Plataforma digital amplia rede de alerta contra novas drogas no Brasil
Com acesso via Gov.br, sistema torna mais ágil e seguro o registro de novas drogas e adulterações. Créditos: Helena Biasi/JC

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos (Senad) apresentou, na terça-feira, 24/2, uma nova plataforma digital para fortalecer o Sistema de Alerta Rápido sobre Drogas (SAR). A iniciativa marca um avanço na estratégia de monitoramento de substâncias psicoativas no país e amplia a capacidade de resposta diante de riscos emergentes à saúde pública e à segurança.  

Criado pela Portaria nº 880, de 21 de fevereiro de 2025, o SAR atua na identificação da circulação de novas drogas sintéticas, alterações na composição de entorpecentes já conhecidos e mudanças na forma de apresentação dessas substâncias. O objetivo é detectar precocemente ameaças que possam causar danos à população e emitir comunicados técnicos que orientem autoridades e profissionais da rede envolvida. 

Até então, as notificações eram encaminhadas por e-mail e centralizadas na Diretoria de Pesquisa, Avaliação e Gestão de Informações da Senad. Com a modernização do sistema, o processo passa a ocorrer em ambiente virtual próprio, com acesso mediante autenticação pela conta Gov.br. No momento do cadastro, o usuário deve indicar a instituição à qual está vinculado, dentro dos perfis previamente habilitados.  

A plataforma foi desenvolvida para tornar o fluxo de dados mais ágil, padronizado e seguro, além de ampliar o alcance da rede colaborativa. Estão aptos a registrar notificações laboratórios de química e toxicologia forense, centros de informação toxicológica, hospitais e serviços de urgência, organizações da sociedade civil, Centros de Atenção Psicossocial, órgãos públicos de diferentes esferas e instituições acadêmicas e científicas. 

Considerado o principal instrumento operacional do SAR, o novo sistema reforça a articulação entre áreas como saúde, segurança pública, perícia criminal, vigilância sanitária, universidades e entidades da sociedade civil. A proposta é integrar conhecimentos e acelerar a produção de alertas técnicos diante da identificação de novas substâncias psicoativas ou de adulterações que elevem o risco de intoxicações. 

 Como funciona 

Quando uma possível nova droga ou modificação relevante é detectada, o registro deve ser feito diretamente na plataforma, por meio de formulário específico. O sistema disponibiliza diferentes modelos de envio, adaptados às circunstâncias da identificação.  

Após análise técnica das informações, o notificante recebe retorno sobre as providências adotadas, que podem incluir a emissão de alertas rápidos e a divulgação de informes científicos à rede. 

No primeiro ano de funcionamento contínuo, o SAR contabilizou sete notificações formais e publicou seis alertas. Entre os episódios acompanhados estiveram casos envolvendo triptaminas sintéticas, nitazenos, canabinoides sintéticos, benzodiazepínicos e registros de intoxicação por metanol associados à adulteração de bebidas alcoólicas.