Bombeiro salva bebê de um mês após engasgo
Criança apresentou sinais de falta de ar e foi reanimada ainda no local. Créditos: Print de tela/CBMRS.

Um momento de tensão terminou em alívio e emoção na tarde da última quinta-feira, 2/4, quando um bebê de apenas um mês foi salvo após se engasgar. A ocorrência foi registrada no quartel do 13º Batalhão de Bombeiros Militar, onde o 2º sargento Jerley Lucena protagonizou um atendimento decisivo para preservar a vida da criança. 

A ocorrência teve início quando um veículo entrou rapidamente no local, despertando a atenção da guarnição. Em entrevista ao CIDADE, o sargento relatou como percebeu que se tratava de uma situação crítica. “Quando vimos o carro entrando em velocidade acima do normal, já nos chamou atenção. Um colega comentou e, ao observar pelas câmeras, percebi a porta abrindo com o veículo ainda em movimento. Naquele momento eu disse: ‘deu ocorrência’. Saímos correndo porque sabíamos que algo estava errado”, contou. 

Ao chegar até o automóvel, os bombeiros encontraram o pequeno Ravi, de apenas 30 dias de vida, sem reação e com sinais de obstrução total das vias aéreas. Diante da gravidade, Lucena iniciou imediatamente o protocolo de atendimento. 

Segundo ele, a intervenção seguiu as diretrizes do atendimento pré-hospitalar, com base em técnicas atualizadas. “A gente posiciona o bebê de forma segura, utilizando a gravidade como auxílio. Como a alimentação nessa fase é líquida, isso facilita a desobstrução. Quando não resolve, partimos para as manobras: cinco batidas nas costas, depois cinco compressões no peito, sempre avaliando as vias aéreas e repetindo o ciclo até a resposta”, explicou. 

O militar destacou que o procedimento está alinhado a protocolos internacionais de atendimento em trauma e emergência, como o Prehospital Trauma Life Support (PHTLS), amplamente utilizado por equipes de resgate. 

Apesar da tensão, a resposta foi rápida. Em poucos segundos, o bebê voltou a respirar. “Quando peguei ele nos braços, estava sem reação. Logo após as manobras, começou a se mexer, retomou a respiração e a consciência. Foi questão de segundos que reverteram a situação”, relatou. 

Lucena também ressaltou o papel fundamental da família no desfecho positivo. “Quero parabenizar os pais. Eles agiram rápido, levaram ao socorro o mais breve possível e, durante o deslocamento, o pai já tentava realizar manobras. Isso ajudou muito. A mãe relatou que ele ficou roxo, sem respirar, o que aumentou o desespero, mas a atitude deles foi essencial”, afirmou. 

Após o salvamento, o momento foi marcado por forte emoção entre os envolvidos. “Apesar do treinamento, somos humanos. É uma responsabilidade muito grande receber um bebê nos braços, ainda mais em uma situação dessas. Quando ele voltou, foi um alívio enorme. A mãe me agradeceu com um abraço que não precisa de palavras. Eu levantei os braços e agradeci a Deus. Foi um momento muito bonito para toda a equipe”, disse. 

O sargento ainda reforçou que o preparo técnico faz toda a diferença em ocorrências desse tipo. “O treinamento constante permite que, mesmo sob pressão, a técnica prevaleça sobre a emoção. A repetição cria uma memória muscular que nos ajuda a agir corretamente. Esse é o diferencial”, destacou, acrescentando que a corporação mantém capacitações frequentes para atualização das equipes. 

Importância dos primeiros socorros 

A manobra de Heimlich é uma técnica de primeiros socorros utilizada para desobstruir as vias aéreas em casos de engasgo, quando algo impede a passagem de ar para os pulmões. 

O procedimento consiste, de forma geral, em aplicar compressões para forçar a saída do objeto que está bloqueando a respiração. Em adultos e crianças maiores, essas compressões são feitas na região abdominal, com movimentos rápidos para dentro e para cima, criando uma pressão que “expulsa” o corpo estranho. 

Já em bebês com menos de um ano, a técnica é diferente e mais delicada: o socorrista posiciona a criança de bruços sobre o antebraço, com a cabeça mais baixa que o corpo, e realiza cinco batidas firmes nas costas. Em seguida, vira o bebê e aplica cinco compressões no tórax. Esse ciclo é repetido até a desobstrução das vias aéreas. 

O nome da manobra faz referência ao médico norte-americano Henry Heimlich, que desenvolveu o método na década de 1970. A técnica se difundiu mundialmente por sua eficácia e passou a ser ensinada como procedimento padrão em situações de emergência. 

A origem da manobra está na necessidade de um método rápido e eficiente para salvar vítimas de asfixia, especialmente durante refeições, quando ocorrem a maioria dos engasgos. Desde então, ela se tornou um dos pilares do atendimento pré-hospitalar. É importante destacar que o engasgo pode ser parcial ou total. Nos casos graves, a pessoa não consegue respirar, falar ou tossir e pode apresentar coloração arroxeada (cianose).  

Nessas situações, o atendimento deve ser imediato, com acionamento do socorro especializado, como o Serviço Móvel de Urgência, discando 192 ou Bombeiros, no número 193 e aplicação das técnicas por quem tiver conhecimento. 

Por isso, a capacitação de pais, cuidadores e profissionais é considerada fundamental, em muitos casos, como o do bebê Ravi, uma ação rápida e correta faz toda a diferença entre a vida e a morte.