Indicadores de Violência doméstica recuam em Uruguaiana
Uruguaiana registrou 53 ocorrências de violência doméstica, número inferior aos 57 casos contabilizados no mesmo período de 2025. Créditos: Marcelo Camargo/Agência Brasil.

A Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul divulgou os indicadores criminais referentes à violência doméstica registrados em fevereiro de 2026. As estatísticas fazem parte do monitoramento mensal da pasta, que visa criar mecanismos de enfrentamento à criminalidade. Os índices apontam leve retração nas ocorrências em Uruguaiana quando comparadas ao mesmo período do ano anterior. 

No segundo mês deste ano, foram contabilizados 53 registros de crimes relacionados à violência doméstica no município. Em fevereiro de 2025, o número havia sido de 57 casos. A diferença representa uma diminuição de aproximadamente 7% das ocorrências notificadas. Os dados consideram cinco tipos de delitos monitorados pelos órgãos de segurança: feminicídio consumado, feminicídio tentado, lesão corporal, ameaça e estupro.  

Entre os registros de 2026, chama atenção a confirmação de uma tentativa de feminicídio, situação em que o agressor inicia um ataque com intenção de matar a vítima em razão de seu gênero, mas não consegue concluir o crime por circunstâncias externas. No mesmo período do ano passado, não havia ocorrido registro desse tipo de caso. Já os casos de feminicídio consumado não aparecem nas estatísticas deste mês. Em fevereiro de 2025, havia sido confirmada uma ocorrência desse crime na cidade. 

O indicador que apresentou a maior redução foi o de lesão corporal. Em fevereiro de 2026 foram registrados 21 episódios, enquanto no mesmo mês do ano anterior haviam sido 27. A diminuição corresponde a uma queda de 22,22%. 

Outro índice que apresentou retração foi o de ameaças. Neste ano foram contabilizados 18 registros, contra 22 em fevereiro de 2025, o que representa redução de cerca de 18,5%. Já os casos de estupro não foram registrados neste levantamento mensal, enquanto no ano passado haviam sido contabilizadas duas ocorrências. 

Subnotificação 

Apesar da redução observada nos números oficiais, os dados podem não refletir totalmente a dimensão do problema. A subnotificação ainda é considerada um dos principais obstáculos no enfrentamento da violência doméstica. Muitas vítimas deixam de registrar ocorrência por medo do agressor, vergonha ou dificuldades para acessar serviços de apoio e proteção. 

Embora o panorama municipal indique certa estabilidade no período analisado, o contexto nacional segue preocupante. No Brasil, a violência contra a mulher permanece em níveis elevados. De acordo com a Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, cerca de 3,7 milhões de brasileiras sofreram algum tipo de agressão doméstica ou familiar ao longo de 2025. 

O estudo também revela que a violência costuma ocorrer de forma repetida. Aproximadamente seis em cada dez mulheres afirmam que as agressões aconteceram nos últimos seis meses, enquanto 21% relatam conviver com episódios violentos há mais de um ano. 

Dados do Judiciário brasileiro também indicam crescimento nos registros de feminicídio. Somente em janeiro de 2026 foram contabilizados 947 novos processos relacionados a esse crime, número 3,49% maior que o registrado no mesmo mês de 2025, quando haviam sido protocolados 915 casos. 

A violência doméstica também segue pressionando o sistema de Justiça. Apenas em janeiro deste ano foram iniciados 99.416 novos processos relacionados ao tema. Ao longo de 2025, o país ultrapassou a marca de 1,2 milhão de registros judiciais desse tipo. 

Outro indicador em crescimento é o número de medidas protetivas concedidas às vítimas. Em 2025, o Brasil registrou recorde nesse tipo de decisão judicial, com quase 630 mil medidas concedidas, superando as cerca de 612 mil registradas em 2024. O volume atual representa mais que o dobro do observado em 2020, quando haviam sido concedidas 287.427 proteções. Somente em janeiro de 2026, mais de 53 mil medidas foram autorizadas pela Justiça. 

No âmbito estadual, os números também preocupam. Nos primeiros meses de 2026, o Rio Grande do Sul já registrou 20 mortes de mulheres classificadas como feminicídio. O total representa um aumento de 53% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido contabilizados 13 casos. O levantamento foi realizado pela Frente Parlamentar dos Homens pelo Fim da Violência contra as Mulheres, com base em dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública. 

Disque denúncia 

A violência contra a mulher nem sempre é visível e pode ocorrer de forma silenciosa, seja por meio de ameaças, agressões físicas ou outras formas de abuso. Por isso, denunciar é considerado um passo essencial para interromper ciclos de violência. 

No Brasil, os principais canais de denúncia são a Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas e permite registro anônimo, e o número 190 da Brigada Militar ou Polícia Militar para situações de emergência. Também é possível buscar ajuda por meio do Disque 100, das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) ou pelos serviços digitais da Delegacia Online da Mulher. 

Caso haja indícios de violência próximos, a orientação é buscar apoio e incentivar a vítima a procurar ajuda. O enfrentamento desse tipo de crime depende tanto da atuação das instituições quanto da mobilização da sociedade para proteger e apoiar mulheres em situação de risco.