O Instituto-Geral de Perícias (IGP) reforçou sua estrutura tecnológica com a incorporação de dois modernos sistemas multiespectrais da marca ForenScope, destinados à revelação de impressões digitais em locais de crime. A aquisição representa um avanço significativo na área da papiloscopia forense.
Os novos equipamentos possibilitam a captura de vestígios papilares com elevado nível de detalhamento, por meio de varreduras que identificam fragmentos mesmo quando encobertos por poeira ou imperceptíveis a olho nu. A tecnologia multiespectral amplia a capacidade de detecção ao utilizar diferentes comprimentos de onda de luz, o que permite localizar marcas que poderiam não serem visualizadas por métodos convencionais.
Ao contrário do procedimento tradicional, que exige a aplicação de pós químicos e reagentes para evidenciar as digitais, substâncias que podem deixar resíduos ou liberar vapores nocivos, o novo sistema dispensa esses insumos. A mudança reduz riscos à saúde dos profissionais e contribui para a preservação do ambiente analisado.
Outro diferencial está na automatização das lentes, que proporciona maior precisão, rapidez na coleta e ganho expressivo de resolução das imagens. O modelo recém-adquirido opera com tecnologia 8K, dobrando a capacidade do equipamento anterior, comprado em 2024, que contava com resolução 4K.
Após a captação, os arquivos digitais são encaminhados aos servidores do IGP e, na sequência, inseridos no Automated Fingerprint Identification System (Afis), em tradução livre: Sistema automatizado de identificação de impressões digitais. O procedimento amplia as possibilidades de confronto com bancos de dados papiloscópicos e fortalece o processo de identificação de suspeitos.
De acordo com o papiloscopista Eduardo Stumvoll, da Seção de Revelação de Latentes do Departamento de Identificação, a modernização traz impactos diretos na preservação das provas periciais. Ele recorda que, em algumas situações, fragmentos de digitais acabavam comprometidos durante a aplicação de reveladores químicos. Segundo o especialista, a nova tecnologia reduz significativamente esse risco e aumenta a capacidade de localizar vestígios que antes poderiam passar despercebidos.
O investimento, de R$1,75 milhão, foi viabilizado com recursos do Fundo Estadual de Segurança Pública (Fesp). A expectativa do IGP é dar continuidade ao processo de modernização, com futuras aquisições para contemplar outras seções e ampliar o acesso dos servidores às novas ferramentas.


