Nesta quarta-feira, 25/2, a mãe de Guilherme Moisés Oliveira de Jesus, morto durante uma ação do 6º Batalhão de Polícia de Choque (6º BPChq), em janeiro, foi ouvida pela Comissão de Cidadania e Direitos Humanos (CCDH) da Assembleia Legislativa. Presidida pelo deputado Adão Pretto Filho (PT), a comissão atendeu a requerimento da deputada Luciana Genro (PSOL).
A Parlamentar disse que tomou conhecimento da história por conta da repercussão nas redes sociais. Luciana sustentou que o jovem foi morto dentro de casa, onde os policiais ingressaram sem mandado judicial, que há indícios de violência e mencionou registros em vídeo que mostrariam a viatura em frente ao imóvel e as agressões.
A Deputada ressaltou que as circunstâncias da ocorrência estão sob investigação e que oito policiais foram afastados das funções. Ainda assim, a família relata estar sendo perseguida por policiais militares.
Depoimento
Ouvida por videoconferência, Sandra Helena Oliveira de Jesus detalhou as circunstâncias da morte do filho e denunciou o que chamou de perseguição após o ocorrido. Segundo ela, policiais do Batalhão de Choque passaram a vigiar sua casa e a casa de familiares, com viaturas circulando com frequência nas proximidades. Para ela, a presença ostensiva configura uma tentativa de intimidação. Ela também solicitou acesso aos laudos periciais do Instituto Geral de Perícias (IGP) e questionou o fato de não ter sido decretada prisão preventiva dos policiais envolvidos.
Ela descreveu a participação na reunião como um apelo. “Eu não entendo até agora porque fizeram isso com ele, eu não tenho explicação”, afirmou. Em outro momento, definiu o espaço como “um pedido de socorro”, ao reiterar que busca esclarecimentos e providências das autoridades.
Ao CIDADE, Sandra disse que se sentiu amparada com a repercussão do caso no Parlamento. “Eu fiquei um pouco mais tranquila em relação às medidas necessárias agora que chegou na Assembleia Legislativa e agradeço muito Leandro Dutra, a deputada Luciana Genro que ganhou todo meu respeito e minha admiração. Infelizmente não lembro nome dos outros participantes da comissão, fica um pouco difícil neste momento guardar nomes, depois de um mês do assassinato eu tive apoio de autoridades meus parabéns a toda equipe que esteve presente e meu muito obrigada”, declarou.
Falta de respostas
Na audiência, Luciana Genro também criticou a ausência de resposta ao pedido de informações encaminhado pela CCDH ao comandante-geral da Brigada Militar, coronel Cláudio dos Santos Feoli. Diante disso, solicitou o envio de ofício ao Ministério Público e a realização de audiência com o novo comando da corporação, coronel Luigi Gustavo Soares Pereira
O deputado Adão Pretto Filho confirmou que o requerimento de informações foi protocolado no dia 26 de janeiro e que, até o momento, não houve retorno. Ele adiantou que o Ministério Público será formalmente comunicado sobre os relatos apresentados.
O caso
Guilherme morreu na noite de 17 de janeiro, durante uma ação 6º Batalhão de Polícia de Choque ocorreu na casa em que vivia com a mãe, no bairro Cabo Luiz Quevedo. Ao menos oito policiais militares participaram.
De acordo com a mãe do rapaz, que não estava em casa no momento da abordagem, vizinhos relataram que os policiais invadiram a casa, pulando o portão e forçando as grades. A partir disso, os vizinhos ouviram gritos de Guilherme pedindo socorro e chamando pela mãe.
Cerca de uma hora depois, Guilherme foi carregado para fora da casa e deixado no pronto socorro municipal, com a informação de que havia passado mal, apesar de apresentar sinais de violência. Ele foi declarado morto e o atestado de óbito apontou causa da morte indeterminada, classificada como violenta.
Ainda segundo a mãe, três versões diferentes dos fatos foram apresentadas pelos policiais naquela noite. A primeira foi de que Guilherme teria passado mal e os policiais foram acionados para socorrê-lo; a segunda é de que o rapaz estava em via pública, em atitude suspeita, e fugiu para casa quando percebeu a presença de uma viatura policial em patrulhamento; e a terceira é de que ele estava no pátio de casa, com um volume semelhante a uma arma de fogo na cintura, e entrou para dentro de casa quando percebeu a presença da viatura.
Já a versão oficial da Polícia Militar, apresentada pelo capitão William Scramin no dia seguinte, sustenta que a equipe fazia patrulhamento quando viu um homem em atitude suspeita que correu para dentro da casa com um objeto semelhante a arma. Segundo a corporação, houve resistência e foi necessário uso progressivo da força. Durante a abordagem, Guilherme teria sofrido um mal súbito, recebido atendimento no local e sido encaminhado ao Hospital Santa Casa de Uruguaiana (HSCU).

