então ocorre a entrega dos equipamentos. Mesmo assim, a expectativa é que essas câmeras cheguem ainda em 2026”, afirmou.
O comandante também ressaltou que a tecnologia deve contribuir tanto para a prevenção quanto para a transparência das ações policiais, especialmente durante as abordagens.
Experiência e trajetória
Com 49 anos, o tenente-coronel Jefferson Miguel da Silva ingressou na Brigada Militar em 1995. Formado em Direito pela Universidade de Passo Fundo (UPF), possui especializações em Segurança Pública e Ciências Criminais, além de diversos cursos voltados ao uso da força, gerenciamento de crises e atendimento de ocorrências em saúde mental.
Ao longo da carreira, atuou em unidades importantes do Estado, como o 13º BPM, o 1º Batalhão Rodoviário, o Comando de Policiamento de Choque e o 3º Regimento de Polícia Montada, acumulando experiência tanto no policiamento ostensivo quanto em funções de comando.
A trajetória também é marcada por diversas condecorações, entre elas as medalhas de Serviço Policial Militar, Mérito de Policiamento Rodoviário, Mérito de Operações de Choque e de Relevantes Serviços à Ordem Pública.


