Os registros de lesão corporal contra mulheres aumentaram em Uruguaiana durante julho de 2026, conforme os indicadores criminais divulgados pela Secretaria da Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP/RS). O número de ocorrências passou de oito, em julho de 2025, para 16 no mesmo período deste ano, representando uma alta de 100%.
Entre os crimes relacionados à violência contra a mulher acompanhados mensalmente pela SSP, a lesão corporal foi o único indicador que apresentou crescimento em julho na comparação entre os dois anos. Apesar do aumento, os demais registros analisados apresentaram redução ou permaneceram sem ocorrências.
Os casos de estupro passaram de quatro, em julho do ano passado, para três neste ano, uma queda de 25%. Já os registros de ameaça contra mulheres recuaram de 23 para 18 ocorrências no período, apresentando uma redução de 21,74%. Os indicadores de feminicídio tentado e feminicídio consumado não registraram ocorrências em julho de 2025 nem em julho de 2026.
Um retrato que assombra
Embora os dados de Uruguaiana mostrem queda em parte dos indicadores, a violência contra a mulher continua sendo uma realidade que atinge milhões de brasileiras. Uma pesquisa realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber, aponta que 54% das brasileiras afirmam já ter sofrido algum tipo de violência prevista na Lei Maria da Penha.
O levantamento, intitulado 20 anos da Lei Maria da Penha: percepção da sociedade brasileira, estima que cerca de 47,7 milhões de brasileiras já foram vítimas de pelo menos uma das cinco formas de violência reconhecidas pela legislação: física, psicológica, sexual, moral e patrimonial.
Entre mulheres que já tiveram algum relacionamento com um homem, 42% afirmam ter sofrido violência psicológica por parte de parceiro ou ex-parceiro. A violência física aparece em seguida, relatada por 25% das entrevistadas. Também foram mencionadas agressões de natureza moral, sexual e patrimonial, com índices de 19%, 10% e 9%, respectivamente.
A proximidade com os agressores também aparece entre os dados levantados pela pesquisa. Entre as mulheres entrevistadas, 88% apontaram parceiros ou ex-parceiros como principais autores de agressões contra mulheres. Na sequência, 33% citaram familiares ou parentes próximos, como avôs, pais, padrastos, irmãos, filhos, enteados e outros parentes homens.
Subnotificação
Os números registrados pelas forças de segurança também precisam ser observados diante de um problema que dificulta dimensionar a violência contra a mulher: a subnotificação. Nem todos os casos chegam ao conhecimento das autoridades, seja pela decisão da vítima de não registrar a ocorrência ou pelas dificuldades encontradas para buscar ajuda.
Medo de represálias, dependência emocional ou financeira, vergonha, isolamento e receio de não receber acolhimento estão entre os fatores que podem impedir a denúncia. A chamada cifra negra representa justamente a diferença entre os episódios de violência que efetivamente acontecem e aqueles que chegam ao conhecimento dos órgãos responsáveis.
A dificuldade de romper o ciclo de violência também pode estar relacionada ao medo de revitimização, à descrença no sistema de Justiça, à burocracia e ao desconhecimento dos mecanismos de proteção previstos pela Lei Maria da Penha. O julgamento social e a pressão exercida pelo agressor também podem contribuir para que a vítima permaneça em silêncio.
Disque denúncia
A violência contra a mulher pode ocorrer de diferentes formas e nem sempre deixa marcas visíveis. Ameaças, agressões psicológicas, violência física, sexual e patrimonial também integram o conjunto de situações previstas na legislação de proteção às mulheres.
Denúncias e pedidos de orientação podem ser realizados pela Central de Atendimento à Mulher, pelo telefone 180, que funciona 24 horas por dia. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Brigada Militar pelo 190. Também é possível procurar uma Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, além dos canais de atendimento das delegacias e da rede de proteção.

