Brasil registra 1.568 feminicídios em 2025
Cidades com até 100 mil habitantes, embora reúnam pouco mais de dois quintos da população feminina, respondem por metade das ocorrências de feminicídio. Créditos: Ilustração/Pexels.

O mais recente levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em alusão ao Dia Internacional da Mulher de 2026, traz um retrato preocupante da violência de gênero no país. O estudo aponta que, somente em 2025, cerca de 1.568 mulheres foram mortas em razão de sua condição de gênero, reforçando a continuidade, e até a intensificação desse tipo de crime no Brasil. 

 Desde que o feminicídio passou a ser reconhecido na legislação, em 2015, mais de 13,7 mil mulheres perderam a vida nessas circunstâncias. Ao longo da última década, os registros mostram uma tendência de crescimento gradual, com pequenas oscilações, mas sem redução significativa. 

 Um dos aspectos mais alarmantes revelados pela pesquisa é a concentração desses crimes em municípios menores. Cidades com até 100 mil habitantes, embora reúnam pouco mais de dois quintos da população feminina, respondem por metade das ocorrências de feminicídio. O dado evidencia um cenário de fragilidade estrutural, especialmente em locais onde a rede de atendimento e proteção às mulheres é mais limitada. 

 Outro ponto crítico diz respeito à falha na proteção de vítimas já identificadas como em risco. Em 2024, ao menos 148 mulheres foram assassinadas mesmo estando sob Medida Protetiva de Urgência, o que levanta questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de segurança existentes. 

 A série histórica reforça a gravidade do problema. Em 2015, primeiro ano após a tipificação do crime, foram registrados menos de 500 casos. A partir daí, os números praticamente dobraram em poucos anos e seguiram em trajetória ascendente, chegando ao patamar mais alto em 2025. 

 Quando analisadas as taxas proporcionais, algumas unidades da federação se destacam negativamente. Estados da região Norte e Centro-Oeste apresentam os índices mais elevados de feminicídio por grupo de 100 mil mulheres, com destaque para Acre, Rondônia e Mato Grosso do Sul. 

 Perfil das vítimas 

 Os dados mais detalhados disponíveis, referentes ao período entre 2021 e 2024, revelam que a maioria das vítimas é composta por mulheres negras, que representam quase dois terços dos casos. Mulheres brancas aparecem em proporção menor, enquanto indígenas e asiáticas correspondem a uma parcela bastante reduzida. 

 Em relação à idade, a violência atinge principalmente mulheres em fase adulta, com maior incidência entre 30 e 39 anos, seguida pelas faixas de 40 a 49 anos e de 18 a 24 anos. Ainda que menos frequentes, há registros envolvendo crianças, adolescentes e idosas, o que demonstra que o problema atravessa todas as gerações. 

 Relação com o agressor, local e meios 

 Na maior parte das ocorrências, o autor do crime é alguém próximo da vítima. Companheiros e ex-companheiros respondem pela ampla maioria dos casos, o que reforça o caráter doméstico e relacional dessa violência. Familiares e pessoas conhecidas também aparecem entre os agressores, enquanto desconhecidos representam uma minoria. 

 O ambiente onde esses crimes acontecem confirma essa dinâmica: a casa da vítima é o principal cenário, seguida por espaços públicos. Outros locais, como áreas rurais, estabelecimentos comerciais e unidades de saúde, aparecem com menor frequência. 

 Entre os instrumentos mais utilizados nos assassinatos, predominam armas brancas, seguidas por armas de fogo. Há ainda registros de agressões físicas diretas e uso de objetos contundentes, o que evidencia a brutalidade envolvida nesses crimes.