A Brigada Militar deu início, na terça-feira, 17/3, a uma nova iniciativa de capacitação voltada ao atendimento de ocorrências envolvendo crises em saúde mental. A proposta busca aprimorar a atuação dos policiais militares diante de situações delicadas, priorizando intervenções mais qualificadas, seguras e centradas no respeito à vida e à dignidade humana.
Nesta primeira edição, o curso é oferecido na modalidade de ensino a distância, alcançando efetivos de diferentes regiões. A formação tem como foco preparar os agentes para agir de forma integrada em atendimentos pré-hospitalares, especialmente em casos que exigem abordagem técnica e sensível, como episódios de sofrimento psíquico intenso.
Eles serão preparados para atuar em diferentes tipos de ocorrência. Segundo a Brigada Militar, casos de alto risco, como tentativas de suicídio, presença de armas, agressões ou risco de incêndio, exigem atuação conjunta das forças de segurança e de saúde. Já as situações classificadas como de baixo risco são conduzidas prioritariamente pelo Samu, com apoio da segurança pública quando necessário.
A articulação com serviços como o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e demais estruturas da rede de atenção psicossocial é um dos pilares da qualificação.
De acordo com a corporação, o curso está sendo realizado entre os dias 17 e 21 de março, a primeira turma reúne 138 policiais militares, com atividades conduzidas pelo Instituto de Pesquisa da Brigada Militar. A execução pedagógica ocorre por meio de setores ligados ao Departamento de Educação e Cultura da corporação, responsáveis pelo planejamento e supervisão do conteúdo.
A programação abrange temas essenciais para o atendimento em saúde mental, incluindo identificação de transtornos, avaliação de risco, técnicas de comunicação em situações de crise, manejo clínico e procedimentos práticos de contenção. Também são abordadas especificidades de ocorrências envolvendo crianças e adolescentes, ampliando o preparo dos profissionais para diferentes contextos.
Protocolo integrado
A iniciativa integra uma estratégia do Governo do Estado, que lançou no início deste mês o ‘Programa de Resposta Integrada Nas Emergências em Saúde Mental’, um protocolo unificado para atendimentos relacionados a surtos psicóticos e quadros de agitação. A medida reúne esforços das áreas da saúde e da segurança pública, com o objetivo de padronizar procedimentos e reduzir a necessidade do uso da força, priorizando o cuidado especializado.
Esse modelo prevê atuação conjunta entre órgãos como o Samu, a própria Brigada Militar e o Corpo de Bombeiros Militar, estabelecendo funções claras e integração nas respostas às ocorrências. Situações como tentativas de suicídio, automutilação, episódios de delírio ou alucinação e outros quadros graves passam a ser tratadas com protocolos específicos.
O fluxo de atendimento inclui triagem inicial realizada pelos canais de emergência, 190, 192 e 193, onde são avaliados fatores como risco à vida, presença de armas, agressividade e uso de substâncias. A partir dessa análise, os casos são classificados conforme o grau de risco, definindo o tipo de resposta necessária.
Entre as novidades, destaca-se a integração de sistemas de informação entre saúde e segurança, permitindo o compartilhamento de dados em tempo real. Além disso, há previsão de reforço nas equipes do Samu com profissionais especializados em saúde mental e criação de ferramentas de orientação para familiares de pessoas em crise.
Com novas edições já planejadas, incluindo etapas presenciais para formação de multiplicadores, a expectativa é expandir o alcance da capacitação e fortalecer o preparo técnico dos policiais em todo o estado.


