Ocorrências de furto e estelionato aumentaram em Uruguaiana
Relatório mensal evidencia crescimento de ocorrências sem violência direta e queda em crimes relacionados a drogas. Créditos: Ilustração/Pexels

A Secretaria da Segurança Pública (SSP) do Rio Grande do Sul divulgou, nesta sexta-feira, 10/4, os dados mais recentes dos Indicadores Criminais referentes ao mês de março em todos os municípios do Estado. O levantamento, atualizado mensalmente, reúne ocorrências relacionadas a crimes contra a vida e contra o patrimônio, servindo como base para o planejamento estratégico das forças de segurança.

Em Uruguaiana, o recorte de março de 2026 evidencia uma elevação nos delitos patrimoniais quando comparado ao mesmo período de 2025, com destaque para o crescimento nos registros de furto e estelionato.

O crime de furto (caracterizado pela subtração de bens sem o uso de violência ou grave ameaça), apresentou o aumento mais expressivo. Foram contabilizados 91 casos neste ano, frente aos 78 registrados em março do ano passado, o que representa um acréscimo de 13 ocorrências, equivalente a 16,7%.

Na mesma linha, o estelionato também registrou avanço significativo. Em 2025, foram 47 casos, enquanto em 2026 o número subiu para 59, um crescimento de 25,5%, totalizando 12 registros a mais.

Outros indicadores também apresentaram elevação, ainda que em menor escala. Os delitos envolvendo armas e munições passaram de três para quatro ocorrências no comparativo anual, enquanto os casos de abigeato (furto de animais de produção), dobraram, passando de um para dois registros.

Por outro lado, alguns crimes apresentaram redução no período analisado. A maior queda foi observada na posse de entorpecentes, que recuou de 22 casos em março de 2025 para dez neste ano, uma diminuição de 54,55%.

O tráfico de drogas também apresentou retração, passando de 26 para 24 ocorrências, o que representa queda de 7,7%. Já o crime de roubo teve redução de 25%, com três registros em 2026 contra quatro no ano anterior. O roubo de veículos não teve ocorrências neste ano, enquanto em 2025 houve um caso.

Os crimes mais graves, como homicídio doloso e latrocínio, não foram registrados em março, tanto em 2025 quanto em 2026, mantendo estabilidade nesse recorte.

Violência contra a mulher

Além dos dados gerais, a SSP também divulgou os Indicadores de Violência Contra a Mulher, conforme a Lei Maria da Penha. Em Uruguaiana, os números apontam redução em alguns dos principais crimes.

O feminicídio tentado não teve registros em março de 2026, enquanto no mesmo período do ano anterior havia um caso. Já as ocorrências de ameaça apresentaram leve queda de 5,26%, passando de 19 para 18 registros.

Os casos de lesão corporal permaneceram estáveis, com 17 ocorrências em ambos os anos, assim como os registros de estupro, que se mantiveram em dois casos no comparativo entre 2025 e 2026.

Subnotificação ainda é desafio

Apesar das reduções observadas em parte dos indicadores, especialistas alertam que os números oficiais podem não refletir a total dimensão da violência, especialmente no contexto doméstico. A subnotificação segue como um dos principais entraves no enfrentamento desses crimes.

Fatores como medo do agressor, dependência emocional ou financeira, além da dificuldade de acesso aos canais de denúncia, contribuem para que muitas vítimas não formalizem ocorrência.

Embora o cenário local indique relativa estabilidade em alguns aspectos, o panorama nacional ainda é preocupante. Dados recentes apontam que milhões de brasileiras seguem sendo vítimas de violência doméstica e familiar, evidenciando a necessidade de políticas públicas contínuas e ações de prevenção.

Se você presenciar ou tiver conhecimento de qualquer situação de violência, ameaça ou abuso psicológico contra uma mulher, denuncie. Em casos de emergência, ligue 190.